É algo de que me vou apercebendo com os dias que passam depois do final das aulas dos 6ºs e 9ºs anos e da primeira parte da reuniões de avaliação, em que são lançadas as notas internas.

Confesso que a introdução dos exames e das novidades alterou pouco as minhas rotinas, mas é verdade que eu já pareço uma daquelas tartarugas dos Galápagos, velha e com um carapaça só permeável a mísseis ar-terra (por causa da gravidade, parece que caem com mais força).

Mas há quem tenha sentido um certo tremor, a nível individual ou de escola, e tenham disparado ainda mais as estratégias defensivas, em especial aquelas que se destinam a defender o interesse do todo sobre o dos indivíduos, neste caso dos alunos.

Ao introduzir, até acho que correctamente, no tal I.E.E (que o MEC chamou EFI, lá saberão porquê) uma fórmula com a diferença entre a classificação externa e a interna, o MEC acabou a, indirectamente, fazer muito bom aluno ficar com notas internas (e por consequência directa da fórmula final, na nota final) mais baixas.

Porquê?

Porque, na dúvida, é bem mais racional que agora muitos professores atribuam menos níveis 4 ou 5 a alunos que lhes não garantam um rendimento equivalente no exame. E é natural. Uma descida global de um nível em exame tem consequências negativas para o colectivo escolar.

E vai daí… um aluno que até teria 5 passa a ter 4 na  classificação interna e mesmo que tenha 5 no exame, fica apenas 4 como nota final. A escola ganha com isso (créditos horários), o professor (indirectamente) também e só o aluno se trama.

Porque com um peso de 25-30% do exame na nota final, se for com 4 fica com 4. Mesmo que durante os dois ou três anos (depende do 2º ou 3º ciclo) tenha sido aluno a justificar o nível 5.

Como sou irremediavelmente parvo, devo acabar a prejudicar a minha escola. Dos 25 alunos que irão a exame (numa turma de 27), 18 irão com nível 4 ou 5, aquele que eu acho que mereceram ao longo de seis períodos de aulas comigo, coisa para cerca de 350 delas, algumas na sala de informática para descomprimir e esquecer trabalhos. Mesmo que desçam um pouco, manterão o nível que acho que merecem. Aqui, os exames não lhes farão mal nenhum, a menos que passem de 5 para 3 ou de 4 para 2 e, nesse caso, merecem levar na cabeça. Mas, se apenas descerem um pouco (vamos imaginar… de média de 93% para um exame com 88%, o que equivale a descer de 5 para 4, ou de 73% para 68%, descida de 4 para 3), a nota final ficará aquela que eu atribui. Mas a verdade é que, se metade deles descer aquele pouquinho, a minha escola será prejudicada no cálculo do indicador coiso.

O exame não fará descer nota nenhuma.

Mas o medo com o tal indicador poderá fazer descer a nota interna de muita gente e, desse modo, distorcer negativamente a avaliação final.

É humano mas, como muita coisa humana, penso estar mal.

Mas vai acontecer. E, como de costume nestas coisas, o bem do colectivo pode fazer-se à custa do prejuízo dos indivíduos. Neste caso, os alunos.

E o império do colectivo não é apanágio nem de esquerda ou direita, ao contrário do que alguns gostam de fazer crer. É apenas fruto do desrespeito pelos indivíduss