Sobre A Obrigatoriedade de Votar

Reparei num post das redes sociais que questionava a obrigatoriedade (ou não) dos eleitores exercerem o seu direito ao voto. Questão polémica, uma vez que que o direito ao voto implica também o direito à abstenção. Defende-se a democracia, questiona-se o tipo de democracia actual, etc. O número crescente da abstenção nos actos eleitorais cresce de dia para dia e isto é efectivamente GRAVE! Questões muito interessantes que não poderei aqui e agora desenvolver, mas que gostaria que os meus amigos reflectissem…

No entanto, algo me fez recordar, antes das últimas eleições, que abundavam grupos a pedir a diminuição do número de deputados na assembleia. Surgiram grupos, associações, petições e todas referiam “PELA DIMINUIÇÃO DO NÚMERO DE DEPUTADOS NA ASSEMBLEIA”. Recordo ainda, no debate televisivo entre Passos Coelho e Paulo Portas, ambos concordarem com o tema e revelarem intenção em concretizá-lo: a frase que me ficou na memória foi a de Paulo Portas, que perante o número proposto por Passos Coelho, referiu algo parecido com “ainda consigo fazer por menos” (número de deputados, entenda-se!). Estranho que após formarem governo nunca mais tenha visto circular pelas redes sociais tal temática. Passos Coelho diz agora “custe o que custar” temos de “salvar” Portugal. Os vários ministros seguem o comando… os médicos e os professores já sentem bem o que significa a expressão “fazer mais com menos”. Assim, questiono se não deveriam dar exemplo os nossos governantes e aplicar essa regra aos próprios: fazer mais com menos deputados!

Não querendo desviar-me do problema da abstenção sugiro uma boa causa a conquistar” OS VOTOS EM BRANCO dos eleitores TERIAM QUE SER REPRESENTADOS EM LUGARES VAZIOS na Assembleia da República. Acredito que desta forma a abstenção desceria para míninos históricos e bastava olhar para os lugares vazios (ou não) para medirmos não só a qualidade da nossa democracia como também a qualidade do trabalho realizado pelos nossos políticos. Já que defendem tanto a avaliação para tudo e para coisa nenhuma… eis uma boa forma de colocar, finalmente, a população a “Avaliar”.

Elsa Dourado.