Quarta-feira, 19 de Setembro, 2012


Garrancho.

BRMC, Rise or Fall

É preciso acreditar!
É preciso acreditar
que o sorriso de quem passa
é um bem p’ra se guardar;
que é luar ou sol de graça
que nos vem alumiar,
com amor alumiar.

É preciso acreditar!
É preciso acreditar
que a canção de quem trabalha
é um bem p’ra se guardar;
que não há nada que valha
a vontade de cantar,
a qualquer hora cantar.

É preciso acreditar!
É preciso acreditar
que uma vela ao longe solta
é um bem p’ra se guardar;
que, se um barco parte ou volta,
passará no alto mar
e que é livre o alto mar.

É preciso acreditar!
É preciso acreditar
que esta chuva que nos molha
é um bem p’ra se guardar;
que sempre há terra que colha
um ribeiro a despertar
para um pão por despertar.

[Leonel Neves]

… mas os alunos com NEE mais do que evidentes merecem ser tratados com muito maior respeito e dignidade, a vários níveis. O esforço de alguns excelentes e dedicados profissionais não pode ser atraiçoado pela ignorância dos decisores. A vários níveis.

Sobre o assunto deste post de hoje à tarde, recebi a seguinte contextualização:

 

O jardim de infância da Damaia no concelho da Amadora pertence ao agrupamento de escolas Pedro D’Orey da Cunha.

O Jardim de infância funciona de forma autónoma, ou seja, não está agregado a nenhuma escola básica. O jardim de infância tem 3 salas, ginásio e refeitório onde as refeições são confecionadas diariamente.

Em cada uma das salas existem crianças, no total de 4, com necessidades educativas especiais: duas crianças com paralisia cerebral, com deficiência motora e intelectual, uma com autismo severo e outra com défice intelectual.

Estas crianças estão referenciadas, tem PEI – Programa Educativo Individual e três delas necessitam de um apoio personalizado e de estarem sempre acompanhadas por um adulto: na realização dos trabalhos, na higiene, na alimentação e no transporte.

Frequentam o jardim de infância há DOIS ANOS e foram apoiados por uma educadora de ensino especial e uma auxiliar de acção educativa, para além da educadora do regular e da auxiliar de sala.

Nos últimos dois anos o apoio foi conseguido porque os pais cederam à chantagem do agrupamento e da Câmara Municipal da Amadora, entidade que decide sobre a colocação das auxiliares e aceitaram 23 crianças na sala em vez das 20 previstas na lei.

No inicio deste ano lectivo, segunda-feira, dia 17 de setembro, a equipa do jardim de infância estava completa e apta para desenvolver um excelente trabalho com as nossas crianças.

Na terça-feira, dia 18 de setembro, às 15h00 quando foram buscar os filhos, os pais dos meninos com necessidades especiais foram informados que a auxiliar colocada para o apoio aos seus filhos tinha sido retirada, com efeito imediato ou seja hoje, quarta-feira já só estiveram TRÊS auxiliares.

Esta situação para além de violar a lei e de ser uma situação VERGONHOSA, criando DESCRIMINAÇÃO e EXCLUSÃO, vem criar sérios problemas para todos os meninos que frequentam o jardim de infância.

Ontem falei com a Dr.ª Fátima Teixeira, vice-presidente do Agrupamento de Escolas Pedro D’ Orem da Cunha que me informou que o rácio estava ultrapassado, porque o jardim de infância já tinha uma auxiliar a mais, porque devia de ser UMA AUXILIAR PARA QUARENTA CRIANÇAS e o ji tem 65 crianças e 3 auxiliares e que a C. M. da Amadora ainda não tinha colocado as auxiliares para os meninos com n.e.e.

Estes argumentos são ridículos e ganham contornos de escândalo uma vez que na 2ª  feira todas auxiliares estavam colocadas e quando nos últimos dois anos, a própria direcção do agrupamento colocou sempre as auxiliares necessárias ou seja QUATRO e defendeu, mais que por uma vez esta posição, junto da C. M. da Amadora e dos pais, dizendo que por o jardim de infância não estar agregado a nenhuma escola precisava de 3 auxiliares de sala.

Só a título informativo, deixo aqui o “rácio” de hoje ao almoço: duas auxiliares deram o almoço aos 2 meninos com paralisia cerebral  e a outra auxiliar deu apoio aos restantes meninos, cerca de 60,  neste grupo  estão incluídas crianças com 3, 4 e 5 anos, muitas a frequentar o JI pela primeira vez, a criança com autismo que precisa de acompanhamento por parte de um adulto e a criança com défice intelectual.

No dia 10 de Julho houve uma reunião para a preparação do novo ano letivo. O Afonso iniciou a comunicação aumentativa através do C eye, sistema de acesso com o olhar ao computador em Julho e era necessário estabelecer métodos de trabalho entre todos os intervenientes. Nesta reunião estiveram presentes os terapeutas da Fundação Liga que acompanham o Afonso (António José Alves – terapia ocupacional; Ana Malaca – fisioterapeuta e Cristina Malhoa – terapeuta da fala), a engenheira biomédica Sara Rodrigues e a terapeuta da fala Mariana Monteiro que vão trabalhar com o Afonso em contexto de sala, situação que foi aprovada pela direção do agrupamento; as responsáveis da Câmara Municipal da Amadora Dr.ª Teresa André e Dr.ª Marisa do pelouro da Educação; a Dr.ª Maria João Teotónio da direção do agrupamento, Dr.ª Isabel Falcão coordenadora do JI, Dr.ª Isabel Costa educadora do regular, Dr.ª Teresa Brites responsável do ensino especial e Dr.ª Sónia Rocha educadora de ensino especial. Nesta reunião foram debatidas as reais necessidades do Afonso, não só para este ano letivo mas também para a frequência do ensino básico, que se prevê, seja iniciado no próximo ano letivo 2013-2014, uma vez que o Afonso tem capacidade cognitiva acima da idade, tendo começado a ler aos 4 anos e meio mas apresenta graves dificuldades motoras.

Nesta reunião recebemos a garantia da C. M. da Amadora da manutenção dos apoios e da necessidade de acompanhar o Afonso “de perto”, o que se verificou, durante dois dias!

Junto anexo a este documento a carta entregue em mão, no Agrupamento de escola Pedro D’ Orem da Cunha endereçada ao Prof. Gamboa, presidente do Agrupamento.

Quero agradecer em meu nome e das famílias de todos os meninos a vossa disponibilidade em divulgar esta situação. Podem utilizar todos os nomes, uma vez que tudo o que aqui descrevo é verdade e relata a situação com que nos deparámos ontem.

Melhores cumprimentos,

Aldina Oliveira Mota

1- Os professores perderam importância na sociedade atual? É preciso criar iniciativas que ajudem a promover a importância dos docentes? É preciso dar mais valor à figura do professor?

Há diferentes planos na resposta a essa questão. No plano simbólico, o professore perdeu alguma importância, devido à democratização do ensino, à maior vulgarização da função e a quebra da distância formal que há décadas atrás separava os alunos e as famílias dos professores. No plano concreto, a importância permanece, talvez acrescida de novos papéis, complementares ao da simples docência, que nem sempre são reconhecidos.

Neste contexto, é importante a valorização do professor a partir da sociedade, como forma de recolocar a sua função num plano em que ele volte a ser encarado não apenas como um executor das políticas do ministério, mas como um profissional altamente qualificado, que desempenha múltiplas tarefas de interesse para o bem comum.

2- Em que medida os professores foram importantes na sua vida?

Os professores foram importantes na minha vida como transmissores de conhecimentos, mas também como (bons, maus, medianos) exemplos de formas de estar na vida, em especial na profissional. Tendo feito a minha escolaridade básica e secundária num período agitado, de grande volatilidade do corpo docente, raramente tive o mesmo professor dois anos numa disciplina (ou mesmo na velha Primária), o que acabou por funcionar como uma espécie de caleidoscópio de experiências onde colhi exemplos de todo o tipo que acabaram por servir para balizar a minha própria prática profissional, quando me tornei professor.

3- Recorda algum que tenha sido especialmente marcante?

Tenho algumas memórias muito marcantes. Um par delas pela negativa, pela injustiça das atitudes, uma outra, muito especial, pela admiração suscitada. O que já descrevi aqui.

Não consigo diagnosticar as dificuldades de um aluno e dizer que ele não tem condições para integrar um grupo de apoio ou uma turma antes de o conhecer.

Não chegam papéis, preciso conhecer a pessoa.

Sinto-me antiquado.

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