Está a dar alguma celeuma o facto de se prever o prolongamento das aulas para alunos com dificuldades de aprendizagem no final dos 1º e 2º ciclos de escolaridade, uma tentativa curta de summer schoool por cá.

Querendo desde já ressalvar que excluo deste tipo de medida os alunos com insucesso resultante de falta de assiduidade por motivos injustificáveis (mais do que injustificados, porque já vi demasiadas justificações manhosas) ou por problemas de comportamento, considero que:

  • A ideia não é tão peregrina quanto parece quando se tratem de alunos que revelem a necessidade de um trabalho em pequeno grupo para consolidação de conhecimentos ou competências (já estou por tudo!), caso isso não tenha sido possível durante o ciclo de escolaridade, a partir do momento em que foram detectadas as dificuldades.
  • Pior, acho que os alunos que fiquem retidos, apesar deste tipo de medidas ou outras, no ano seguinte devem ter apoio com os professores que detectaram essas dificuldades e não por outros que se vejam na necessidade de conhecer o aluno e passar por todo o processo de adaptação às suas dificuldades, pois a maioria dos relatórios que ficam de um ano para o outro de pouco valem, para não dizer que são muitas vezes inúteis.

Dito isto acrescento dois pontos, um no cravo, outro na ferradura:

  • Este tipo de apoios deve ser contabilizado na componente lectiva dos docentes. E ponto final. Discordo dos truques ministeriais nesta matéria. É trabalho com alunos, obrigatório, destinado a promover aprendizagens e obter sucesso. Não é um clube, uma workshop ou essas coisas a que os alunos vão quando lhes apetece. Logo… componente lectiva.
  • Mas, por outro lado, no caso do prolongamento das aulas, era boa ideia que muita gente se lembrasse de que as “férias” só começam quando começam mesmo. E que todos se lembrassem que os professores que leccionam CEF e/ou Cursos Profissionais (do 3º CEB ou especialmente do Secundário) há muito que passam por este tipo de prolongamento que agora encrespa tanto os colegas do 1ºciclo que se sentem esquecidos e vítimas de desconhecimento, quando foram os primeiros a esquecer e e desconhecer o que se passa com colegas de outros ciclos.

Para que fique ainda mais clara a minha candidatura ao cadafalso, quero sublinhar que estou cansado de uma minoria de pessoas que despacham alunos só com o objectivo de não os voltarem a ver e não estou a falar de mal comportados. Não vale a pena negar… há quem os despache com sucesso para outro ciclo de escolaridade, para não os tornar a apanhar, e há quem fique feliz quando ficam para trás, porque assim pode seguir-se em frente sem este ou aquele contrapeso que implica maior investimento. Sim, as turmas estão a ficar enormes e a energia tem limites, assim como a paciência, mas… o que escrevi é verdade.

E que fazes tu, ó moralista da treta? Podem perguntar-me…

Olhem… sempre que pude e tive horas disponíveis, fiz questão de manifestar disponibilidade para dar esses apoios ou mesmo tutorias…

Porquê? Porque acredito mesmo que por vezes a retenção é a melhor medida para certos alunos, mas que deve ser colocada em prática do modo certo.

Já agora, o que não fiz… depois de 190 aulas ao longo de um ano lectivo, não senti qualquer necessidade de dar uma semana de aulas suplementares para preparar os alunos para exame… dei uma e acho que chegou. se não fiz o trabalho bem feito no resto do tempo, uma semana não dava para remediar…