Ou como eles gostam tanto da segurança que dá a disciplina que, quando dá jeito, criticam.

Fernando Madrinha no Expresso de hoje, assustado com o facto da CGTP e os “sindicatos” não estarem a enquadrar devidamente o protesto popular, ou seja, a fazer o seu papel no sistema:

A CGTP promoveu no sábado aquela que pretendia ser a sua maior manifestação de sempre. Foi grande, sem dúvida, mas comparando com as de 15 de setembro, ficou aquém. os sindicatos estão a perder a rua, não para o centro ou para a direita, mas para o… Facebook. E esta é uma mudança “estrutural” com consequências. Desde logo, leva os partidos da esquerda a radicalizarem as suas posições. Depois, introduz um grau de incerteza e de imprevisibilidade com riscos acrescidos para a estabilidade social e política. Teme-se o pior.

Este tipo de discurso é factualmente correcto mas está eivado de medos, preconceitos e revelações em tão poucas palavras. E também explica a forma muito agradável como muita comunicação social, em tempo real, não fez comparações claras com o que se passara em 15 de Setembro.

Nada como a CGTP para se ter uma contestação domesticada e enquadrada nas regras do sistema.

Cuidado com quem foge ao enquadramento e consegue mobilizar sem rédeas. Ai, ai, ai o demónio das redes sociais… (não percebendo que há muita coisa das redes sociais que falha estrondosamente, sendo que é mais importante perceber as que funcionam e porquê…)

Afinal o discurso dos “partidos da esquerda” nem sequer estava radicalizado pela situação política, é empurrado pelas mobilizações de rua de tipo mais espontâneo.

Meu Deus, como o mundo dos caturras está a mudar e como a incerteza os assusta. Como se pode desmoronar o equilíbrio coreográfico que constitui a previsibilidade do establishment há décadas.

O mundo vai mudando – não sei se de forma “estrutural” porque há idosos mentais que, quando se assustam, começam logo a prever o apocalipse em ceroulas – e eles estão tão assustados, tão assustados.

Tantos anos a acusar a CGTP de ser um bicho-papão e, afinal, ela sempre foi um elemento de certeza e estabilidade

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