Quinta-feira, 21 de Junho, 2012


The Cardigans, I Need Some Fine Wine And You, You Need To Be Nicer

Lágrimas à saída do exame de Matemática do 12.º e alívio no 9.º ano

Consta que há por aí um sms a dizer que vai sair Geometria… 😉

A escola é esta. Parece-vos que são miúdos de que tipo? Reparem a calma e naturalidade com que fazem as coisas… como se fosse normal…

É a lóóócura total!!! Até à meia-noite e meia!!!! Na manhã seguinte vai estar tudo num estado…

Apenas 13% dos portugueses fala correctamente pelo menos duas línguas

A média europeia é de 25% e Portugal fica aquém deste valor: apenas 13% dos portugueses fala correctamente duas línguas estrangeiras, uma quebra de dez pontos percentuais, face à anterior avaliação, em 2006.

Uma questão… como é que se perdem 10% em 6 anos nesta matéria? É que é daquelas coisas que a mortalidade não explica… Emigração dos bem falantes?

Tribunal de Contas: a Parque Escolar fez despesas e pagamentos ilegais, só nas obras no Liceu Passos Manuel houve uma derrapagem de sete milhões e meio

FENPROF entrega providência cautelar para suspender o despacho de organização do ano lectivo.

Em Guimarães em Fafe, alunos informados por SMS sobre o texto da prova de português do 12º, uma denuncia anónima.

O resto descarrega-se aqui e são mais de 75 páginas. Faz lembrar outras coisas deste género, de ma memória.

Esta é uma iniciativa aberta a alunos, professores, pais e a todos os cidadãos, com ou sem partido, que defendem e acreditam na Escola pública.

Manifesto Por uma Escola Pública de qualidade!

Esta é uma iniciativa aberta a alunos, professores, pais e a todos os cidadãos, com ou sem partido, que defendem e acreditam na Escola pública. Este manifesto pretende ser um apelo à mobilização dos cidadãos por uma escola que tenha como principais objectivos a qualidade das aprendizagens, a inclusão, o rigor, a disciplina, a cultura do respeito por si próprio, pelo outro, pelo ambiente, a responsabilidade, a reflexão mas também a criatividade e a curiosidade em termos de aprendizagem, uma escola em que o lema não seja “direito a uma educação” mas sim “direito a uma Educação para todos de qualidade”, tal como prevê a Constituição da República Portuguesa, de modo a garantir a formação integral do aluno visando a formação de cidadãos autónomos, com saberes indispensáveis para a sua inserção crítica na sociedade.
A escola pública enfrenta um dos piores momentos da história da Democracia, com os seus valores a serem subvertidos pelo estigma da austeridade e pelas medidas economicistas, de horizontes tão curtos que corre o risco de se transformar num amplificador das assimetrias sociais.
Denunciamos:
– a criação de mega-agrupamentos – meras entidades administrativas com 3000 ou mais alunos e 600 professores – que, instituindo a direcção à distância, cria condições para mais indisciplina, para uma desvalorização das questões pedagógicas, dificultando a promoção das aprendizagens e, em resultado disso, para mais insucesso e abandono escolar;

– constituição de turmas com 30 alunos – quanto maior for o número de alunos maior é a dispersão, mais se potencia a indisciplina, menor é a capacidade de um ensino mais personalizado, quando necessário, maior a dificuldade em fazer avaliações quer da oralidade nas disciplinas de línguas, quer nas práticas das disciplinas laboratoriais;

– a atribuição de maior número de créditos horários a escolas com melhores resultados nos exames – as escolas que necessitam mais horas para apoiar os seus alunos, são as escolas com menos sucesso, normalmente escolas frequentadas por alunos de classe baixa ou média/baixa sem possibilidades económicas de procurar apoios fora da escola;
– O Despacho 13-A/2012 que altera os tempos escolares dedicados à educação física, à educação visual e tecnológica, ao desporto escolar, à formação cívica, reforçando a ideia de disciplinas “fortes” – Português e Matemática, disciplinas “fracas” –as restantes, com excepção das disciplinas de educação física e artes que passam a ser disciplinas “menores”. A agravar as questões pedagógicas, um só Despacho consegue uma redução média de cerca de 20% dos horários dos professores, ou seja, cerca de cerca de 25.000.
– As exigências cada vez maiores que a Escola e a Sociedade fazem aos professores, contrastam com um estatuto da carreira docente cada vez mais frágil.
A pretexto da “crise” estão a ser tomadas medidas que refletem uma ideologia conservadora e que traduzem num brutal retrocesso na Educação para Todos, que, para além de ser um compromisso com a UNESCO, é um dos Objectivos do Milénio da ONU.
A escola em Portugal conseguiu avanços muito significativos nos últimos 38 anos, tal como o Governo e Presidente da República reconhecem ao dizer que esta geração é a mais bem preparada de sempre. Não vamos deixar que os mesmos que dizem isto destruam o sistema de ensino publico através da legislação relativa ao funcionamento do próximo ano letivo. Propomos, por isso, a revogação do Despacho Normativo n.º 13-A/2012 e do Despacho N.º 5634-F/2012, bem como uma revisão dos critérios subjacentes à contrução dos megaagrupamentos, a fim de restituir às escolas um clima de tranquilidade e aos professores um clima de dignidade pessoal. Propomos uma discussão fundamentada sobre a educação em Portugal para que o risco que a Escola Pública corre, não a transforme numa “Escola de Risco”!

Ana Benavente, Socióloga, Professora
Maria do Rosário Gama, Professora Aposentada, Ex-Diretora da Escola Infanta D. Maria

c’os cachecóis em riste?

É obra!

Depois da sua intervenção, um dos presentes perguntou a Mário Soares «se estaria disposto» a apoiar a candidatura de Carvalho da Silva a Presidente da República e a sua resposta foi clara: «Teria muito prazer».

Parque Escolar pagou numa única escola três milhões em obras que nunca foram feitas

Auditoria do Tribunal de Contas revela que a Parque Escolar pagou mais 46,5% do que estava previsto.

Quem dará o primeiro passo para explicar e demonstrar que foi tudo legítimo? A Maria, o Daniel, um dos marimba boys?

Está na Visão de hoje, que apenas me acordou a ortografia, incluiu um comentário lateral e respeitou por completo uma das duas únicas avaliações negativas em dez (até o Boaventura Sousa Santos de4 11 à Justiça e Medina Carreira 13 às Finanças, ora vejam lá…). A média foi de 11,6…

Talvez por ter o espaço limitado não usei demasiados adjectivos.

Quantitativa: 9 valores.

Qualitativa: Numa perspectiva de avaliação contínua, atenta à progressão do desempenho, a classificação reflecte a quebra verificada com o avançar do ano.

No início, com a resolução transitória do conflito em torno da ADD e promessas interessantes relacionadas com a reforma do currículo, a classificação andava pela positiva folgada 8cheguei a dar 13 valores aos 100 dias). Mas, ao terminar o primeiro ano de exercício, o actual MEC deixou a sua acção dividir-se entre a continuidade (modelo de gestão, concentração escolar) e a aposta em medidas que em vez do anunciado mais por menos culminarão em menos (resultados) com mais (esforço, legislação). Porque não existiu a força para travar os cortes quase cegos no sector. Nota-se ainda um evidente enviesamento do olhar, parecendo que apenas uma parte das disciplinas, em particular a Matemática, são importantes para avaliar o desempenho das escolas.

Nota suficiente para o comportamento.

Ocupa toda a página 55 do Público de hoje(sem link) e é um monumento à adjectivação, de tão abundante e diversificada que ela é.

Quanto ao conteúdo temos aquilo que Santana Castilho escreveu nas suas crónicas do último ano, aquele que se seguiu à constatação de que não seria o ministro em vez do ministro actual. Tudo é mau, tudo está mal, tudo foi mal feito. Parece um digest de comunicados da Fenprof com o pormenor delicioso de imaginarmos o que Santana Castilho ministro diria desses mesmos comunicados.

Não é que Santana Castilho não tenha razão em boa parte do que escreve, o problema é mesmo que destrói por completo medidas que o próprio subscrevia há pouco mais de um ano quando estava convencido de ser o autor do programa do PSD para a Educação.

Quando critica, apenas a título de exemplo, o que Nuno Crato designa por “disciplinas estruturantes” e “conhecimentos fundamentais”, por escassez de fundamentação, esquece o que escreveu, na página 36 do seu livro O Ensino Passado a Limpo, na qual fala em “saberes fundamentais” e chega mesmo a defender uma “hierarquização das diferentes disciplinas em função de faixas etárias”. Mas este é um exemplo entre muitos que se poderiam colher na dita obra e que correspondem a políticas em desenvolvimento que ou são criticadas ou omitidas na sua argumentação invectivante e adjectivante.

E são um pouco escusadas as picadelas que recuam a meados dos anos 70 quando Crato foi militante da UDP, algo que muito boa gente foi, ou parecido, desde logo aquele senhor que exportámos para a União Europeia até muitos daqueles que fazem parte de uma elite política com que SC estava disposto a partilhar um lugar à mesa de um possível Conselho de Ministros.

Assim como chamar populista com base numa postura populista tem o seu lado engraçado.

Santa Castilho já podia ter digerido melhor a frustração de há um ano atrás e ter passado para um patamar crítico menos toldado pela fúria e pelo orgulho ferido.

Já sei que alguns me dirão que esta minha postura é de defesa de Nuno Crato e motivada, por seu lado, por uma qualquer animosidade pessoal contra Santana Castilho. Há mesmo os que acham que o faço por causa de um inconfessado desejo de umas rapas de tacho.

Será uma opinião tão legítima quanto a minha, divergente, que considera que a crítica às políticas de Nuno Crato é tão fácil de fazer que não precisa de carregarmos no traço demasiado grosso do sarcasmo e da evidente ofensa de ordem pessoal (“supino da cretinice“, num trocadilho de escassa imaginação ou “relapso preguiçoso político” arrancam facilmente palmas da bancada quanto uma piada de gajas numa despedida de solteiro) para fazer valer um ponto de vista alternativo.

Até porque o currículo académico de Nuno Crato está anos-luz à frente do de muita outra gente que, em tempos passados, ocupou ou pensou ocupar o seu cargo actual.

Penso eu de que.

Aprendi ontem o que seria. As coisas que um tipo lê por amizade.

… no caso (hipotético) de algum aluno ter recebido um sms sobre o conteúdo de algum exame, apenas o recebeu por deferência e nem sequer respondeu.

Visão, 21 de Junho de 2012

Já confirmo se lá está tudo o que escrevi sobre a Educação.

Parece que há mais do que fumo. Espreitar o Público pela manhã…