CARTA ABERTA AO ALUNO

                                                                                                            Querido Aluno,

   É pena hoje em dia já poucas pessoas escreverem cartas. Daquelas que todos gostam de receber num dia especial. As que ainda vamos recebendo em casa são as formais que notificam frequentemente valores em débito para pagamento, e às vezes porque entram em relaxe.

   Por isso, hoje resolvi escrever uma carta a sério, a ti e a todos os jovens que procuram o espaço que vos é devido nesta sociedade. Que é um direito que não precisa de ser inventado. Está consagrado na Declaração dos Direitos Humanos, na Constituição Portuguesa, no Código do Direito Civil, no Código do Trabalho ou no Regulamento Interno da tua escola.

   Se és capaz de persistir na leitura desta missiva, quer dizer que estás pronto para pensares sobre os teus interesses na vida. Não importa se te parecem demasiado ambiciosos. Dar sentido às tuas ideias é o verdadeiro passo em frente.

   A vida às vezes parece uma armadilha, sobretudo quando ainda somos ingénuos – e não é preciso ser-se criança ou jovem… Aprende a acreditar em ti, a descobrir o que gostas de fazer, a observar os outros e o mundo à tua volta. Não te deixes abalar por críticas, por vezes mal intencionadas ou impensadas. Se te quiserem silenciar é porque tens alguma coisa que vale a pena dizer. Não te emudeças. Quando muito, aguarda pelo momento, a circunstância e a atitude mais conveniente para o fazeres. O mundo é grande. Há espaço para todos. Por isso, nunca deixes de acreditar em ti. Podes julgar-te pouco preparado para enfrentar os desafios, mas a motivação é estimulada pelo teu pensamento. Não te deixes enfraquecer. Não te deixes ludibriar por falso pretextos para não desenvolveres o teu potencial, aquele que vais descobrindo, às vezes com a ajuda de professores, às vezes com ajuda da família, às vezes sem ajuda de ninguém, apenas com a força que vem de ti próprio. Não interessa quantas pessoas tens ao teu lado, desde que te tenhas a ti próprio. Essa é que é a condição sine qua non. Até porque não deves fazer depender muito a tua motivação da opinião dos outros. Importante é que sejas cauteloso e exigente com a tua formação. Aceita os desafios com entusiasmo. Sê humilde a aprender. Confia nos teus sentimentos. Sê generoso para te saberes perdoar quando erras. Agradece os conselhos, mas dispensando os pensamentos emprestados. Desenvolve o teu espírito crítico. Não te deixes manipular. Tens que viver a vida conforme a tua vontade, aquela que vai escolhendo o caminho da valorização pessoal para servir um dia o bem comum. Sê sincero para não te arrependeres. Sempre atento à verdade dos outros. Quando te tentarem convencer, duvida. Aprende a interpretar sinais implícitos à tua volta. Zanga-te, com moderação. Vive com os outros, mas não dos outros. A amizade nasce da beleza do gesto despretensioso. Valoriza a ajuda, sem esquecer a autonomia. Encoraja a simplicidade, sem te humilhares. Sê amigo dos outros, mas também de ti próprio. Aprende com as dificuldades e com as indelicadezas, sem desperdiçares os sentimentos bons que podes ganhar com essas experiências. Aprende a agradecer os talentos e a desenvolvê-los. Faz de ti um bom amigo. Só assim ser-te-ás bem-vindo e darás o melhor de ti mesmo.

   E nós ficar-te-emos eternamente agradecidos.

                                                                                             A tua profª

                                                                                           Rosa Duarte

                                                                         Laranjeiro, 24 de fevereiro de 2012

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