Pensava que o tempo do recurso aos malabarismos estatísticos estava enterrado.

O argumento demográfico foi martelado. Aqui no blogue apareceu-me alguém a ofender e chamar mentiroso apenas porque eu demonstrei que a tese demográfica não podia explicar uma quebra de 14% dos alunos.

Acho que agora fica claro que o MEC recorreu aos alunos das NO para, de forma algo ardilosa, induzir em erro a opinião pública sobre o número de alunos em permanência nas aulas para as quais foi aberto concurso para docentes.

E esqueceu-se de acrescentar que no mesmo período se aposentaram mais de 10% dos professores dos quadros.

Resta saber se Nuno Crato o fez de forma consciente, se achou por bem acreditar nos números que lhe tenham fornecido. Em qualquer cos casos, deveria existir alguma responsabilização…

Redução de alunos à custa de adultos

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, reconheceu ontem que contabilizou os adultos das Novas Oportunidades (NO) quando, em entrevista à TVI, falou numa redução de “200 mil alunos nos últimos três anos”, argumento utilizado para justificar a redução de professores contratados em cerca de 5 mil.

“Contámos com os adultos. Houve um ‘boom’ nas NO e em seguida as pessoas terminaram a sua formação e saíram do sistema”, disse o ministro na Assembleia da República, admitindo que a quebra da natalidade “não explica tudo”, sendo porém “o pano de fundo”. A quebra nas NO levou a uma redução total de cerca de 120 mil alunos de 2010/11 para 2011/12, segundo números que a tutela forneceu recentemente ao CM, embora os valores do último ano sejam provisórios.