Ricardo Costa, também no Expresso:

Além de não ter núcleo político, o Governo tem uma estratégia de comunicação assente em bloggers e jovens académicos. os primeiros só servem para fazer guerrilha. os segundos quase nunca têm os pés assentes na terra. A comunicação de Passos Coelho ao país e a mensagem ‘fofa’ no Facebook saíram dessas cabeças.

Esta é uma enorme verdade… sendo que, conhecendo de perto, mesmo que por muito pouco tempo, alguns dos crominhos, a sensação de descolamento da realidade é imensa. Há meninos da mamã, copinhos de leite desnatado autêntico, que vivem deslumbrados com o cosmopolitismo da educação que o dinheiro da família lhes permitiu, mas que da vida e da História recente só conhecem uns excertos mal recortados e bebidos só nos autores certos.

Um pouco como acontece em outros quadrantes políticos a visão da realidade é completamente distorcida e lacunar. Mas tão maus ou piores do que os copinhos de leite, há os arrivistas com um modelo infra-engenheiro, de origens humildes que procuram encobrir e o fazem de forma tão mais agressiva quanto maior a ambição, capazes de esfaquear o amigo mais chegado por um lugar mais próximo do líder nos jantares sociais.

O problema não é serem (ex) bloggers e jovens académicos. É serem de uma estirpe engraçadinha mas ao mesmo tempo perigosa, porque revanchista. Não querem salvar país nenhum, mas sim provar teorias e vingar traumas passados.

O maior problema é que, devido às suas conhecidas e admitidas falhas de formação específica seja em que área for, Passos Coelho é uma vítima e refém fácil para o brilho que estes crominhos gostam de lançar, contando histórias aventurosas das suas bloguices contra Sócrates e episódios sedutores das suas demandas académicas. E o actual PM, na falta de quem de gente sólida que o ajude, depende destas criaturas que se alimentam para crescer do Estado que dizem gordo.

Acreditem porque, de uma forma ou de outra, eu já os vi, estrelicadinhos, a tentarem colocar-se em bicos de pés, todos aprumados nos seus fatinhos de corte conservador e aipédes reluzentes, procurando que a forma passe por substância. Nos dias mais radicais deixam a penugem assomar-lhes a face e trocam a cor das meias.

Para eles Portugal é um campo de jogos e as pessoas são números que se baralham e voltam a dividir.

Raios, sou obrigado a admitir que, mal por mal, antes os catrogas do que estes verdadeiros pintelhos.