Há já algum tempo que espero que seja feito um trabalho de investigação (jornalística ou mesmo académica) sobre o impacto real, concreto, social, dos blogues sobre Educação no contexto das redes de informação existentes, incluindo meios de comunicação convencionais com versões online (televisões, jornais, rádios) e redes sociais.

Na falta disso, sendo parte interessada no processo e objecto, vou-me ficar por assinalar o feito único, singular e esmagador dos níveis de afluência dos blogues do Arlindo e do Ricardo na passada 6ª feira. Como ambos não se incomodam em que os seus dados no Sitemeter sejam conhecidos e estão registados no único serviço que (mesmo se com falhas) faz um ranking da blogosfera nacional, é possível saber que tiveram, respectivamente,  mais de 120.000 e 154.00 visitantes individuais.

Isto é completamente inédito em Portugal e praticamente decuplica os níveis de entradas de um 31 da Armada na altura dos eventos dos Darth Vader, com o episódio da bandeira na Câmara de Lisboa. E isto não é episódico, pois é uma tendência que já vem de meses, de ultrapassagem, por larga margem, dos blogues políticos que parecem da moda e que alimentam, mais tarde ou mais cedo, as colunas de opinião da imprensa ou os gabinetes de políticos.

Em termos de Educação, mais do que triplica os números do Umbigo na altura de maior agitação contestatária em relação a Maria de Lurdes Rodrigues.

Em relação aos sites das organizações representativas dos professores não posso estabelecer comparações (a opacidade é a regra na gestão desses espaços), mas acredito que, pelo tipo de serviço prestado, os terão ultrapassado também em muito.

Mais curioso, são números que ultrapassam largamente os de professores a concurso (contratados ou mobilidade), demonstrando até que ponto a sua função informativa e de apoio às necessidades reais das pessoas.

Isto acontece porque existe um fenómeno duplo de confiança na informação prestada e na sua utilidade prática.

Esta é a verdadeira blogosfera social, que responde às necessidades das pessoais reais, neste caso do segmento profissional qualificado mais numeroso do país e vai mesmo para além dele.

O tempo dos blogues mais explicitamente políticos, não tendo passado, recolhe-se para uma segunda linha nestes momentos, pois o que está em causa é a preocupação das pessoas com o seu destino profissional e não necessariamente com uma abordagem analítica do conteúdo do que se passa.

E o espaço para os blogues-eco (os que estão sempre pró-algo, de acordo com a proveniência da informação) torna-se ainda mais exíguo, porque inútil. De que adianta ir ler o eco de um comunicado sindical ou o suporte político acrítico de uma decisão do Governo?

O Arlindo e o Ricardo têm vindo a provar, através de um trabalho verdadeiramente notável e extenuante que o espaço da blogosfera está para além das bocas e diatribes que muitos gostam de lhes atribuir a partir de fora, em especial quando se trata de blogues sobre Educação. É mais do que evidente a condescendência com que os especialistas em Educação ou os profissionais da opinião impressa ou televisionada (quantos deles promovidos a partir de blogues feitos apenas para servir os próprios e a sua tertúlia) tratam os blogues e os bloggers que se movem na área da informação e do debate em Educação.

É pena que não compreendam um fenómeno (que alguns jornais felizmente detectaram há alguns anos quando se aperceberam dos fluxos de leitores online e mesmo das vendas em papel) que está muito para além da circunstância momentânea, do episódico e do irrelevante. Os blogues sobre Educação, em particular aqueles que se colocaram ao serviço dos colegas e das pessoas reais, prestam um serviço enorme e por isso são reconhecidos e confiados pelos seus primeiros destinatários, suscitando desconfiança apenas a quem se sente erradamente ameaçado.

Voltando ao início, o que se passou neste final de semana (e em outros momentos) com o Blog DeAr Lindo e o Professores Lusos, foi a maior prova de que é possível fazer muito com poucos meios, quando a vontade se sobrepõe aos interesses e o desejo de informar e ajudar existe em vez do desejo de manipular ou instrumentalizar.

Esta última parte, claro, é o meu olhar sobre o fenómeno porque eu poderia evitar a deriva subjectiva mas não seria bem a mesma coisa… nem me daria o mesmo prazer.