No país, na sociedade, nas escolas.
De gente habitualmente medíocre, com enorme défice de auto-estima, incapaz de enfrentar um olhar, mas que pelas costas faz arranjinhos à custa da maledicência sobre o trabalho alheio.
Custa-me que aconteça, em especial quando atinge gente amiga e inocente.
A sonseria está de volta nas escolas, em força, e afadiga-se em busca de informações sobre a avaliação. Tece tramóias, insinua, porque a cobardia raramente assume a afirmação, e enche o vazio da vidinha com as coisinhas pequenas que só a mentes tacanhas conseguem satisfazer.
Eles estão aí, de volta, e crescem na sombra húmida da tristeza e incerteza dos tempos. Não chegam a chicos espertos, porque esses ainda exibem a prosápia. Estes nem isso conseguem porque são realmente patetas, e passam por bons rapazes, cavalheiros até, pois fazem passar por simpatia e boa educação a ausência de convicções e de coluna vertebral.
Que pena eu tenho que nem toda a gente sinta energia e ânimo para os desmascarar.
Repito, custa-me mais quando atingem terceiros, que preferem não os confrontar, de tão desiludidos com tudo isto.
Mas não perdem por esperar. Sabem o quanto eu adoro ser inoportuno e meter-me no que não sou chamado…
Setembro 12, 2012 at 12:00 pm
Muito bem, Paulo!
Partilho a opinião deste post em absoluto.
Mas muitos sonsos nem escrever sabem, pelo que me parece que a sonsice vai ter vida curta!
Setembro 12, 2012 at 12:05 pm
Paulo,
apesar do seu post ser muito pessoal revejo-me no que escreve. Ainda no outro dia constatava isso mesmo e pensava que isto nunca esteve tão bom para os sonsos! O pior é que não é só na escola. Olhe-se para a política, por exemplo, e para a figura triste de António José Seguro – o sonso mor…
Setembro 12, 2012 at 12:21 pm
Que pena não haver muitos “Guinotes” nas escolas e, particular, na minha. As coisas estariam diferentes.
Setembro 12, 2012 at 12:22 pm
Lá vou eu engrossar a lista dos que não se consideram nem sonsos, nem com falta de auto-estima e, muito menos, medíocre. E é que não me considero mesmo!
Contudo, tenho pensado nisto: que raio se passa com esta gente que estrebucha pouco? o que leva os profs a comer e a calar? o que leva as pessoas a confundirem direitos com privilégios?
O medo. O medo é a cataplana destes imbecis que nos governam. É isso que lhes dá energia.
Setembro 12, 2012 at 12:28 pm
Confesso… isto é algo pessoal, resulta de ver colegas que estimo amesquinhadas por gente sonsa, incapaz de enfrentar uma disputa e sempre a fugir para debaixo de saias protectoras, como se lhes tivessem cortado os tintins, não se sabe quando, quiçá nas brumas do tempo.
Setembro 12, 2012 at 12:29 pm
eu não queria dizer cataplana, queria dizer catapulta…é que estou a fazer o almoço. Looool (é assim que se escreve?)
Setembro 12, 2012 at 12:39 pm
Muito Bem! Não imagina quanto verifico o mesmo à minha volta (escola). O problema não é só haver poucos Guinotes:)
Eu, que ate tenho uma costela muito guinotinana, sinto a bater contra um muro, quando nao acontece pior.
Setembro 12, 2012 at 12:53 pm
Todos nós nos cruzamos com gente que se dá bem com “deus e o diabo” e, inevitavelmente, tiram astutamente partido disso…
não são palermas… convém não menosprezar a sua “espertalhice” … porque o jogo de bastidores que fazem é mesmo de novela…e contam com alcateias protetoras.
mas algumas das suas presas (vá-se lá saber porquê) só indiretamente são atingidas… através de outras vítimas… e tudo vale…
por isso é que eu gosto de “pratos frios”… são sempre saborosos, resistem ao tempo, e não nos fazem distrair do essencial que vão sendo as coisas válidas que vamos fazendo, para tristeza dos sonsos, e do lodo em que se movem, e que sempre os faz correr atrás dos calcanhares…
Setembro 12, 2012 at 1:02 pm
(…) “que preferem não os confrontar, de tão desiludidos com tudo isto.”
Eu, infelizmente, estou a pensar seriamente entrar nesta “fase”. 😦
Ainda agora, o director decidiu não cumprir o DL 137/2012 e, num agrupamento com cento e muitos professores, apenas UM o questionou.
Setembro 12, 2012 at 1:03 pm
“…pois fazem passar por simpatia e boa educação a ausência de convicções e de coluna vertebral.”
____________________________________________________________
Ora aí está uma grande frase. Aos anos que já tinha descoberto esta essencia característica. Infelizmente à ausencia de convicções adicionaria também um universo intelectual limitado. A propósito, só mentes de universo cientificamente limitado, poderão também debitar (inventar) toda uma quantidade de inutilidades pseudo-pedagógicas que têm infestado este nosso sistema de ensino ao longo de décadas. Julgam-se muito inteligentes e avançados mas nunca passaram de burros travestidos em progressistas.
O resultado é a decadencia a que estamos a assistir.
Setembro 12, 2012 at 1:06 pm
Podem fazer o favor de me dizer se nas vossas escolas aos professores que estão com horário zero lhes foi atribuído serviço não lectivo ou se, como hipoteticamente podem ser chamados para outras escolas, foram descartados e estão em casa à espera? (são professores do quadro da escola)
Setembro 12, 2012 at 1:11 pm
#6
Cataplana também me pareceu bem empregue. 🙂
Setembro 12, 2012 at 1:15 pm
Como sempre, muito bem e oportuno, diz exatamente o que vejo na minha escola e também o que me vai na alma!!
Setembro 12, 2012 at 1:18 pm
Grandes verdades.
Setembro 12, 2012 at 1:18 pm
Onde é que assino?
Setembro 12, 2012 at 1:27 pm
Na minha escola estão lá.Neste momento ainda n sei que irão fazer mas disseram q estavam à espera de serviço.Uma já está como bibliotecária.
Setembro 12, 2012 at 1:45 pm
Já paguei e pago facturas elevadas por esta minha costela “guinotiana”. Estou a ser vencida pelo cansaço… Tenho uma incompatibilidade enorme com as sonsices…, sobretudo, dos que estão convencidos de que mandam na escola… E, não é que mandam?! Pois, mandam mesmo, sem qualquer legitimidade para tal, e fazem a vida negra a quem não lhes beija os pés…
Setembro 12, 2012 at 1:59 pm
“Mas não perdem por esperar. Sabem o quanto eu adoro ser inoportuno e meter-me no que não sou chamado…” Abençoada seja por isso.
Setembro 12, 2012 at 2:00 pm
ora bolas… abençoado! Desculpe, Paulo…
Setembro 12, 2012 at 2:07 pm
E que tal se cada vez que um de nós (que ainda se orgulha da semente humana que tem em si) for desabafando as sonsices que vimos. Seria interessante recolher tudo isso e ver se pelo menos alguém tinha a decência de dizer: ” Estão só a constatar factos mas estão a fazê-lo!”
Tenho adoptado esta postura este ano na escola onde me encontro colocada e é vê-los a dar-me valor, elogios e fugirem como ratos para os esgotos onde vivem. Nunca sabem onde vou deixar cair alguma. Adorei fazer uma lista dos erros de português que encontrei em documentos vindos da direcção e de outros centros de decisão. Consegui ouvir o verniz a estalar e a sonsice a aparecer na cara como aquilo que realmente é: gente que vende aulas, mal formada e infelizes…
Setembro 12, 2012 at 2:23 pm
“(..)e passam por bons rapazes, cavalheiros até, pois fazem passar por simpatia e boa educação a ausência de convicções e de coluna vertebral.”
E passam por boas raparigas, damas até, …
“incapaz de enfrentar um olhar, mas que pelas costas faz arranjinhos à custa da maledicência sobre o trabalho alheio.”
A minha escola está à pinha com isto.
E varre todo o espectro geracional.
Também há quem se ponha a jeito, e muito, para alimentar a maledicência, é verdade. Na minha escola há.
Mas custa-me sempre ouvi-la porque, acima de tudo, acho feio, pronto!
Setembro 12, 2012 at 2:24 pm
Nesta primeiras reuniões, a passividade e sobretudo, a vontade de mostrar montes de trabalho de alguns colegas, tem-me deixado chocada. È como se esta gente tivesse cristalizado no tempo e nada do que se tem passado nas escolas lhe dissesse respeito. Não se discutem horários zero, nova legislação, aumento de horário… nada! Nada. Ontem, o coordenador de DTs pediu que iniciassemos o Projeto Curricular de Turma.
Isto é normal? Onde tem andado esta gente?
Setembro 12, 2012 at 2:29 pm
#22,
a tua escola deve ser a minha…
Setembro 12, 2012 at 2:36 pm
# 22
PCT?
Agora, não é PT?
Na minha escola é. 🙂
Setembro 12, 2012 at 3:06 pm
Infelizmente, as escolas estão pejadas de sonsos mal formados, destituídos de inteligencia ao menos mediana, mas capazes de realizar os mais inimagináveis exercícios de contorcionismo.
De entre estes, contam-se muitíssimos diretores, que chegaram onde chegaram não por mérito, mas por excesso de treino desse tipo de contorcionismo.
Esses idiotas úteis são os grandes responsáveis pelo estado deplorável da educação dos nossos alunos, a todos os títulos.
É velho mas sábio o adágio “quem não tem não pode dar” ou, adaptando, “quem não sabe não pode ensinar”, onde se incluem princípios básicos de ética e de moral.
Se fizer falta para pisar um calito a um sonso, por favor disponha. É sempre um prazer desmontar desmontar bonecos desse tipo.
Setembro 12, 2012 at 3:09 pm
#23
E a minha. O pior é que se olha de lado para quem ainda pretende esclarecer.
Setembro 12, 2012 at 3:17 pm
Bem… Há tantos e de tantos subtipos… O sonso coitadinho… o sonso travestido de autoritário… o sonso amiguinho… o sonso pobrezinho… o sonso sorridente… O sonso ambicioso… E vão minando…
Setembro 12, 2012 at 3:22 pm
#22,
Não discutem nada porque se sentem ao abrigo de tudo, com a sua capa invisível de sonsice.
Não leram um livro, um artigo que fosse, de qualquer coisa nova sobre o que fazem, achando que o fazem bem desde que se instalaram. Até fazem bem algumas coisas, mas estacionaram ali, aprenderam a dar uns toques nos computadores e acham-se “munta bons”. Estão sempre em comissões e grupos de trabalho. Sentaram-se e anquilosaram-se em tudo menos na perpetuação dos seus pequenos privilégios.
Não lhes desejo mal, apenas que tenham coragem de ser qualquer coisa que não com a consistência da plasticina.
Setembro 12, 2012 at 3:25 pm
#22, #23
e a minha também.
Setembro 12, 2012 at 3:56 pm
O confronto de ideias e as discussões construtivas deveriam ser encaradas como naturais entre pares. O problema é que “os sonsos” são quase sempre apaniguados das direcções ou têm aspirações a sê-lo, e os outros, ou por receio de “represálias” ou porque já estão naquela fase mais “zen” do tipo “deixar andar”, consideram quase sempre que não vale a pena entrar em “guerra”.
Como na maior parte dos casos os “não-sonsos” se vão calando, o que acontece é que as escolas ficam “perigosamente” à mercê e tendem cada vez mais a ser dominadas por certos personagens cujo único objectivo é subir na hierarquia e assumir perante os restantes uma postura de sobranceria balofa, assim uma espécie de luminária.
Cuidado que “eles andem” aí!!! E quem não agir no momento próprio e certo, perde a legitimidade para criticar depois. Andar (apenas) em “cochichos” inconsequentes pelos corredores também não é uma estratégia eficaz.
A cada um compete assumir e defender as suas posições com clareza e determinação e saber arcar com as consequências. Se muitos o fizessem os “sonsos” desapareceriam das escolas ou, pelo menos, veriam substancialmente reduzido o seu espaço de manobra…
E já agora não nos esqueçamos que para as direcções “os sonsos” funcionam assim como uma espécie de “zona de conforto”. Mas também não nos esqueçamos que a(s) saída(s) da “zona de conforto” são fundamentais para se poderem operar mudanças/evoluções, maturação e crescimento…Resta saber se isso efectivamente interessa a alguém…
Setembro 12, 2012 at 4:25 pm
Na minha última reunião de grupo, informei todos os colegas de que, face ao aumento da carga horária e do número de alunos por turma, o tempo que me foi atribuído para trabalho individual não chega. Eu não consigo, em 10 horas semanais, preparar as aulas de três níveis e três disciplinas: LP do 9º; Literatura do 11º. e Português do 12º. e ainda procurar materiais de trabalho, fazer e corrigir fichas, testes, tpc e outros instrumentos de avaliação. Pretendo, portanto, que o assunto seja levado a Pedagógico e que o mesmo ou quem de direito me diga como proceder em relação às tarefas não realizadas.
Setembro 12, 2012 at 5:36 pm
Não perdem por esperar. Há mais marés que marinheiros.
Setembro 12, 2012 at 9:05 pm
Espanta tanta preocupação com o que fazem os professores sem trabalho docente atribuído. Alguém troca de posição com eles e lhes oferece o trabalho e o lugar? VERGONHA!
Setembro 12, 2012 at 9:07 pm
Esqueceste-te de mencionar aquela estirpe especial que ainda por cima tenta culpabilizar os outros da sua incompetência…
Setembro 12, 2012 at 9:16 pm
Eu, hoje, presenciei tudo isto…
Post brilhante para descrever uma triste e amarga realidade.
Setembro 12, 2012 at 10:00 pm
O texto arrepiou-me de tão bem descritos que estão, comportamentos que, até há 3 anos atrás, desconhecia que existissem. Parabéns, só falta descrever o sentimento de todos aqueles que são vitimas desses “invertebrados”. Ainda não sei como reagir aos ataques furtivos dessa gente, resta-me a dignidade.
Setembro 12, 2012 at 10:58 pm
#33
Entendeu mal a minha preocupação que só o é por contágio com a preocupação que vi nos colegas que estão nessa situação.
Setembro 12, 2012 at 11:02 pm
#33
Preocupação, tristeza, mágoa … o que quiser e que resulta do facto de se chegar à escola e não constar da lista dos professores da mesma.
Setembro 12, 2012 at 11:09 pm
#33
Tem a certeza que era este o local?
Setembro 12, 2012 at 11:31 pm
#31
Aplaudo!
Essa é, na minha opinião, uma vias mais urgentes para a defesa contra a sucessão de ataques à dignidade da profissão docente.
É urgente definir com rigor a componente de trabalho individual, de modo a poder salvaguardá-la. Importa saber o tempo estimado como necessário à preparação de uma aula, à realização de um teste, a correção de um teste, exame ou tpc.
Devemos levar os CP, as Associações de Professores e mesmo o MEC a pronunciarem-se sobre o assunto e a comprometerem-se com números claros.
Sem números para estas atividades não haverá limites ao acréscimo de trabalho dos professores.
Tenho colocado vários comentários sobre o assunto e já somos 5 (CINCO 🙂 ) a defender esta ideia.
Setembro 13, 2012 at 12:26 am
Componente de trabalho individual ?No ano anterior eu tinha oito turmas ,sete níveis ,várias turmas de profissionais com reuniões à noite ,um PCA…..e um horário queijo gruyère .Não sei como consegui aguentar .No fim do ano estive uma semana em casa ,a exaustão era tão grande !
O que me enoja é ver as colegas DT sempre a pedir papéis ,por vezes já repetidos do ano anterior ,planificações ( !!!!! ), relatórios de testes diagnósticos e mais ,mais …..Enfim parecem que não percebem que o mais importante é termos tempo para preparar as nossas aulas .
Setembro 13, 2012 at 12:35 am
#33
È com muita tristeza, descontentamento e indignação que vejo a reação das pessoas que pensam ter o seu lugar garantido- efetivissimos de quadro de escola- em relação aos colegas com 20-25 anos de serviço, colegas há decadas….últimos do grupo que passaram pela situação de indicação para DACL e depois foram repescados.
Pessoas que procuram mais algumas horas talvez junto das direções, para saberem o que vão fazer.
Não confundamos “lambe botas”, pessoas que só têm os niveis que querem e as melhores turmas Há decadas…. , com os desgraçados que “pedem” para que lhes dêem trabalho.- horas!!
É muito triste ver a falta de formação, sentimentos, humanismo, e compreensão que muitos SRs professores demonstram neste ano difícil das escolas e de centenas de colegas que estão numa situação muito complicada.
Hoje falei com uma dessas pessoas que está na escola “horário zero”, vai à reunião de entrega de horarios e não tem horário com o nome dele!!! Vêem-se as lágrimas, …. a incerteza… do amanhã!!
Apesar de este ano não estarmos nesta situação, para o próximo ano podemos ser nós.
Respeitemos os colegas como gostaríamos que nos respeitassem.
Setembro 13, 2012 at 1:07 am
… mas alguns professores são mais professores do que outros – espalham os sonsos pelos cantos, sibilinos.
Setembro 13, 2012 at 1:09 am
ve la se o nodi nao te ataca de proa…:)
Setembro 13, 2012 at 11:07 am
e o ano letivo ainda não começou verdadeiramente…
temo que, este ano, o ambiente se torne explosivo…
e, nesse caso, já se sabe na mãos de quem vai estourar a bomba…
de certeza que não será nas mãos dos que circulam pelos corredores com papelinhos e de quem se fecha nos gabinetes…