Sexta-feira, 5 de Outubro, 2012


Pink, Blow Me (One Last Kiss)

Descontextualizando até soa melhor… (e a entrada da guitarra evoca boas memórias…)

Just when I can’t get worse, I’ve had a shit day (No!)
You had a shit day (no!), we’ve had a shit day (No!)
I think that life’s too short for this
Want back my ignorance and bliss
I think I’ve had enough of this,

A República vai nua.

Instruções sobre como chegar para gente que, como eu, não usa GPS.

Trabalhos a arrancar pelas 9.45. Quem está inscrito deve confirmar isso à chegada por mera formalidade, embora ninguém vá ficar fora se não estiver.

Diplomas de participação a enviar mais tarde a quem o solicitar, para memória do “invento”.

Clicar para aumentar.

Já que tiveram o mínimo bom senso de não criarem um novo bloco, pois acabariam por perder os lugares que já têm no sistema e era preciso… Porque há ali deputados, eurodeputados, ex-líderes parlamentares, ex-candidatos presidenciais, opinadores instalados há anos a fio na comunicação social. Está ali um dos lados mais visíveis do sistema. O que está sempre perto de um microfone, uma câmara, uma redacção. Era arriscar demais…

Confesso, simpatizo bastante com o André Freire, com o que diz e escreve, com a postura que adopta, com os seus trabalhos académicos.

Mas o resto? O resto são os do costume…

… e o seu papel na validação das políticas educacionais do engenheiro foi uma das constantes mais constantes da sua acção presidencial de promulgação.

Incluindo aquelas em que os professores passaram a trabalhar mais horas e em mais funções em troca de uma sucessiva degradação das suas condições laborais. Aquelas em que a sua dignidade profissional foi sendo torpedeada diariamente, anos a fio, enquanto o senhor Presidente defendia, em público e nos bastidores, quem mais nos aviltou nos últimos anos, aceitando fazer inaugurações em acções de propaganda política do governo de então, em alguns casos de obras que sabemos como foram conduzidas pela Parque Escolar, esse interessante recurso para agilizar processos.

Ouvi-lo (ou lê-lo) em passagens como a seguinte provocam-me pensamentos que não devo explicitar na sua extensão mais extensiva porque seria possível alguma falta de civilidade, a qual sei dever à sua pessoa enquanto ser humano e em virtude das funções que desempenha.

Por sua vez, o papel dos professores tem de ser valorizado e dignificado. O reconhecimento da ação fulcral dos professores não assenta apenas em fatores materiais. Pressupõe, isso sim, a valorização da escola, em articulação com as famílias e as autarquias, como agente privilegiado de construção do futuro. A escola deve ser vista como um espaço de exigência e de oportunidades. Se ambicionamos um futuro melhor, temos de ambicionar ser melhores no futuro.

Para alcançarmos esse objetivo, insisto, o papel dos professores deve ser reconhecido e apoiado. Neste dia 5 de outubro, aniversário de uma República que se distinguiu pela sua matriz pedagógica, quero expressar o meu público reconhecimento aos professores que se dedicam e empenham na sua atividade de construtores do futuro. A todos eles, muito obrigado. Em nome do Portugal de hoje, mas também em nome do Portugal de amanhã.

Vai-me desculpar que, por isso mesmo, passe sem especial interesse sobre as suas múltiplas referências à necessidade de dignificar o que faço, quando durante anos, por omissão ou assinatura explícita, permitiu que me ofendessem do ponto de vista profissional, de modo simbólico ou material.

Tenho 47 anos, ganharei neste ano lectivo menos do que quando entrei para a carreira (e posso esticar a coisa até ao ano da profissionalização, ali por 2000) e trabalho mais horas, ou minutos como agora se mede (de forma tão digna) o meu trabalho.

Há muito que faço mais com menos. Posso documentar, se isso for necessário.

Agradeço, portanto, que se tenha lembrado de mim – tão tarde! – por palavras, que se juntam às do actual MEC – exerço a profissão mai’linda do mundo – e do ministro Gaspar – pertenço ao melhor povo do mundo – mas, se me permite, agradeço apenas formalmente, nas palavras, que não nos pensamentos e em actos.

Assim como, há que dizê-lo com frontalidade e sem receios, o senhor Presidente apenas tem valorizado os professores em palavras, de quando em vez, mas não em actos. Quanto aos pensamentos, a cada um os seus. Os meus, neste exacto momento, não são da melhor estirpe…

Diário de Lisboa, 14 e 18 de Janeiro de 1926

É já a seguir ao Auster. Estou muito contemporâneo.

Ou como eles gostam tanto da segurança que dá a disciplina que, quando dá jeito, criticam.

Fernando Madrinha no Expresso de hoje, assustado com o facto da CGTP e os “sindicatos” não estarem a enquadrar devidamente o protesto popular, ou seja, a fazer o seu papel no sistema:

A CGTP promoveu no sábado aquela que pretendia ser a sua maior manifestação de sempre. Foi grande, sem dúvida, mas comparando com as de 15 de setembro, ficou aquém. os sindicatos estão a perder a rua, não para o centro ou para a direita, mas para o… Facebook. E esta é uma mudança “estrutural” com consequências. Desde logo, leva os partidos da esquerda a radicalizarem as suas posições. Depois, introduz um grau de incerteza e de imprevisibilidade com riscos acrescidos para a estabilidade social e política. Teme-se o pior.

Este tipo de discurso é factualmente correcto mas está eivado de medos, preconceitos e revelações em tão poucas palavras. E também explica a forma muito agradável como muita comunicação social, em tempo real, não fez comparações claras com o que se passara em 15 de Setembro.

Nada como a CGTP para se ter uma contestação domesticada e enquadrada nas regras do sistema.

Cuidado com quem foge ao enquadramento e consegue mobilizar sem rédeas. Ai, ai, ai o demónio das redes sociais… (não percebendo que há muita coisa das redes sociais que falha estrondosamente, sendo que é mais importante perceber as que funcionam e porquê…)

Afinal o discurso dos “partidos da esquerda” nem sequer estava radicalizado pela situação política, é empurrado pelas mobilizações de rua de tipo mais espontâneo.

Meu Deus, como o mundo dos caturras está a mudar e como a incerteza os assusta. Como se pode desmoronar o equilíbrio coreográfico que constitui a previsibilidade do establishment há décadas.

O mundo vai mudando – não sei se de forma “estrutural” porque há idosos mentais que, quando se assustam, começam logo a prever o apocalipse em ceroulas – e eles estão tão assustados, tão assustados.

Tantos anos a acusar a CGTP de ser um bicho-papão e, afinal, ela sempre foi um elemento de certeza e estabilidade

👿

Quando autarquias anti-troikistas recorrem aos dinheiros da troika (via Programa de Apoio à Economia Local) para regularizarem dividas. Na edição do SemMais que hoje vem com o Expresso fica demonstrado que aqui na margem sul há algo que eu já sabia, uma imensa hipocrisia política. Há os que não vão usar, os que estão a pensar nisso e os que já estão no rateio.

Não, as coisas não eram perfeitas. Eram humanas, no seu sentido mais… humano.

The things were the way they were, and you never stopped to question them. There were public schools and Catholic schools in your town, and because you were not Catholic, you attended the public schools, wich were considered to be good schools, at least by the standards that were used to measure such things at the time (…). You have nothing to compare your experience, but in the thirteen years you spent in that system (…) you had some good teachers and some mediocre teachers, a handful of exceptional and inspiring teachers and a handful of lousy and incompetent teachers, and your fellow students ranged from the brilliant to the average to the semi-moronic. Such is the case with all public schools. Everyone who lives in the district can go for free, and because you grew up in a time before the advent of special education, before separate schools hab been established to accommodate children with so-called problems, a number of your classmates werw physically handicapped. No one on a wheelchair, but you can still see the hunchbacked boy with the twisted body, the girl who was missing an arm (a sfingerless stump juntting from her shoulder), the drooling boy who slobbered down the front of his shirt, and the girl who was scarcely taller than a midget. Lookin back on it now, you feel that these people were an essential part of your education, that without their presence in your life your understanding of what it means to be human would have been impoverished, lacking all depth and compassion, all insight into the metaphysics of pain and adversity, for those children were the heroic ones, the ones who hat to work ten times harder than any of the others to find a place for themselves. (Paul Auster, Winter Journal, pp. 192-193)

À medida de homens sem noção da História, da sua importância e do que certos rituais, mesmo caídos em desuso, significam para alguma coesão nacional.

Claro que leram pouco, viveram algures e acham tudo isso irrelevante perante os números dos gráficos a exibir pelos portátéles e aipédes que agora não sabem largar, como jovens com falta de objecto amoroso com pulsação.

A eliminação dos feriados do 5 de Outubro e do 1º de Dezembro constitui um acto de agressão frontal à memória histórica de um povo, terraplanando a evocação da Monarquia, da independência nacional e da República.

É algo que me repugna profundamente. Mas que considero adequado aos que estão. Os engomadinhos dos manuais de economia para tótós. E os ignorantes que passam por ser grandes gurus.

 

Antes de a comitiva chegar ao Pátio da Galé, Cavaco Silva e António Costa içaram a bandeira nacional na sede da Câmara de Lisboa e, apesar de ter ficado segura, ficou também ao contrário. A bandeira de Portugal ficou içada de “pernas para o ar”.

(c) Francisco Goulão

Expresso, 5 de Outubro de 2012