Sábado, 8 de Setembro, 2012


Jamiroquai, Virtual Insanity

Embora sejam declarações antes do coito forçado a que fomos submetidos ontem, ali por volta das 19.30…

Cavaco elogia “determinação” do Governo e “consenso político”

Privados podem afinal perder até dois salários líquidos, Função Pública perde até três

Aqui. Número de admitidos e médias de entrada. Link deixado num comentário.

Ontem coloquei nas Páginas FB de Anibal Cavaco Silva e da  Presidência da República o seguinte:

Exmo Senhor Presidente,

Tomo a liberdade de me dirigir a Vª Exª através do Facebook, a fim de protestar contra as medidas hoje anunciadas pelo Primeiro-Ministro Passos Coelho. Vª Exª afirmou hoje mesmo que a”experiência de 15 meses” de programa de ajustamento mostra que “é uma boa altura para se fazer uma revisão dos compromissos assumidos”.

E mais sublinhou Vª Exª, sobre mais sacrifícios para os portugueses, que é necessária “equidade nas decisões” e que “só se podem considerar para acréscimos de sacrifícios os que ainda não foram afetados” pelos cortes já realizados.

Hoje assisti, pelas 19.20, à continuação do esbulho do meu trabalho, sem que o Primeiro-Ministro tenha sequer explicado porque é que a receita que nos é imposta, não produz resultados.

A fadiga tributária, como referiu o Professor Doutor Adriano Moreira, já mora nas carteiras vazias dos portugueses, dos sectores públicos e privados, nomeadamente trabalhadores por conta de outrem.

Referiu o Primeiro-Ministro que as medidas anunciadas iriam ajudar as empresas: não sendo economista, não acredito. Com menos dinheiro a procura interna irá diminuir, as empresas não venderão, as exportações não serão o maná que irá levantar o País. Sem procura interna as empresas não vendem, não vendendo despedem trabalhadores e não compram a fornecedores. Por outro lado, estes fornecedores, não vendendo, despedirão pessoal,não comprarão a outros fornecedores e serviços, transformando-se a economia nacional num pântano, numa perigosa espiral de pobreza contínua, da qual será difícil sair.

Como refere o economista Nicolau Santos, do jornal Expresso, “o atual colapso da economia portuguesa não é apenas resultado de erros acumulados no passado. Resulta tambem da orientação económica que tem vindo a ser seguida. As medidas ontem anunciadas insistem no mesmo caminho. É pouco inteligente pensar que os resultados serão diferentes”.

Por outro lado, o economista Paulo Trigo Pereira, em o jornal Público, afirma que as medidas anunciadas “não resolvem o problema do Tribunal Constitucional”, sendo inconstitucionais, mantendo “um tratamento diferente entre os trabalhadores do privado e os funcionários públicos e pensionistas.”

Por outro lado, o Professor Doutor Jorge Miranda sublinhou que o PM anunciou “que iria haver impostos sobre o capital e riqueza, mas não concretizou, enquanto relativamente aos rendimentos do trabalho, concretizou. É de recear que continue a haver falta de equidade”.

Como Presidente da República e Primeiro magistrado da Nação, espero de Vª Exª actuação conforme as palavras que, sabiamente, produziu.

A Democracia não é só votar. É colocar os nossos problemas aos órgãos de soberania e esperar que tenham acção consentânea com os pensamentos que exprimem.

Perante estas medidas inconstitucionais espero de Vª Exª o veto sobre as mesmas.

O País, como Vª Exª já se apercebeu, não aguenta mais. Se Vª Exª não actuar qualquer dia não restará País.

Agradecendo a atenção para o exposto, apresento os meus cumprimentos

Assinado: Fernando José Rodrigues, Professor, Leiria.

 

O primeiro-ministro anunciou que os trabalhadores do sector privado vão passar a descontar 18% para a Segurança Social em 2013, em vez dos actuais 11%. Na prática, cada trabalhador vai perder o equivalente a mais de um salário líquido no fim do ano.

Para fazer as suas contas, a Renascença desenvolveu um simulador. Pode descarregar AQUI a calculadora. Qualquer dúvida, pode enviar um “e-mail” para online@rr.pt.

Na entrevista que deu ao Sol, o MEC foi questionado e respondeu assim:

O meu primeiro problema com esta declaração é o seu carácter vago. A que “últimos anos” se refere? E refere-se a todos os alunos? Só aos alunos da rede pública? A todos os níveis de escolaridade?

Porque é da necessidade de professores na rede pública que se está a falar.

O valor de c. 200.000 correspondendo a 14% remete-nos para um valor inicial de 1.428.571 alunos ou algo próximo (é só aplicar uma regra de três simples…) mas não sabemos onde ir procurar o início da série…

O que nos complica a vida…

Na Pordata (o recurso agora mais usado em tudo o que mexe…) podemos encontrar números para o Ensino Básico e Secundário (público), em séries longas, assim para a Educação Pré-Escolar a partir de certo ponto.

O que encontramos? Vale a pena notar que o valor total inclui os Ensino Médio e Superior, pelo que é necessário somar as parcelas que nos interessam…

Os valores totais de alunos matriculados na rede pública para 2000, 2005 e 2010 são de 1.588.177, 1.477.233 e 1.581.049, respectivamente… O que significa uma diminuição inferior a 0,5% desde 2000 e mesmo um aumento desde 2005…

Com sinceridade, acredito que seja possível isolar um segmento com uma diminuição de 14% de alunos, mas agora não estou para ir em busca de agulhas…

Já em relação aos professores, com base na publicação Perfil do Docente 2010/11 temos os seguintes números (sendo lamentável que não exista série longa para o vínculo contratual sem ser em gráfico…):

Se fizerem a gentileza de confirmar as minhas contas… para o ensino público, em 200/01 tínhamos 153.836 docentes em exercício, em 2005/06 tínhamos 148.830 e em 2010/11 tínhamos 140.688.

O que significa uma redução de 8,5% em 10 anos, mais acelerada desde meio da década…

Ou seja, temos uma redução efectiva de docentes perante um número relativamente estável de alunos. Isto se consideramos por “últimos anos” a última década com dados consolidados (é o próprio Nuno Crato a, mais adiante na entrevista, confessar faltarem-lhe dados actualizados sobre o número de alunos que terá transitado do privado para o público o último ano).

Não vou dizer que Nuno Crato não tenha usado dados que lhe fundamentassem a afirmação que fez. O problema é que os dados de que eu disponho (e que são recolhidos nas fontes oficiais) não confirmam o que ele afirmou, apenas com base na frase generalista e atirada para a mesa que ele produziu.

Sei que gente mais certificada do que eu também já exibiu quadros e tal sobre isto. Resta saber a ficha técnica… se misturaram coisas que não deveriam, se eliminaram variáveis, se shitaram a coisa, mesmo que não voluntariamente.

Já sei que o argumento demográfico é muito habitual nestas discussões, assim como o lançamento de números tem muito sucesso em entrevistas, quando não se têm as fontes à mão.

No meu caso, que tenho coisa de meia hora para estas pesquisas feitas na primeira pessoa e não por interpostos assessores, limito-me a um esboço de fact-checking. E confesso que o fiz mesmo na meia hora referida, pelo que acredito que me tenha falhado qualquer coisa que ao gabinete do ministro chamou a atenção para a preparação da entrevista.

 Anexo: PORDATA_Pornveldeensino-Pblico-1

Colega,
Agradecia que divulgasse esta lista definitiva no seu blog.
O Decreto 132 voltou a não ser cumprido.
A escola chamou todas as pessoas da lista graduada para a avaliação curricular e, na sequência desta, colocou em primeiro lugar o colega que lá estava o ano passado e que na lista graduada da escola estava em nº 118! A escola apenas deveria ter convocado para avaliação curricular as 5 primeiras pessoas.
No que diz respeito aos subcritérios a realidade é esta:
35% – Continuidade pedagógica
10% – Experiência em escolas TEIP
5% – Experiência com alunos estrangeiros

Não é preciso acrescentar mais nada, pois não?

Muito obrigada.

Anexos: Listas-Cardoso Lopes, Lista definitiva-Cardoso lopes.

Professores acusam escolas e o ministério de falta de transparência e de não cumprirem a lei.

Há de tudo. Prós e contras. Recolha do Livresco.

  • 4R- Quarta República:

Há professores a mais?

  • Atenta Inquietude:

O EQUÍVOCO DOS PROFESSORES A MAIS. Os alunos terão emigrado

  • Contar até Dez:

Educação: um ministro Monthy Python

  • Correntes:

estes são do purgatório

  • Netodays:

A representação de Nuno Crato

  • Na Sala de Aula:

O essencial da entrevista de Nuno Crato

  • O Cantinho da Educação:

Detesto ministros que tentam influenciar a opinião pública com um chorrilho de mentiras

  • Palavrossavrvs Rex:

CRATO BRILHA EM CIMA DO SEU BULLDOZER

Um longo dossier sobre a entrevista de Nuno Crato, desde um passeio blogosférico, a partir da recolha do Livresco, até à demonstração dos seus erros quantitativos.

Agora… desculpem lá mas vai entrar em preparação um aromático e saboroso arroz de tamboril e gambas.

 

E é tão clara, tão clara, que me interrogo se é pura estupidez ou arrogante desfaçatez desmentir-se no mesmo parágrafo.

O subsídio reposto é distribuído por 12 meses para acudir mais rapidamente aos orçamentos familiares mas, no fundo, o rendimento mensal fica exactamente na mesma:

Basta fazer as contas, sem especial rigor… a reposição de um subsídio em 12 meses (lembremos que é sem subsídios de refeição) significa um acréscimo de pouco mais de 8% do salário. Os 7% a mais de contribuição para a Segurança Social, ao incidirem sobre o novo valor do salário, transformam-se em cerca de mais 7,6% do que este ano… Vejam lá o diferencial… isto sem contar com o resto.

O que Passos Coelho afirma sobre acudir mais rapidamente às necessidade de gestão do orçamento familiar é uma enorme mentira (ainda maior se um dos elementos do casal for trabalhador no sector privado), só explicável (atendendo ao que o próprio disse logo a seguir) por uma de duas explicações: estupidez ou desfaçatez.

 

A comunicação que Passos Coelho leu. Percebo que ande com falta de vista (eu próprio sou míope e sei o que custa ler a dois palmos de distância), mas sinto-me com liberdade para fazer os meus testes com o tipo e tamanho de letra que bem entender.

Informei a minha petiza que lhe vou repor metade do valor que no início do ano cortei na sua mesada. No entanto, por questões de sustentabilidade, aumentei em 25% por semana a sua contribuição para o fundo familiar de catástrofes.

Penso ter conseguido, assim, uma solução que repõe a equidade nos sacrifícios domésticos.

… é que tende a procurar e a acreditar em fórmulas que lhe são apresentadas, com a convicção dos fanáticos, como simples e mágicas.

Só que mundo é complexo, raramente há soluções simples e ele já devia ter percebido isso. O que só agrava a percepção da sua ignorância.

A alternativa era ter estudado as coisas. Sem equivalências.

  • As minhas pequenas coisas:

Sobre a declaração do Passos Coelho

  • Chocolate e um Livro:

… pelas razões que apresenta inicialmente (favorecimento das grandes empresas) e porque os mesmos vão continuar a pagar…

Contas feitas, Passos corta um salário a todos os trabalhadores

Aumento da segurança social, dos 11 para os 18 por cento, para todos os trabalhadores (que entra em vigor em janeiro de 2013), resulta, na prática, num corte equivalente a um vencimento. O Expresso fez as contas.

(c) Antero Valério

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