Sábado, 22 de Setembro, 2012


Blondie, The Tide is High

Despe-te de verdades

das grandes primeiro que das pequenas

das tuas antes que de quaisquer outras

abre uma cova e enterra-as

a teu lado

primeiro as que te impuseram eras ainda imbele

e não possuías mácula senão a de um nome estranho

depois as que crescendo penosamente vestiste

a verdade do pão      a verdade das lágrimas

pois não és flor nem luto nem acalanto nem estrela

depois as que ganhaste com o teu sémen

onde a manhã ergue um espelho vazio

e uma criança chora entre nuvens e abismos

depois as que hão-de pôr em cima do teu retrato

quando lhes forneceres a grande recordação

que todos esperam tanto porque a esperam de ti

Nada depois, só tu e o teu silêncio

e veias de coral rasgando-nos os pulsos

Então, meu senhor, poderemos passar

pela planície nua

o teu corpo com nuvens pelos ombros

as minhas mãos cheias de barbas brancas

Aí não haverá demora nem abrigo nem chegada

mas um quadrado de fogo sobre as nossas cabeças

e uma estrada de pedra até ao fim das luzes

e um silêncio de morte à nossa passagem

 

[Mário Cesariny] Discurso ao príncipe de Epaminondas, mancebo de grande futuro

(c) Antero Valério

A desorientação que se apossou dos agentes provocadores alinhados com este governo na blogosfera atingiu um nível de ataque pessoal paralelo ao dos abrantes socratinos, não poupando nada, nem ninguém.

Tudo se agravou nas últimas semanas, quando o escrutínio sobre o discurso produzido pelo MEC começou a, aparentemente, causar estragos e produzir questões incómodas.

Já foi tentada a descredilização, agora passou-se para a intimidação… e olhem que eu ainda sei distinguir as coisas… não sou nenhum Santana Lopes…

É bom que se note que isto parte de quem há semanas antecipa conclusões de um estudo alegadamente em preparação pelo MEC. Até o desempenho escolar da minha filha é pasto para insinuações sobre favores:

Mas muito pior, é falar de co-pagamentos na Educação (á semelhança da Saúde). Sim. Será o fim do mundo, porque os rebentos de alguns (muitos) umbiguistas por “escassez de recursos económicos” (coitadinhos) fruem não só da dita Escola Pública de forma totalmente gratuita (paga por todos os contribuintes), como de tratamento VIP entre os camaradas de docência.
Isto é justo? Claro que SIM, para o Dr. Paulo e seus camaradas.

Tudo isto é abjecto e só pode sair de uma cabeça a caminho da senilidade ou de um crianço em busca de créditos para progressão no encostanço liberal ao Estado.

Ainda mais abjecto do que o comentário seguinte escrito por uma Rita Pereira, que também comentou como Luís Seruca e Pedro Castelo (podiam ter disfarçado nem melhor o rasto…):

Este Paulo Guinote parece a PIDE. Tudo o que sai da tutela ele sabe! Não tarda muito vou começar a falar de guinotadas que ele fazia na escola onde fomos colegas !!!! Se vocês imaginassem… eu vou contando !!!! Ai Paulinho Paulinho !!!! ai os telhados de vidro !!!!!

Deixo aqui apenas um aviso a quem (quiçá…) coordena isto: o que recebo ainda me chega para pagar a sopa de santola. 🙂

Ahhhhhhhhhhh… isto não é vitimização. É apenas a avisar…

… de ver esta foto circular tanto quanto a da moçoila fotogénica na manifestação de há uma semana. Recolhida aqui.

Siglas cómodas para funcionar como péssimas cerejas sobre um mau bolo. Afastar uma, como em tempos simplificar a outra, não resolve o mal do pastelão.

Só tudo anda mais distraído do que parece e declara vitória, quando o árbitro pára o jogo para assistir um jogador lesionado.

O analfabetismo das coisas

Enquanto se insistir em atribuir as culpas à instituição ou ao colectivo, nunca é possível responsabilizar ninguém.

Ora, não estamos a falar de uma centenas de euros em horas extraordinárias mal pagas que podem levar à demissão do director de uma escola, estamos a falar de muitos milhões e é um bocado manhoso afirmar-se que a evolução destes valores é sempre arriscada porque, exactamente, quem aprova estas operações deve ter sempre isso em conta…

Berardo. CGD aceitou 176 milhões de euros em acções do BCP que hoje valem menos de sete milhões

E o argumento em muitos lados agora é… se não fazes há muitos que gostariam de fazer. Assim se opta pela mediocridade com base no excesso brutal de oferta de mão de obra qualificada sem mercado de trabalho.

Educação: Cerca de 16 mil professores que concorreram a 86 vagas em Vila do Conde ainda sem colocação – autarquia

E a barraca está armada. Uma coisa era criticar o modelo das NO, outra não conseguir substitui-lo seja pelo que for. Nota muito negativa para os ministérios da Economia e Educação, meros peões das Finanças.

Formação congelada em centros do IEFP e nas escolas

… entre quem não pactua com truques e sinuosidades argumentativas, de natureza estatística e/ou retórica, e quem não pactua com esses truques e sinuosidades apenas quando é do outro lado.

Traduzindo por miúdos: as habilidezas que se criticavam a Sócrates e aos seus não se podem perdoar a estes, só porque são estes e vieram depois do outro.

Um erro não justifica outro. Isso apenas legitimaria a mistificação ad eternum.

Isto também se aplica – e por maioria de razão – aos truques e baralhações nesta matéria que estão a caracterizar a actual equipa do MEC.

Conselho de Estado: Governo deixa cair TSU em Belém

“Basta”, gritaram os manifestantes durante as oito horas do Conselho de Estado

Não quero de modo algum apoucar a importância das manifestações que começam a assustar tanto os copinhos de leite e quem já está com pesadelos com a hipótese do PSD não governar até à eternidade (que seria curta, pois por este andar em poucos anos voltaríamos ao vácuo), mas há por aqui algo mais do que o olhar vislumbra por agora.

A primeira página do Expresso não foi preparada depois do final do Conselho de Estado…

Desde a entrada de carrinho a sangue frio de Portas que se sabia que a TSU já só servia para distrair…

Resta saber que vingança nos vai ser servida pelos estocásticos.

Expresso, 22 de Setembro de 2012

Ou muito me engano ou só muda a trajectória do voo das moscas.

Há propostas, em especial a primeira, que precisam de ser melhor explicadas… pois a sua aplicação automática geraria imensas injustiças. Para além de que iria provocar uma imensa confusão com a vinculação de docentes que podem não estar em exercício e sem escola atribuída, enquanto outros que poderão ter mais tempo de serviço que, por não terem leccionado em 2011/12, ficariam prejudicados.

Não percebo porque um docente com 12 anos de serviço, mas que não leccionou em 2011/12 deva ser ultrapassado por outro com 3 anos, só porque leccionou nesse ano. Cheira-me a coisa.

Os prazos para tudo isto também não são claros. Os efeitos a 1 de Setembro (com as progressões congeladas) são meramente cosméticos. Mais vale fazer tudo como deve ser, sem atropelos.

Há formas mais simples de resolver isto. Um único concurso de vinculação, respeitando a graduação profissional, abrindo-se vagas com honestidade, a nível da tutela e das escolas, que também foram responsáveis por muitas asneiras no último concurso.

PROPOSTAS DA FENPROF SOBRE VINCULAÇÃO DE PROFESSORES E EDUCADORES

Assim, a proposta apresentada pela FENPROF é a seguinte:
– Vinculação extraordinária, com efeitos a 1 de setembro de 2012, de todos os docentes com 3 ou mais anos de serviço que exerceram atividade docente em 2011/2012.
– Todos os candidatos que reúnam o requisito de tempo de serviço estabelecido serão opositores a um concurso externo extraordinário que servirá para garantir uma colocação em respeito pela sua graduação profissional.
– Este concurso externo extraordinário decorrerá depois de ter sido efetuada a mobilidade de docentes dos quadros.
– Para este efeito, serão preenchidos lugares de escola ou agrupamento, bem como, eventualmente, de áreas geográficas a estabelecer em sede negocial.
– Independentemente do regime que vier a ser fixado, os requisitos que forem estabelecidos deverão abranger os docentes que em 31 de agosto de 2012 reunissem as condições exigidas.
– Após este momento extraordinário de vinculação, os requisitos fixados deverão passar a aplicar-se, dinamicamente.
– Os docentes com habilitação própria que, eventualmente, venham a ser abrangidos, deverão aceder à profissionalização em serviço no prazo máximo de dois anos, cabendo ao MEC criar as condições para que tal aconteça. Até ao momento de obtenção da profissionalização, o vínculo adquirido será provisório.

(c) Francisco Goulão