O que se vai passando pelas escolas nos dias que correm é dramático. A necessidade de definir os docentes para DACL, bem como a evidência da quase total inexistência de vagas para contratados com muitos anos de serviço, está a provocar situações pessoais e profissionais muito problemáticas.

Não há justificação para isto, por muito que os betinhos-da-Católica, os relvas-lusófonos ou os liberais-dos-mba-saxónicos-que-visitam pobrezinhos-na-índia se desdobrem em teorização sobre o Estado Gordo e com a vida a cima das possibilidades. Há demasiados argumentos que demonstram que as gorduras estão do lado deles e não dos funcionários públicos comuns. Os que entraram para o tacho ou para o grupinho de trabalho não são os professores de carreira. São os engravatadinhos que, na última leva, saíram directamente de blogues contra o Estado para a mama desse Estado.

Dito isto e espalhada a bílis prévia, vamos lá ao que me interessa aqui.

Que é tentar relembrar que se por todo o lado está gente a ser indicada para DACL isso quer dizer que não há lugares para absorver esses mesmos DACL.

O que significa que as pessoas acabarão, na larga maioria dos casos, por ficar nas escolas de origem.

Acho que o MEC e os sindicatos sabem isso, só que não o querem dizer.

  • O MEC porque anda a tentar perceber o número máximo de docentes que poderão estar nessa situação (só assim se entende o desplante da instrução dada aos directores de, na-dúvida-mandem-para-DACL-e-depois-logo-se-vê), para ver que solução de recurso pode arranjar já em Setembro. A inépcia de toda a equipa política do MEC está neste momento bem à vista de todos, assim como a permanência de um certo feudalismo em alguns nichos não implodidos, nem pouco mais ou menos.
  • Os sindicatos porque se dividem entre um ténue magistério de influência em virtude de assinaturas concedidas (FNE), a percepção da completa desmobilização dos docentes em virtude de erros recentes pelo que mandam balões ao ar (Fenprof) e a total irrelevância (quase todos os outros), partilhando a ausência de um rumo e preferindo fustigar em privado a classe que sentem não merecer e não reavaliar o seu modo de actuação. No entretanto, nas escolas só papéis… certos zés voam baixinho e tratam da sua vidinha, se necessário lixando o próximo como qualquer outro.

Pelo que os professores se encontram, de novo como no caso dos OI e não só, entregues a si mesmos e à sua capacidade de discernir um caminho individual de sobrevivência, perdida que foi aquela unidade poderosa de 2008-09.

E a emoção e o medo apoderam-se das pessoas que preferem não arriscar, não desagradar, não falar. Sobreviver, apenas, no meio de um terramoto.

A revolta – por muito que alguns queiram dar a entender que basta acender um fósforo – não está ao virar da esquina. Infelizmente. Pelo menos a revolta que os vanguardistas das massas gostam de evocar e manipular.

Eu poderia dizer o contrário, rasgar vestes (mau gosto e pouco racional em termos económicos) e arrepelar alguns dos cabelos que me vão sobrando, fingindo ver o que não vejo.

A única coisa que posso dizer é que, de tão má, a situação torna-se praticamente insolúvel, pelo que a maioria das pessoas ficará onde está, por ausência de alternativas.

Resta saber se certas portas entreabertas em acordos diversos do passado não levarão a testarem-se experiências de mobilidade até agora evitadas.

Mas em 2012-13 ainda não deve ser possível.