Nuno Crato pode usar muitos argumentos para justificar as políticas que tem desenvolvido, mas há um que lhe fica mal, muito mal e que, ao que contam porque eu não tive paciência para seguir todas as intervenções parlamentares ou televisivas da última semana, terá usado recentemente.

O argumento é aquele, clássico, de ser diferente estar dentro do Governo ou fora dele. De as opiniões expressas enquanto analista não poderem ser transpostas para a prática de um ministro.

Ora bem… isto é a antítese de tudo o que Nuno Crato sempre afirmou, em especial quando afirmava nortear-se por princípios e não apenas por conveniências ou inevitabilidades.

Até porque significa uma de duas coisas: ou o analista andava mal informado e usou argumentos inválidos, sendo injusto na apreciação que fez dos titulares anteriores da pasta que agora ocupa, ou então esses argumentos eram válidos, fundamentados, e optou por abandoná-los em nome de um pragmatismo de que a coerência se ausentou.