Terça-feira, 11 de Setembro, 2012


Arcade Fire, No Cars Go

Regula o ensino de alunos com currículo específico individual (CEI) em processo de transição para a vida pós-escolar

Agora, com o mês de Setembro lançado e tudo preparado é que?

Vítor Gaspar sinalizou esta noite que do Orçamento para o próximo ano não constará medidas de austeridade além das anunciadas nos últimos dias. “Eu esperaria que o Orçamento para 2013 não traga quaisquer surpresas”, assegurou o governante, reforçando que “as medidas que foram anunciadas hoje são suficientes para conseguir os efeitos esperados” e foram criadas para responder “a ventos contrários de grande relevância” relacionados “com as características do próprio processo de ajustamento, mas também com a crise global”.

Que troca-tintas…

Nogueira Leite apagou página no Facebook, mas acabou por repô-la

“Se em 2013 me obrigarem a trabalhar mais de 7 meses só para o Estado, palavra de honra que me piro”. António Nogueira Leite reagiu assim, no Facebook, às novas medidas de austeridade. O desabafo chegou à comunicação social e o vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) apagou a sua página naquela rede social.

A página, porém, esteve inacessível apenas durante algumas horas, acabando por ser reposta.

  • Atenta Inquietude

A REALIDADE SÓ ATRAPALHA

  • Aventar

Quando a realidade contraria os desejos de Nuno Crato

  • O Estado da Educação

Politicamente ordinário

  • Persuacção

Na república da aldrabice

  • Professores Lusos

O regresso da expressão “candidatos a professores”…

  • Tabefes e Orelhadas

Crato no País das Maravilhas

Excerto da recolha do Livresco

Mas como é que alguém se presta a tão triste cena?

E então o friso de notáveis?

Rien

No dia 14 de julho de 1789, Luís XVI, rei de França, escreveu no seu diário: Rien. Neste dia uma multidão tinha tomado a Bastilha e despoletado a Revolução Francesa. Duzentos anos depois, os valores da Liberdade, Igualdade e Fraternidade são colocados em causa por uma grave crise económica e social. O mundo à nossa volta desmorona-se e assistimos a um retrocesso democrático. Por todo o lado, estende-se a precariedade, o desemprego e a incerteza. Os sociólogos falam da Geração Zero: zero oportunidades, futuro zero. Os jovens debatem-se com esperanças frustradas e com projetos falhados.

A Escola sofre o impacto negativo deste colapso social e tem de enfrentar problemas como a falta de interesse e a falta de respeito e os professores são convidados a resolver individualmente problemas globais. Trata-se de uma hiper- responsabilização dos docentes que identifica tudo o que é Educação com Escola, sobrecarregando a instituição escolar e avolumando problemas que originam demasiada fricção e tornam a situação inflamável.

Para o Ministério da Educação o que conta é a Escola abstrata, cuja principal preocupação são as estatísticas e os resultados. Mas na Escola real o que interessa é o conhecimento, o bem-estar geral, o compromisso e a participação. A Escola real luta por valores e não pode ser reconfigurada à semelhança do mercado. A Escola real é feita de pessoas e exige diálogo em vez de monólogo.

Une bonne rentrée.

José Augusto Lopes Ribeiro

Escola Secundária Sá de Miranda – Braga

É como se me tivesse suicidado um filho.

Desculpem, mas era impossível não sorrir com isto… claro que quem tirou um curso de professor, em outra actividade, em média ganhará menos…

OCDE: Professores ganham até 19% mais que colegas de curso

O que é importante ler com atenção, até porque me parece que estes valores são os recolhidos em 2009,quando o engenheiro decidiu aquele aumento pré-eleitoral…

Relatório da OCDE indica que salários dos professores subiram em Portugal 25% desde 2000, acima da média de 21% observada nos países da organização. E que os docentes chegam a ganhar mais 19% do que licenciados a trabalhar noutras áreas. Medidas de austeridade terão entretanto alterado este quadro.

… até por não ser verdade…

E porque aquela coisa dos exames serem uma singularidade nossa não tem grande fundamento.

Ministério da Educação defende reforço dos exames

Palavras para quê?

Salários abaixo da média… aquela história de termos uma grande disparidade salarial é treta (e ninguém está no legislado 10º escalão que é contabilizado para estes dados) e temos mais horas de trabalho do que a média e em crescendo nos últimos anos…

Há muito que fazemos mais com menos, caro Nuno Crato. Estamos fartos… Contribuímos muito, antes de muita gente.

OCDE defende que mais alunos por turma “piora” educação

Portugal aumentou o tempo de estudo, mas foi também o estado-membro europeu da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OCDE) onde o número de alunos por turma mais subiu, disse hoje um responsável da organização, em Bruxelas.

“Portugal investiu muito em dar mais tempo de estudo aos alunos”, disse o director adjunto para a Educação da OCDE, Andreas Schleicher. “Mas o aumento do número de alunos por turma piora o nível da educação e Portugal foi o que mais cresceu”, salientou, no entanto.

Por outro lado, a organização volta a indicar que, em 2010, os professores portugueses auferiam salários superiores a outros trabalhadores licenciados, mas alerta que esta situação “deverá alterar-se em 2012 devido às medidas de austeridade, incluindo cortes salariais no sector público”.

Os soluços graves
Dos violinos suaves
Do outono
Ferem a minh’alma
Num langor de calma
E sono.

[Paul Verlaine] trad. de Alphonsus de Guimaraens

O que é fácil verificar com estes dados é que a dimensão média das turmas com que os professores portugueses trabalham está dentro da média geral (se excluirmos o Chile, a China e outros países orientais) e que o chavão do ratio alunos/professor não tem sustentação na realidade da sala de aula.

A seguir aos quadros uma explicação teórica sobre o assunto no Education at a Glance 2012 (pp. 440-441 da obra).

Class size and student-teacher ratios are much-discussed aspects of education and, along with students’ total instruction time (see Indicator D1), teachers’ average working time (see Indicator D4), and the division of teachers’ time between teaching and other duties, are among the determinants of the size of countries’ teaching force. Together with teachers’ salaries (see Indicator D3) and the age distribution of teachers (see Indicator D5), class size and student‑teacher ratios also have a considerable impact on the level of current expenditure on education (see Indicators B6 and B7).
Smaller classes are often perceived as allowing teachers to focus more on the needs of individual students and reducing the amount of class time needed to deal with disruptions. Yet, while there is some evidence that smaller classes may benefit specific groups of students, such as those from disadvantaged backgrounds (Krueger, 2002), overall the evidence of the effects of differences in class size on student performance is weak. There is more evidence to support a positive relationship between smaller class size and aspects of teachers’ working conditions and outcomes (e.g. allowing for greater flexibility for innovation in the classroom, improved teacher morale and job satisfaction) (Hattie, 2009; OECD, 2009).

É mesmo isso que se está a passar agora, entre nós… muito moral, muita satisfação…

Even though the size of the 15-19 year-old cohort across all OECD countries has been stable in recent years and is likely to remain so in the near future, there are stark differences between countries. While some countries like Turkey (37%), Luxembourg (20%) and Denmark and Iceland (15%) experienced large increases in thiscohort between 2005 and 2010, Eastern European countries show decreases in this cohort ranging from 7% in the Czech Republic to 22% in Estonia (Table C1.6 and Chart C1.3).
Looking at the demographic evolution in different countries, this scenario is likely to intensify in the coming years. Since enrolment rates for 15-19 year-olds are still increasing in most countries, the projection using demographic evolution gives a lower bound to the expected number of students. If present enrolment rates remain constant, Estonia will have 39% fewer students in this cohort in 2015 compared to 2005, and 35% fewer in 2020. This is likely due to Estonia’s negative immigration balance and a drastic decline in its birth rate in the 1990s. The Czech Republic, Greece, Poland, the Slovak Republic and Slovenia are expected to see cohort decreases of more than 20% (Table C1.6 and Chart C1.3). China will see a decrease of 10% in the size of this cohort by 2015. On the other hand, countries such as Denmark and Norway are likely to see this cohort increase by around 10% or more in 2015 compared to a decade earlier. This is also the case in Israel, Luxembourg, Mexico, Portugal and Turkey.

P. 323 (326 do pdf, aqui).

Os mais pobres e filhos de famílias pouco escolarizadas até estudam e Portugal até é dos países em que têm mais hipóteses de uma educação universitária.

Lá se vai a teoria da selecção discriminadora por água abaixo. O que é pena é que se formem para emigrar, que isto por cá anda medonho…

As shown in the introductory chart (Chart A6.1), the chance that a young person whose parents have not attained an upper secondary education will attend higher education is limited. The odds – calculated as the proportion of students in higher education whose parents have low levels of education, compared to the proportion of parents with low levels of education in the total parent population – are substantially below one (e.g. even odds) in all countries.
The chance that these young people will enrol in higher education exceeds 50% in only nine countries: Denmark, Iceland, Ireland, the Netherlands, Portugal, Spain, Sweden, Turkey and the United Kingdom. In Canada, New Zealand and the United States, the likelihood that a 20-34 year-old whose parents have low levels of education will enrol in higher education is less than 30% (Table A6.1).

Fonte: Education at a Glance 2012

… e alguns papalvos a engoli-la, aparecem estes gajos e… que chato, poças!!!

Previsões da OCDE contrariam Nuno Crato

A percentagem de alunos entre os 15 e os 19 anos vai aumentar 10% ou mais por comparação com a última década. A previsão é da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e contraria as projecções apresentadas pelo ministro Nuno Crato nos últimos dias.

Troika dá mais um ano para Portugal atingir as metas do défice

António Nogueira Leite: se me obrigarem a pagar mais impostos, “palavra de honra que me piro”

Resta saber o conceito de palavra de honra.

Se for do género, palavra de honra que não aceito um cargo à conta do Estado, estamos conversados.

Se for a sério, que vá já pedir uma carta de recomendação ao Borges e bute nisso, pá!

Recolha de textos do primeiro, assumido e desassombrado crítico do eduquês.

Apenas duas reservas…

  • A admissão de ter dado um enorme benefício da dúvida a Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, o que se reflecte na rarefacção de textos entre 2006 e 2010.
  • A manutenção, explicada pela amizade e pelas afinidades de um trajecto comum anterior, de um estado de graça atribuído a Nuno Crato, quando já e bem visível que é maior a continuidade (modelo de gestão único, concentração escolar, deriva economicista da gestão dos recursos humanos) do que a divergência (mais exames, adaptações curriculares).

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