Domingo, 16 de Setembro, 2012


Van Morrison, Born to Sing, No Plan B

A sondagem continua aqui.

Jardim diz que só não participou nas manifestações por «decoro institucional»

Sociólogos definem manifestação como “batismo de cidadania”

No mesmo mega-inquérito, num tema que até é bastante sensível, 7.8% das mulheres admitem já terem tido relações sexuais contra sua vontade (mas não no sentido de coagidas violentamente) com o seu parceiro estável.

O curioso é que no caso dos homens o valor sobe para 10,2%.

Não confirmei mas, a acreditar no que deu origem ao post anterior, deve ser principalmente na zona do Porto…

Naquele que é apresentado como o maior inquérito de sempre à vida sexual dos portugueses, descobre-se que existe uma ilha de irredutíveis hetero em Portugal. É o Porto onde 100% dos inquiridos se afirma não abichanar nem um avo.

Como se pergunta no artigo (p. 28 da Revista do Expresso): ilha hetero ou um grande armário?

Fazer passar (ao que parece…) Instambul por Lisboa. Só quem nunca passou pela Avenida de Berna pode achar que…

Interrogo-me se esta ânsia não acaba por ter os efeitos contrários aos desejados. Qual a intenção? Foi muita gente, imensa gente… há imensas fotos reais, porquê a mistificação? Ainda para mais preguiçosa, pois desde aos separadores à colina lá ao fundo, passando pelo traçado da via, se percebe ser outro local?

Como não sou amigo não posso ir lá e comentar… e 200 partilhas demonstram quantos andaram ao engano… certamente outros tantos que lá não estiveram e por lá nunca passaram. Ou pior.

Sócrates reúne estado-maior

Sócrates junta fiéis em jantar no dia antes da manifestação.

… continua lúcido. Woody Allen em entrevista no caderno Actual do Expresso:

 

O meu avô e a política

O Nuno Melo bem pode tentar contorcer a argumentação e Paulo Portas desafiar aberturas como se fosse líder da Oposição e não o nº 2 (3? 4??) do Governo.

Mas a verdade é outra. Se as medias propostas pelo PM são más para o país, então a permanência da coligação só se explica pelos interesses particulares do CDS em manter-se na esfera executiva. O que está em causa é que o interesse do partido em vez do interesse do país.

O CDS é especialista em ser Governo e Oposição, mas neste caso a artificialidade é por demais evidente. O argumento do perigo da crise política é um útil bicho-papão.

José Manuel Rodrigues bateu com a porta. Com Ribeiro e Castro e Bagão Félix há um trio com alguma coerência à Direita.

1. Que opinião tem dos cursos profissionalizantes em Portugal, de que fazem parte os cursos profissionais, os cursos tecnológicos (quase moribundas, diga-se), os cursos de aprendizagem (assegurados pelos Centros de Formação Profissional, através do Instituto do Emprego e Formação Profissional), os cursos planeados e programados pelas próprias escolas, os cursos do ensino artístico especializado, e os cursos de educação e formação (acho que referi todas as modalidades)? Acha que funcionam bem em Portugal? São uma boa alternativa ao ensino regular (vulgo cursos científico-humanísticos)?

Em termos globais este tipo de oferta aumentou nos últimos anos em termos de quantidade, mas não tanto da qualidade que percepcionamos na generalidade dos formandos. Em muitos casos são apresentados como alternativas ao trajecto regular, não como tanto como diversificação da oferta, mas mais como formas de encaminhar alunos com dificuldades de aprendizagem ou em risco de insucesso ou abandono escolar. Criou-se o “mito” de que quem não tem sucesso a Matemática, Língua Portuguesa ou História, então é porque deve seguir uma via profissionalizante e se vai interessar por entrar cedo no mercado de trabalho. Sendo verdade em parte, não se pode basear o acesso a estas vias apenas nesse princípio.

Os cursos do IEFP, talvez porque resultam de uma continuidade mais enraizada, parecem funcionar melhor, não se constituindo como “guetos educacionais”, algo em que infelizmente caem certos Cursos Profissionais nas escolas Básicas ou Secundárias, onde são criados para tentar enquadrar alunos problemáticos e, a partir de dada altura, porque isso era valorizado na avaliação dos órgãos de gestão.

Ou seja, estas ofertas acabam por funcionar em função de factores exógenos (combate ao insucesso, vantagem instrumental para a escola) que não a sua qualidade, utilidade e ligação ao mercado de trabalho.

2. O que faz falta no ensino profissional em Portugal? Que medidas, na sua opinião, se poderia implementar para o melhorar?

Falta ser pensado em si mesmo e não em função da sua instrumentalização no combate ao abandono e insucesso escolar, porque isso afasta dessa via quem até poderia ter interesse no Ensino Profissional mas receie ir para turmas problemáticas, em termos de comportamento, e com fraco aproveitamento.

Fala-se agora em “Ensino Vocacional” mas não vejo nas escolas pessoal técnico em quantidade e diversidade para fazer um despiste sério dos alunos com “vocação” para determinadas profissões que poderão ser oferecidas mais com base no interesse de quem decide nas escolas e agrupamentos do que nas “vocações” dos alunos ou necessidades do mercado de trabalho local.

O Ensino Profissional não pode ser promovido apenas porque, devido às suas regras específicas de funcionamento, mantém alunos e professores “presos” a uma carga horária anual.

E deveria ser desenvolvido numa rede de escolas com características específicas e não em qualquer escola básica ou secundária sem pessoal ou meios técnicos adequados. A rede de Escolas Profissionais deveria ser alargada e pensada a nível nacional para esse efeito.

A definição de prioridades no Ensino Profissional (ou Vocacional) não pode fundamentar-se na opinião de algumas pessoas, sem quaisquer estudos fundamentados que localizem carência efectiva de mão de obra.

3. Acha que a oferta de cursos profissionais em Portugal responde às necessidades do mercado de trabalho? Exemplos.

A oferta tem uma ligação muito desigual ao mercado de trabalho, conforme as zonas e o seu “tecido empresarial”. Há zonas onde a oferta pode ser diversificada porque ainda existem actividades económicas com alguma capacidade de absorção de mão de obra, mas em outras as hipóteses de empregabilidade são quase nulas. Fala-se em promover actividades quase abandonadas em muitos pontos do país como a agricultura e as pescas, esquecendo-se que, apesar de dependerem em primeira instância da Natureza, elas não podem existir sem que os formandos tenham acesso a condições de trabalho efectivas. Não se forma um “produtor agrícola” sem terras ou um “pescador” sem frota pesqueira.

Do mesmo modo, deve pensar-se no Ensino profissional ou Vocacional como algo mais do que a possibilidade de fornecer estagiários baratos, durante alguns meses, para empregadores que dificilmente lhes poderão pagar após o fim dos apoios do Estado.

4. Partilha da opinião de alguns especialistas de educação, que consideram que os cursos profissionais são muito procurados pelos alunos por, supostamente, serem menos exigentes? (afinal, muitos alunos querem continuar a estudar e tentam ingressar na faculdade)

Partilho em parte. Acrescento ainda que, mais do que serem procurados pelos alunos, estes Cursos lhes têm sido apresentados como a alternativa mais viável para se manterem no sistema educativo. Não é raro que as escolas e professores andem quase em busca de alunos, a convencê-los a ir para certos cursos, usando diversos pretextos, porque esse é o interesse das escolas, devido à pressão do MEC, mais do que dos próprios alunos.

5. O que acha das novas ofertas de ensino que o governo está a preparar, concretamente as que dizem respeito aos cursos de ensino vocacional, que deverão ser obrigatoriamente frequentados pelos alunos que até ao 6º ano tenham reprovado duas vezes no mesmo ano ou três vezes intercaladas?

Penso que no Governo há poucas ideias claras sobre o que fazer e que se anda a tactear, lançando para a opinião pública pistas em busca das reacções, para depois se definir melhor o que pretendem fazer. Neste momento já temos diversas vias profissionalizantes disponíveis, que se consideraram funcionar mal. Não é mudando o nome ou as condições de acesso, muito menos quase as reduzindo a alunos com insucesso, que as coisas melhoram. Melhoram, mudando as condições de funcionamento e a qualidade dos cursos. Essa qualidade não muda por mero decreto mas com base no equipamento em meios humanos e técnicos das escolas e com exigência na avaliação dos alunos/formando, não na renovação de práticas facilitistas que quase impõem o sucesso dos alunos aos professores/formadores.

A ideia da obrigatoriedade da via “profissional” ou “vocacional” para os alunos com insucesso era um disparate e já foi abandonada depois de uma desastrada investida comunicacional para a sua divulgação.

6. Esta medida, se for implementada, não contribuirá para estigmatizar (e distinguir/identificar descaradamente) do ponto de vista social os alunos pobres dos alunos ricos e, do ponto de vista intelectual, os alunos “burros” dos alunos inteligentes?

Sim, será mais uma de diversas práticas que conduzem a guetos educacionais, neste caso dentro das escolas. Assim como há outras práticas que têm vindo a acentuar mecanismos de desigualdade entre as próprias escolas.

 7. E acha que  poderá descredibilizar o ensino profissionalizante, nomeadamente os cursos profissionais propriamente ditos (os do 10º, 11º e 12º anos)?

Não há estudos independentes e claros sobre a percepção que os potenciais empregadores têm destes cursos, seja dos que já colaboraram activamente com as escolas, quer com os que não o fizeram. Seja dos grandes empregadores nacionais, seja dos pequenos empresários locais. O que se lê e percebe, de modo muito empírico, é que os grandes empregadores preferem controlar directamente a formação, recebendo do Estado verbas para esse efeito. Os pequenos empresários locais, sem meios para dar grande formação, talvez prefiram a oferta de estagiários pelas escolas mas o que conheço de forma mais ou menos directa é a colocação de reservas quanto ao comportamento e atitude profissional dos estagiários/formandos.

Sempre o foi, mais umas vezes, menos outras. A longa ditadura ou a curta prosperidade podem ter atenuado traços que são intrínsecos.

  • Sempre existiu uma parcela importante de activistas ou, em casos de maior pressão, de gente resistente de forma mais activa ou que julga importante vir para a rua protestar e manifestar-se e à sua insatisfação. Há os que sempre assim foram e os que participam de modo mais ocasional. Ontem foi um dos dias em que isso se passou. Sem um enquadramento partidário evidente (mesmo se o Bloco não evitou aparecer de forma estratégica com Catarina Martins em Lisboa e João Semedo com Louçã no Porto) a mobilização foi enorme e isso tem um grande significado, até pelo civismo demonstrado.
  • Sempre existiu também uma maioria expectante, por apatia, desconfiança ou cepticismo, que prefere observar de fora ou mesmo alhear-se do que de mais aparentemente dinâmico se passa. Há os puros apáticos e os que são mais cépticos, onde sempre me situei, não o nego. De qualquer modo, passa pela maioria destes o destino de todos, por serem a massa maior de votantes.
  • Quanto à classe política, em especial a que governa em dado momento, os últimos anos mostraram-nos uma preferência enorme por fazer pequenas provocações, mas desaparecer nos momentos de maior oposição e conflito. O Governo desapareceu ontem por completo, num acto de cobardia bastante óbvio, revelando a sua fraqueza e isolamento. Com o catrapila Relvas fora, todos se recolhem e tentam passar despercebidos. Bem estiveram, contudo, muitos dos restantes mais ou menos notáveis da oposição permanente, em terem primado pela discrição.
  • Algo que também é habitual, mas ontem se acentuou mais por uma coincidência de datas, passa pelo desfasamento entre o que vive a larga maioria da população e as aspirações de uma certa elite intelectual, entre o estrangeirado e o cosmopolitismo. No CCB esteve reunida nos últimos dias a essência da inteligência nacional, com muitos convidados à mistura. Uma espécie de beautiful people mas com QI a rodos. Só que a projectar um país para 2030 que será forçosamente diferente do que se pode agora antecipar, tal como 2012 nunca poderia ser antecipado em 1982 ou mesmo em 1992. A intelectualidade nacional reuniu-se e alheou-se do país real, embora o queira transformar ou influenciar directamente essa transformação. No final, ainda houve quem quisesse estabelecer uma ligação, mas a verdade é que do CCB à Praça de Espanha a distância era bem maior do que a física.

Os portugueses, na sua larga maioria, sentem-se isolados, mesmo quando se juntam para protestar, pois sabem que não são ouvidos ou são ouvidos com um sorriso nos lábios, como se passa com muitos comentadores televisivos que falam sobre as coisas, mas não as entendendo a partir de dentro. Intelectualizam a revolta, não a sentem. E mesmo quando querem participar na encenação de uma indignação, sobra-lhes a artificialidade.

Este país nem sequer está remendado…