Na peça do Público de hoje surgem declarações do André Pestana (Movimento 3R’s), do Arlindo Ferreira (Blog DeAr Lindo), do João Paulo Silva (Aventar, Fenprof), do Nuno Domingues (Educar a Educação) e minhas.

Quatro dos ouvidos optaram por centrar o discurso na análise da situação, não fazendo comentários depreciativos sobre ninguém. Apesar da desesperança numa nova união forte, ainda existe alguma esperança em espaço aberto há o cuidado de manter alguma civilidade.

Apenas o João Paulo (desculpa mas, se aceitas dar a cara, deves ser tratado como tratas os outros) assumiu que está aí para apontar o dedo e dividir os bons dos maus. Ele é dos bons, quem votou PSD (que ele sabe ter sido a maioria dos professores) ou recebeu bem Nuno Crato como MEC (o meu caso, por exemplo) serão os maus.

A maioria dos professores votou neste Governo, o que agora funciona como uma condicionante. Sentem que, de alguma forma, têm responsabilidade na situação.

Já o João Paulo e os seus não têm responsabilidade em nada, nem mesmo nos acordos e entendimentos de há um par de anos atrás, em especial aquele que aceitou a existência de titulares e visou a domesticação activa dos professores nas escolas. Quando se fala nisso, remoem, resmungam, fingem que foi algo que se passou na Pré-História. Dizem que o passado passou, mas só para eles.

Mas como é que ele sabe quem votou onde? Que sondagem fez? Que estudo do isczé prova o que diz?

No fundo, o seu objectivo é claro… dividir para que ninguém possa reinar, já que os bons se renderam não uma, mas duas vezes no passado, aceitando prestar vassalagem a suserano de seu gosto. Ele (e os que acima dele promovem a coisa) sabe(m) perfeitamente que não tenta(m) unir nada, mas apenas arregimentar os seus, os puros, os bons, os que não votaram mal, os que devem ser os líderes da contestação. Quando se trata de sindicalismo, só devem falar e pronunciar-se os que são de dentro, que votam lá dentro. Mas, fora do sindicato, quem vota já tem uma capital diminuído se votou na Situação, invertendo por completo a sua lógica. Ao votar nas eleições internas da Fenprof, o João Paulo tem o direito de se pronunciar sobre as suas estratégias e não é raro que surjam remoques sobre quem (de fora da Fenprof) analisa criticamente o que fazem, mas quem votou no PSD (ou CDS) não tem o direito de falar seja sobre o que for.

O João Paulo lida mal com a democracia plena, em que todos têm direitos e liberdade de expressão. O problema não é apenas dele, é de muito mais gente. É um problema muito comum em todo o tipo de fundamentalistas puros que, se possível, prefere o silenciamento das alternativas ou a sua instrumentalização do que lidar com eles num plano de igualdade. São os que têm sempre razão e têm vitórias sempre que dão um traque negocial.

Só que já os conheço à distância e sei ao que andam… o objectivo é fazer o que outros não podem, de forma dita mais radical, ao mesmo tempo que engolem as franjas sindicais mais insatisfeitas. E, pelo caminho, desatam a ofender todos os que não pensam como eles como já o fizeram aqui, a várias vozes, dirigindo-se a mim, em comentários ou no próprio FBook, de maneira quase tão odiosa quanto o mafarrico vargas, um dos que se move nas sombras do ataque personalizado a partir da central.

O que aí vem tem paralelo com o que se passou em 2009 com as duas manifestações de Novembro, quando os movimentos independentes avançaram e apareceu o Colectivo a querer açambarcar tudo. Agora temem alguns blogues. Não se percebe porquê, porque ninguém quer o lugar tanto dos mandantes quando dos executantes.

Mais útil seria lerem um pouco de História. Por exemplo, este livro. Para conhecerem o seu passado.