Vamos agora a uma parte delicada (não, ainda não a da contestação…) da entrevista e aquela em que Nuno Crato se transmuta quase em Maria de Lurdes Rodrigues e em que desmente, na prática, o que a FNE anunciou na 3ª feira, revelando que apenas irá ser feito o que sempre esteve previsto: vinculações selectivas conforme alguma necessidades no prometido concurso nacional para 2013.

Nuno Crato enquanto Maria de Lurdes Rodrigues (ou Valter Lemos):

A natalidade diminuiu, o número de estudantes diminuiu, daqui a quatro anos vai diminuir ainda mais [sim, é verdade, o efeito anticoncepcional deste Governo amplia o efeito Sócrates]. E nós temos um sistema que em muitos aspectos é muito pouco eficiente. É interessante olhar para as comparações internacionais, por exemplo para o rácio de número de alunos por professor. Nós estamos ao nível dos países ricos, estamos mais do que ricos em relação a muitos países. temos menos alunos por professor do que a Áustria.

A Aritmética pode estar certa (e ser validada pelo seu sucessor na SPM e tudo), mas a contextualização é o que se sabe… entre nós há professores a fazer o que em outros países é feito por outros técnicos e em países pobres o rácio também é mais elevado porque há falta de professores… mas… parece que Nuno Crato aderiu À tese da mediocridade como média desejada.

Agora a parte em que a promessa da FNE é desmontada:

O que temos sempre dito é que os professores dos quadros são necessários e que para além disso há algumas necessidades mais, mas nós faremos apenas as contratações estritamente necessárias. Nem o contribuinte português poderia entender uma coisa diferente.

Muitos docentes estão a contrato há 10, 15, 20 anos, muitas vezes com horários completos. E há o compromisso de vincular esses professores. Esse compromisso será mantido? E com que critérios?

O sistema está a evoluir e nós não queríamos iniciar estudo nenhum sobre isso antes do início do ano lectivo. Vamos agora fazer uma realização do sistema. onde se detectem casos de professores que correspondem a necessidades efectivas do sistema e não a necessidades transitórias, trabalharemos para uma vinculação extraordinária.

Quanto tempo durará esse processo?

Não quero fazer promessas. Mas, ainda em Setembro começaremos a fazer esse trabalho.

E os critérios estão definidos?

São a antiguidade, as áreas em que são mais necessários e que correspondam a necessidades permanentes e as projecções que temos das necessidades das escolas.

Repare-se no seguinte:

Não se ia começar nada antes do início do ano lectivo, mas em outra resposta fala em projecções a quatro anos. Neste mesmo excerto confirma que já têm projecções de necessidades das escolas.

Mas… como é isso possível se vai existir liberdade de escolha na rede pública? Como podem estabilizar essas projecções? E o que fazer com os alunos em trânsito do privado, de que Nuno Crato afirma, umas perguntas adiante, não conhecer ainda os números?

Tudo muito baralhado.

Duas confirmações, apenas:

  • Aquilo que se passou em Julho foi destinado a testar até onde os directores iriam, caso fossem pressionados a cortar professores nas suas escolas.
  • O que a FNE anunciou não é verdade. A vinculação extraordinária irá acontecer com efeitos apenas para o próximo ano lectivo, num procedimento concursal similar ao previsto desde 2009. Uma lista graduada, vagas abertas conforme as necessidades 8sempre por fedeito) e vinculação. De extraordinário não vejo nada…

 

About these ads