O MEC decidiu definir metas curriculares para algumas disciplinas, incluindo as conhecidas estruturantes, Língua Portuguesa e Matemática. Claro que isto surge depois de anos de preparação de novos programas em vigor, da recente definição de metas de aprendizagem, e com uma evidente falta de respeito pelo trabalho de muitos professores. è verdade, não adianta esconder.

O amadorismo foi o costumeiro, com a falta de materiais disponíveis para os espectadores da cerimónia oficial (desde logo a estória rocambolesca das metas de EV/ET), deixando os representantes das associações de professores que lá estavam em palpos de aranha para dizerem algo.

O que, por norma, não culmina com ausência de declarações, mas com declarações para encher, ams escasso sentido.

Isolo duas, por serem sintomáticas da desorientação que acometeu, de novo muita gente:

Por essa razão, os presidentes das associações de professores de Matemática, Português e Educação Visual e Tecnológica, quando contactados pelo PÚBLICO ao fim da tarde de ontem, pouco tinham ainda a dizer sobre as novas metas para as suas disciplinas.

Mas o que foi dado a saber na sessão de ontem deixou-os apreensivos. Elsa Barbosa, da Associação de Professores de Matemática, diz que “choca” o facto de a referência de base voltar a ser o ano e não o ciclo de escolaridade, o que aliás, vinca, contraria o programa em vigor. Neste estão definidos os conteúdos que devem ser trabalhados e adquiridos até ao final de cada ciclo. Mas nas novas metas as aprendizagens a adquirir estão identificadas ano a ano.

(…)

Depois de um dia passado na apresentação, Filomena Viegas, da Associação de Professores de Português, sabe que o documento para esta disciplina tem 60 páginas. Na sessão de trabalho onde esteve havia dois exemplares que circulavam entre os presentes. Chegou a estar à sua frente apenas o tempo suficiente para perceber a “macroestrutura”. Não se pronuncia, portanto, ainda sobre as metas, mas o que lhe foi permitido ver suscita-lhe “reservas” e transmitiu-as na sessão de ontem.

Vamos por partes:

  • Os novos programas, estando pensados em termos de ciclos, não impedem em momento algum, a anualização dos conteúdos a leccionar, muito pelo contrário. pelo que a representante da APM pode ter muitas críticas a fazer a estas metas, mas não aquela.
  • Quanto à representante da APP, para além da discrepância do número de páginas do documento que consultou, não percebo aquilo que refere como “macroestrura” visto que, se há coisa bem evidente nas tais metas, é o alinhamento de conteúdos e objectivos específicos, a uma escala evidentemente micro.

Depois… uma crítica natural à forma como estes documentos foram produzidos… são documentos emanados de grupos o que, mesmo sendo uma inevitabilidade dentro dos prazos em presença, não elimina a sensação algo tribalista de algumas opções tomadas.