Sábado, 8 de Setembro, 2012


Na entrevista que deu ao Sol, o MEC foi questionado e respondeu assim:

O meu primeiro problema com esta declaração é o seu carácter vago. A que “últimos anos” se refere? E refere-se a todos os alunos? Só aos alunos da rede pública? A todos os níveis de escolaridade?

Porque é da necessidade de professores na rede pública que se está a falar.

O valor de c. 200.000 correspondendo a 14% remete-nos para um valor inicial de 1.428.571 alunos ou algo próximo (é só aplicar uma regra de três simples…) mas não sabemos onde ir procurar o início da série…

O que nos complica a vida…

Na Pordata (o recurso agora mais usado em tudo o que mexe…) podemos encontrar números para o Ensino Básico e Secundário (público), em séries longas, assim para a Educação Pré-Escolar a partir de certo ponto.

O que encontramos? Vale a pena notar que o valor total inclui os Ensino Médio e Superior, pelo que é necessário somar as parcelas que nos interessam…

Os valores totais de alunos matriculados na rede pública para 2000, 2005 e 2010 são de 1.588.177, 1.477.233 e 1.581.049, respectivamente… O que significa uma diminuição inferior a 0,5% desde 2000 e mesmo um aumento desde 2005…

Com sinceridade, acredito que seja possível isolar um segmento com uma diminuição de 14% de alunos, mas agora não estou para ir em busca de agulhas…

Já em relação aos professores, com base na publicação Perfil do Docente 2010/11 temos os seguintes números (sendo lamentável que não exista série longa para o vínculo contratual sem ser em gráfico…):

Se fizerem a gentileza de confirmar as minhas contas… para o ensino público, em 200/01 tínhamos 153.836 docentes em exercício, em 2005/06 tínhamos 148.830 e em 2010/11 tínhamos 140.688.

O que significa uma redução de 8,5% em 10 anos, mais acelerada desde meio da década…

Ou seja, temos uma redução efectiva de docentes perante um número relativamente estável de alunos. Isto se consideramos por “últimos anos” a última década com dados consolidados (é o próprio Nuno Crato a, mais adiante na entrevista, confessar faltarem-lhe dados actualizados sobre o número de alunos que terá transitado do privado para o público o último ano).

Não vou dizer que Nuno Crato não tenha usado dados que lhe fundamentassem a afirmação que fez. O problema é que os dados de que eu disponho (e que são recolhidos nas fontes oficiais) não confirmam o que ele afirmou, apenas com base na frase generalista e atirada para a mesa que ele produziu.

Sei que gente mais certificada do que eu também já exibiu quadros e tal sobre isto. Resta saber a ficha técnica… se misturaram coisas que não deveriam, se eliminaram variáveis, se shitaram a coisa, mesmo que não voluntariamente.

Já sei que o argumento demográfico é muito habitual nestas discussões, assim como o lançamento de números tem muito sucesso em entrevistas, quando não se têm as fontes à mão.

No meu caso, que tenho coisa de meia hora para estas pesquisas feitas na primeira pessoa e não por interpostos assessores, limito-me a um esboço de fact-checking. E confesso que o fiz mesmo na meia hora referida, pelo que acredito que me tenha falhado qualquer coisa que ao gabinete do ministro chamou a atenção para a preparação da entrevista.

 Anexo: PORDATA_Pornveldeensino-Pblico-1

Colega,
Agradecia que divulgasse esta lista definitiva no seu blog.
O Decreto 132 voltou a não ser cumprido.
A escola chamou todas as pessoas da lista graduada para a avaliação curricular e, na sequência desta, colocou em primeiro lugar o colega que lá estava o ano passado e que na lista graduada da escola estava em nº 118! A escola apenas deveria ter convocado para avaliação curricular as 5 primeiras pessoas.
No que diz respeito aos subcritérios a realidade é esta:
35% – Continuidade pedagógica
10% – Experiência em escolas TEIP
5% – Experiência com alunos estrangeiros

Não é preciso acrescentar mais nada, pois não?

Muito obrigada.

Anexos: Listas-Cardoso Lopes, Lista definitiva-Cardoso lopes.

Professores acusam escolas e o ministério de falta de transparência e de não cumprirem a lei.

Há de tudo. Prós e contras. Recolha do Livresco.

  • 4R- Quarta República:

Há professores a mais?

  • Atenta Inquietude:

O EQUÍVOCO DOS PROFESSORES A MAIS. Os alunos terão emigrado

  • Contar até Dez:

Educação: um ministro Monthy Python

  • Correntes:

estes são do purgatório

  • Netodays:

A representação de Nuno Crato

  • Na Sala de Aula:

O essencial da entrevista de Nuno Crato

  • O Cantinho da Educação:

Detesto ministros que tentam influenciar a opinião pública com um chorrilho de mentiras

  • Palavrossavrvs Rex:

CRATO BRILHA EM CIMA DO SEU BULLDOZER

Um longo dossier sobre a entrevista de Nuno Crato, desde um passeio blogosférico, a partir da recolha do Livresco, até à demonstração dos seus erros quantitativos.

Agora… desculpem lá mas vai entrar em preparação um aromático e saboroso arroz de tamboril e gambas.

 

E é tão clara, tão clara, que me interrogo se é pura estupidez ou arrogante desfaçatez desmentir-se no mesmo parágrafo.

O subsídio reposto é distribuído por 12 meses para acudir mais rapidamente aos orçamentos familiares mas, no fundo, o rendimento mensal fica exactamente na mesma:

Basta fazer as contas, sem especial rigor… a reposição de um subsídio em 12 meses (lembremos que é sem subsídios de refeição) significa um acréscimo de pouco mais de 8% do salário. Os 7% a mais de contribuição para a Segurança Social, ao incidirem sobre o novo valor do salário, transformam-se em cerca de mais 7,6% do que este ano… Vejam lá o diferencial… isto sem contar com o resto.

O que Passos Coelho afirma sobre acudir mais rapidamente às necessidade de gestão do orçamento familiar é uma enorme mentira (ainda maior se um dos elementos do casal for trabalhador no sector privado), só explicável (atendendo ao que o próprio disse logo a seguir) por uma de duas explicações: estupidez ou desfaçatez.

 

A comunicação que Passos Coelho leu. Percebo que ande com falta de vista (eu próprio sou míope e sei o que custa ler a dois palmos de distância), mas sinto-me com liberdade para fazer os meus testes com o tipo e tamanho de letra que bem entender.

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