É curiosamente errada a aparente táctica do MEC (a menos que o GAVE não esteja sob sua tutela) de terra queimada em relação aos exames deste ano, em especial na área da Matemática.

Não está em causa a introdução de maior rigor nos ditos, está em causa forma sectária e despropositada como isso está a acontecer.

Ao que parece a única preocupação é com a disciplina mater do ministro e as outras de pouco contam. Até as entradas no ensino superior parecem ter sido objecto de uma atenção selectiva e fortemente discriminatória, não existindo provas claras de uma imensa falta de formados nas áreas seleccionadas. Não discordo de alguma regulação na oferta de vagas nas universidades, mas discordo da sua concentração num canto específico do espectro académico.

Porque isto descredibiliza imenso as medidas, ao notar-se que esta afinidade electiva se estende a outras áreas como a escolha de coordenadores para certos projectos de trabalho para o MEC, em que se nota o privilégio de um núcleo restrito de pessoas ligadas à Matemática e às Ciências. Tendência que até está a transbordar do MEC para outras paragens.

Mas… voltando aos exames… o que se está a passar é que, por proselitismo, se está a terraplanar qualquer hipótese séria de um análise de médio-longo prazo dos seus resultados na área da Matemática (veremos o que se vai passar no Secundário), o que é especialmente gravoso quando se quer determinar o crédito horário das escolas com base nesses mesmos resultados. Ora… qualquer comparação entre os resultados deste ano com os do ano passado vai transformar em quase zero as possibilidades de ter um qualquer crédito horário relevante. Mesmo que em LP não se dê uma quebra sensível, a carnificina existente na Matemática – será o princípio da destruição criadora? – nas provas de aferição e nos exames do Ensino Básico tornarão a aplicação da fórmula do indicador de eficácia educativa mero instrumento do fim quase total do tal crédito horário.

Tudo com a agravante de se começar a tornar demasiado visível o sectarismo dominante na acção do MEC nesta matéria. Hiper-exigência em Matemática, enquanto no resto o GAVE continua entregue aos seus demónios eduqueses, como se viu pela formação em e-learning sobre a classificação de exames.

A credibilidade de um sistema de exames, alargado a cada vez mais disciplinas, não se consegue construir desta forma e dá argumentos aos que – mesmo sendo claramente minoritários – recuperam os velhos chavões dos anos 60 e 70 contra os exames, como se estivessem a redescobrir os pavés na praia.

Nuno Crato está a ser, por acção directa ou omissão displicente, o principal aliado dos seus adversários e de todos os que consideram essencial uma avaliação externa das aprendizagens feita com qualidade e coerência.

Pelo que se conhece da sua personalidade, essa não será uma preocupação que lhe tirará o sono ou a boa disposição.

Mas não deveria confundir de modo tão intenso a sua área académica de especialidade com o desígnio maior da Educação Nacional.