Já no sábado o DN anunciava qualquer coisa como “os directores resgatam 6000 professores” aos horários-zero.

Como se não tivessem sido esses mesmos directores a colocá-los nessa situação… Como se fossem heróis a salvar donzelas desvalidas e órfãos abandonados dos seus próprios actos…

Hoje é mais um título completamente disparatado (despassarado, mesmo!) sobre o tema das turmas com PCA.

Não é o facto de ter prestado declarações para a peça, correctamente reproduzidas, que me impede de dizer que alguém no DN anda a fazer estágio para voltar ao Jornal do Incrível.

Mil e duzentos alunos com más notas ajudados a passar de ano? É a isso que se resumem as turmas com PCA?

Onde se brinca com estas coisas, talvez, mas o trabalho com PCA, que faço há vários anos, não passa por isso. Passa por adequar até aos limites a forma de trabalhar com miúdos em risco de abandono escolar, permitindo-lhes chegar mais longe do que a pura desistência. Claro que há turmas com PCA (Percursos Curriculares Alternativos) que são criadas meio ad hoc ou com conselhos de docentes recrutados assim a modos que.

Só que é errado considerar que essa é a regra ou a norma de funcionamento destas turmas.

E, como várias vezes tive a escassa modéstia de aqui o anunciar, estava habituado a que as minhas turmas fizessem provas de aferição como os outros e, salvo num caso, tivessem um bom nível de sucesso.

Aliás, excepto o caso (mais do que esperado) do Ramiro Marques, ninguém ouvido para a peça em causa justifica um título para a peça como o escolhido. E mesmo no caso do RM era melhor perceber exactamente o que é que ele percebe do assunto ou se faz declarações apenas na base daquele delírio que o tomou de ser contra tudo o que lhe parece caro na Educação.

Quase me apetece escrever “Editor em busca de emoções apimenta títulos”.

E quero lá saber se fico persona non grata.