Segunda-feira, 1 de Outubro, 2012


Timbuk 3, The Future’s So Bright

Porque devem os professores aceitar uma solução que pode ser manhosa? É que não dá para confiar em quem já falhou repetiddamente, nem sequer há legislação aplicável…

Professores com horário zero podem ensinar em cursos do IEFP

Vamos fazer assim… os cursos do IEFP passam para o MEC e não se fala mais em protocolos da treta, pode ser?

Professores portugueses com mais stress do que população norte-americana

E o Bush Dabliu, comparado com o que já aguentámos, é um menino de coro.

Acho que sim. São mais do que lógicas. Até porque se sabe que, com em tempos do PS, que só servem para gregos verem.

A nossa grande vantagem é termos partidos revolucionários que funcionam por requerimento.

Não se confundam… não estou a promover a tomada da Bastilha em cuecas armadilhadas. Apenas acho que, em coerência com a ideologia, outros o deveriam fazer.

(eu sei que deveria ter continuado a postar coisas velhas…)

Alia a História ao Português… Clicar para a cópia digital.

Hoje é só alfarrábios…

Clicar na imagem caso tenha interesse.

Isto de andar a espiolhar coisas velhas permite achar as antigas representações de um Portugal que, sendo bem mais atrasado, ainda tentava ter alguma coesão.

A quem interessar, basta clicar na imagem.

O MASSACRE DOS INOCENTES

Começou a busca pelo melhor professor

O Thalassa, nº 2 (13 de Março de 1913)

A par de renovar certos rostos proto-ministeriáveis e passar a ideia que a nova esquerda não é mais do que a velha esquerda plus facebook?

Congresso das esquerdas pode gerar “movimentações” para Belém

10, sempre as 10

Há por aqui mais uns, meios transviados.

No debate de sábado, retomando uma tese que lhe é cara, David Justino lamentou que entre nós, em matéria de Educação e não só, se perca demasiado tempo em busca de quem tem a culpa dos fracassos e menos na busca de soluções para o futuro.

Permiti-me discordar (até porque concordo com algumas outras ideias e conclusões a que chegou em estudos que está a fazer) e hoje desenvolvo um pouco mais a minha posição sobre o assunto, típica de um tipo com menos bom feitio do que a maioria ou assim fazem constar.

Eu acho que, para início de conversa, se deve ter em conta que nos últimos anos a culpa das falhas em matéria de Educação foi atribuída, sem grandes hesitações por parte de políticos da esfera do poder e opinadores destacados, aos professores.

Os culpados foram e são os professores (ganham muito, fazem pouco, promovem práticas democráticas radicais de gestão e trabalho, não gostam de hierarquias) e não se fala mais nisso.

Mas…

Saltando sobre essa forma aparentemente maioritária de ver as coisas, eu acho que é muito importante, antes de começar a alinhavar soluções para o futuro em cima de diagnósticos mais do que feitos sobre o que há, estudar como aqui se chegou, quando, como, porquê foram cometidos os erros mais evidentes e, já agora, quem os cometeu.

Começando pelo quem, queria desde já dizer que o objectivo não é encarcerar ninguém ou mesmo lapidá-lo(a), por muita que seja a tentação. Não, o objectivo básico é avaliar se quem cometeu erros no passado está, no presente, em condições de voltar a cometê-los ou de neles insistir, sem sequer reconhecer no que errou. Se alguém foi parte activa num período marcado por iniciativas marcadamente erradas em aspectos como – isto é um suponhamos – avaliação ou disciplina, deveria ter o recato de reavaliar as suas posições ou poupar-nos à promoção de mais asneiras.

Mas são bem mais importantes o quando, como e porquê. Para melhor podermos evitar asneirar outra vez, a partir do conhecimento do processo que levou a um produto específico com defeito. è essencial saber como tudo aconteceu, quando e que razões conduziram a isso.

Eu entendo a perspectiva do todos unidos é melhor. Mas essa forma de abordar as coisas acaba por nos tornar reféns de certas posições que, por serem quase irredutíveis, fazem balançar qualquer compromisso numa direcção que pode estar profundamente errada.

E para isso é importante sabermos quando se errou, como se errou e porquê. Para além dos chavões e lugares-comuns.

Vejamos o caso mais evidente do (in)sucesso escolar dos alunos.

Acho particularmente perigoso que, aproveitando certas ondas de insatisfação, retornem teses e práticas que no passado foram claramente erradas só porque temos pudor de apontar o dedo com clareza a esses erros e a quem os praticou.

Eu entendo que a boa vontade nos deve levar ao perdão do erro e à reabilitação de quem errou. Mas… então não falemos em cultura de responsabilização ou, mais grave, não consideremos que ela só se aplica a alguns.

Eu sei que arriscar é importante, mesmo correndo o risco de falhar, porque só assim é possível inovar.

Mas, entre nós e infelizmente, o mais habitual é errar no acto de copiar coisas alheias, sem as contextualizar e adaptar. É a forma mais patética e gravosa de erro. A do copianço mal aplicado.

Tomara que o erro resultasse de verdadeiro risco e inovação. No nosso caso, o erro resulta quase sempre da adesão pouco crítica a modas de outros momentos, em outras paragens. Quase sempre quando já se sabe que falharam no todo ou em parte importante.

Serão suficientes 4974 metros de mortos?…, ou

Uma carta ao Senhor historiador Rui Ramos

Não imagina o número de vezes que hesitei até tomar a decisão de lhe escrever. Estou a falar-lhe como cidadão atento, nada mais do que isso, mas, por transparência, é forçoso que me apresente, já que o meu nome nada lhe diria: tenho 66 anos, licenciei-me em História em 1970 na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, fui docente do secundário durante 12 anos e, por mais de 28, até me ter aposentado há cerca de três anos atrás, fui inspector do Ministério da Educação. Estive na guerra colonial – chamar-lhe “guerras de África” poderia fazer-me contemporâneo do Mouzinho de Albuquerque, e não sou tão velho assim –, na fronteira com a Tanzânia, no norte de Moçambique, junto ao Rovuma. Fui durante quase 6 anos, até 1998, deputado do PCP na AR e neste momento ainda integro a direcção do Sindicato dos Inspectores da Educação e do Ensino. Fiz o liceu em Angra do Heroísmo e, com um pai motorista de camião e uma mãe doméstica, o mais velho de cinco irmãos, sem recursos económicos de família, só consegui vir estudar dos Açores para Coimbra por me ter sido concedida uma bolsa (por 5 anos, 12 meses por ano) da então Junta Geral do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo. Atenta a origem socioeconómica, proletária, eu era uma avis rara em 1963 em Coimbra. Sem secundarizar: chumbei no 1.º ano, não aguentei a transição, mais por más do que por boas razões, disse a verdade à Junta Geral, mas esta manteve-me a bolsa, enfatizando as boas razões e minimizando as más; voltei a chumbar por ter aderido à greve estudantil de 1969, mas a Junta fingiu que não percebeu e a bolsa continuou até ao fim do curso. Na altura, cheguei a ser detido, julgado e absolvido por ter tentado furar os pneus de carros da polícia, numa Coimbra transformada em cidade ocupada. Como pode ver, nada de muito particularmente heróico, apenas fiz a minha parte, e não garanti muito mais do que a possibilidade de hoje fazer a barba em frente ao espelho sem sentir vergonha da imagem que nele se reflecte.

Esta minha quase-história-de-vida é essencial para que a seguir nos possamos entender. Porque a história, seja de que período for, não é o que nesse período aconteceu, mas sim o modo como nós o vemos e interpretamos, e ninguém pode fugir a esse condicionamento. Dito de outro modo: o Senhor não é neutro, eu não sou neutro, e a seriedade intelectual nesta matéria não reside em invocarmos uma neutralidade asséptica que outros não possuiriam, mas antes em humildemente reconhecer que “nada do que é humano me é estranho”, pelo que estamos todos condenados a tomar partido, tenhamos ou não disso consciência.

Continuemos, então. Depois do artigo “Políticas da História”, do historiador José Neves [in “Público” de 12 de Setembro], pareceu-me que o seu debate com Manuel Loff tinha encontrado um analista sensato e justamente equilibrado, pelo que pode parecer arrogância da minha parte pretender acrescentar alguma coisa. Mas, mesmo assim, corro o risco. Vejamos então como eu vejo a história que o Senhor tem vindo a construir, reconhecendo, e pedindo-lhe perdão por isso, algum simplismo que as sínteses sempre acarretam: o Senhor não nega que o fascismo e a ditadura existiram em Portugal entre 1926 e 1974, mas, amenizando-os, diz-nos que se tratou de um fascismo que não se assumiu verdadeiramente como um fascismo-fascismo e de uma ditadura que não se assumiu como uma ditadura-ditadura; quanto à guerra colonial de 1961 a 1974, o Senhor afirma que foi uma guerra, claro, mas que não foi uma guerra-guerra, foi apenas uma guerra de baixo impacto e de baixa intensidade. (Mesmo no plano técnico-militar, isto mostra que o Senhor confunde guerra clássica com guerra de guerrilhas: esta é sempre uma guerra prolongada, de desgaste, de longa duração, com baixo impacto aparente no dia-a-dia. O problema é o longo prazo. Uma excepção foi a batalha de Dien-Bien-Phu, em 1954, com a derrota dos franceses às mãos dos vietnamitas de Giap).

Tenho sinceras dificuldades em perceber o que o Senhor pretende significar com este aligeiramento da realidade. Por isso vou lembrar-lhe números que o Senhor conhece melhor do que eu: oficialmente, e só no que se refere aos militares portugueses, foram contabilizados 8300 mortos no decurso dos 13 anos de guerra, e a ADFA contabiliza 15500 deficientes permanentes. (Não estamos a falar dos mortos dos movimentos de libertação, claro, cujo número ainda hoje é impreciso, mas que cálculos conservadores atiram para 3, 4 ou 5 vezes mais). Para que, mesmo assim, estes números não pareçam uma estatística, quero dizer-lhe que, ergonomicamente, alinhados lado a lado, esses 8300 cadáveres ocupariam uma extensão de quase 5 quilómetros, ou, para ser mais rigoroso, ocupariam 4974 metros. Em 1970, Portugal possuía 8,6 milhões de habitantes e efectivos militares com um total de 150.000 homens. Acha pouco, 4974 metros de mortos?…

Ainda há poucos meses, a pretexto da comemoração do 25-de-Abril, fui convidado a falar sobre a guerra colonial a alunos de uma escola EB2.3, isto é, a crianças com 10 a 14 anos. Para estas crianças, a “história” da guerra colonial é tão abstractamente longínqua quanto a da batalha de Aljubarrota. Que diabo poderia eu dizer-lhes que os levasse a compreender o horror desta nossa guerra, sem lhes mentir e sem os magoar? Sabendo eu que na escola trabalham cerca de 1000 pessoas, entre alunos, professores e funcionários, servi-me da escola como unidade de medida e pudemos concluir que na guerra, e apenas entre os militares portugueses, tinham sido mortas mais de 8 “escolas” como a deles, com todos os alunos, todos os professores e todos os funcionários. O Senhor já alguma vez olhou assim para estes números? Já imaginou o que são 8 “escolas” de mortos, num país como então o nosso? Quantas “escolas” de mortos entende o Senhor necessárias para que a guerra colonial possa ser classificada como brutal, isto é, como aquilo que dramaticamente foi? Não é legítimo que o Senhor compare números de “Portugal/guerra colonial” com os de “Estados Unidos/guerra do Vietname”. Estamos a falar de realidades completamente diferentes, na cultura, na sociedade, na economia, e aqui os números podem enganar-nos, e enganam-nos, quanto ao valor dos impactos qualitativos. O 1% de um lado não tem nada a ver com o 1% do outro.

Quanto à ditadura salazarista, e prosseguindo nos números, possuiu 2 campos de concentração, Tarrafal e São Nicolau, e vários presídios, sucessiva ou simultaneamente utilizados, desde Angra do Heroísmo a Peniche, de Caxias ao Limoeiro, para referir apenas os mais conhecidos, e uma polícia política, sucessivamente chamada de PVDE, PIDE e DGS, e ainda os Tribunais Plenários. Claro que não possuímos uma Gestapo, embora a nossa polícia nela tenha recebido formação, nem Auschwitz, nem Dachau, nem as centenas de campos detidos pelos hitlerianos, é uma questão de circunstância e de escala. Mas as coisas não podem ser aferidas apenas pela escala que assumem, mas pela natureza que revelam. Não faz qualquer sentido falar da ditadura nazi e da ditadura salazarista!

Sabe, Senhor historiador Rui Ramos, isto da história tem que se lhe diga! E ora nos troca as voltas, ora nos inunda com súbitas iluminações [como dizem que terá sucedido com Saulo no caminho de Damasco… da mesma Damasco que, imagine, agora não nos sai dos telejornais…]: no meio desta brutal e assassina acumulação não-primitiva de capital de que o nosso país está neste momento a ser vítima, o relatório anual da UNICEF diz-nos que Portugal se situa entre os 10 melhores países do mundo em termos de mortalidade infantil até aos 5 anos de idade. Está aqui o 25-de-Abril, está aqui o SNS, o fim-da-história está ainda muito longe.

Pedindo desculpa pelo tempo que lhe tomei, com consideração,

José Calçada

The mistake 99% of humanity made, as fas as Fats could see, was being ashamed of what they were; lying about it, trying to be somebody else. Honesty was Fats’ currency, his weapon and defense. It frightened people when you were honest; it shocked them. Other people, Fats had discovered, were mired in embarassment and pretense, terrified that their truths might leak out, but Fats was attracted by rawness, by everything that was ugly but honest (…).

(Citação feliz numa peça da Time desta semana sobre o livro The Casual Vacancy de J. K. Rowling)

Salários no público desceram seis vezes mais que no privado

As remunerações dos funcionários públicos caíram 6,7% no segundo trimestre deste ano, enquanto os salários no sector privado desceram apenas 1%, o que quer dizer que a redução salarial no sector público foi mais de seis vezes superior à registada no sector privado.

Página seguinte »