Quarta-feira, 13 de Junho, 2012


Roxy Music, Same Old Scene

Também por Sintra? Depois do prazo? Será só para 2013?

TVI, SIC, professores e Nuno Crato explicam os resultados das provas de aferição do 1º ciclo, os piores dos últimos quatro anos.

Redução em 20% no número de vagas das escolas superiores de educação.

A média nos testes intermédios de matemática do 9º ano desceu.

Podia explicar porque acho que a agenda é impermeável a desalinhamentos, mas nem vale a pena porque os murchitos andam por aí a arquivar tudo o que se escreve, quem comenta aqui, de onde são e para onde vão.

No Blog DeAr Lindo:

Carta a Mário Nogueira

 …enviada pelo peticionário da petição à UE e posterior queixa ao Tribunal de Justiça da UE.

Esta chamada de atenção de Jorge Costa vem no sentido de salvaguardar o tempo de serviço de cada um dos docentes de forma a encontrar mecanismos que permitam a vinculação dos docentes em função da sua antiguidade em detrimento de um mecanismo legal pela sucessiva renovação de contratos.

” Exmo. Sr. Professor Mário Nogueira

(…)

Passos Coelho em 18 de Dezembro de 2011:

Angola já foi, para muitas empresas portuguesas, uma oportunidade de crescimento alternativo ao mercado interno e ao mercado europeu. Tem sido assim, sobretudo nos últimos 5/7 anos. É muito pouco provável que haja capacidade em Angola para absorver muita mão-de-obra portuguesa. O que não quer dizer que não possa ainda vir a receber certo tipo de mão-de-obra muito qualificada em certos segmentos.

– Por exemplo?

– Em tudo o que tem a ver com tecnologias de informação e do conhecimento, ainda em áreas muito relacionadas com a Saúde, com a Educação, com a área ambiental, com comunicações. Todas estas que referi, além das tradicionais, que já lá estão implantadas e que têm que ver com infra-estruturas nos mais diversificados domínios, infra-estruturas rodoviárias, marítimo-portuárias, ferroviárias, logísticas. Como sabem, as empresas portuguesas, desse ponto de vista, não ficam a dever nada às grandes empresas estrangeiras que estão implantadas em Angola.

O MEC em 12 de Junho de 2012:

O Governo recomenda às universidades e politécnicos que “redistribuam” as vagas que têm disponíveis para poderem aumentar o número de alunos nos cursos de Ciências, Matemática, Informática e Engenharia.

Chegaram hoje. Daquela coisa em e-learning. Ficam aqui: CriteriosBPCAno2.

Alegadamente para cumprir a lei avança – em Mafra, claro! – uma parceria entre as escolas do concelho que permite aos directores salvar todos os lugares – por agora – e à autarquia assumir – eventualmente – um papel de supervisão global.

Afinal, aquele fumo de há umas semanas…

Teolinda Gersão

Escritora

Tempo de exames no secundário, os meus netos pedem-me ajuda para estudar português. Divertimo-nos imenso, confesso. E eu acabei por escrever a redacção que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas, mas as ideias são todas deles.

Aqui ficam, e espero que vocês também se divirtam. E depois de rirmos espero que nós, adultos, façamos alguma coisa para libertar as crianças disto.

Redacção – Declaração de Amor à Língua Portuguesa

Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito. “O Quim está na retrete” : “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.

No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum,o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento,e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.

No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.

No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela, subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?

A professora também anda aflita. Pelo vistos no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português, que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo, o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer. Dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)

Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou : a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens, ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.

E pronto, que se lixe, acabei a redacção – agora parece que se escreve redação. O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.

E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.

João Abelhudo, 8º ano, turma C (c de c…r…o, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática)

Será que a criatura lambeu?

Entretanto, vai-se fazendo colecção. Para memória futura.

E jogou quantos minutos?

E já estamos a meio da fase de grupos.

Não será ofensivo para os alunos que até vão às aulas, mas com problemas de aprendizagem que aconselham a sua retenção, ver atribuído o mesmo nível (2, dois) a quem não colocou os pés em qualquer aula durante a maior parte do ano?

Até que ponto pode ir a nossa demissão das responsabilidades na avaliação?

Filme produzido por alunos da ESE obtém 3º Lugar no “Curtas Igualdade”

😆

Fonte aqui.

A questão não é ter ou não ter canudo. É o nevoeiro.

É curiosamente errada a aparente táctica do MEC (a menos que o GAVE não esteja sob sua tutela) de terra queimada em relação aos exames deste ano, em especial na área da Matemática.

Não está em causa a introdução de maior rigor nos ditos, está em causa forma sectária e despropositada como isso está a acontecer.

Ao que parece a única preocupação é com a disciplina mater do ministro e as outras de pouco contam. Até as entradas no ensino superior parecem ter sido objecto de uma atenção selectiva e fortemente discriminatória, não existindo provas claras de uma imensa falta de formados nas áreas seleccionadas. Não discordo de alguma regulação na oferta de vagas nas universidades, mas discordo da sua concentração num canto específico do espectro académico.

Porque isto descredibiliza imenso as medidas, ao notar-se que esta afinidade electiva se estende a outras áreas como a escolha de coordenadores para certos projectos de trabalho para o MEC, em que se nota o privilégio de um núcleo restrito de pessoas ligadas à Matemática e às Ciências. Tendência que até está a transbordar do MEC para outras paragens.

Mas… voltando aos exames… o que se está a passar é que, por proselitismo, se está a terraplanar qualquer hipótese séria de um análise de médio-longo prazo dos seus resultados na área da Matemática (veremos o que se vai passar no Secundário), o que é especialmente gravoso quando se quer determinar o crédito horário das escolas com base nesses mesmos resultados. Ora… qualquer comparação entre os resultados deste ano com os do ano passado vai transformar em quase zero as possibilidades de ter um qualquer crédito horário relevante. Mesmo que em LP não se dê uma quebra sensível, a carnificina existente na Matemática – será o princípio da destruição criadora? – nas provas de aferição e nos exames do Ensino Básico tornarão a aplicação da fórmula do indicador de eficácia educativa mero instrumento do fim quase total do tal crédito horário.

Tudo com a agravante de se começar a tornar demasiado visível o sectarismo dominante na acção do MEC nesta matéria. Hiper-exigência em Matemática, enquanto no resto o GAVE continua entregue aos seus demónios eduqueses, como se viu pela formação em e-learning sobre a classificação de exames.

A credibilidade de um sistema de exames, alargado a cada vez mais disciplinas, não se consegue construir desta forma e dá argumentos aos que – mesmo sendo claramente minoritários – recuperam os velhos chavões dos anos 60 e 70 contra os exames, como se estivessem a redescobrir os pavés na praia.

Nuno Crato está a ser, por acção directa ou omissão displicente, o principal aliado dos seus adversários e de todos os que consideram essencial uma avaliação externa das aprendizagens feita com qualidade e coerência.

Pelo que se conhece da sua personalidade, essa não será uma preocupação que lhe tirará o sono ou a boa disposição.

Mas não deveria confundir de modo tão intenso a sua área académica de especialidade com o desígnio maior da Educação Nacional.

Para recordar o que foi dito:

Não são os funcionários públicos, as despesas com prestações sociais?
Há, de facto, uma reforma profunda da Administração Pública a fazer. Vivemos ainda com um sistema que vem do Dr. Salazar. O número de funcionários públicos vai diminuir porque as pessoas se vão reformando. O problema não é esse, é como trazemos para a Administração pública a gente melhor do país, e como pomos os serviços a funcionar com outra competência.

Mas com diminuição de salários?
Mas a diminuição de salários não é uma política, é uma urgência, uma emergência, não pode ser de maneira nenhuma uma perspectiva de futuro. Mas aquilo que se fez em Portugal nos últimos anos, foi um crescimento completamente disparatado dos salários, que não podíamos pagar e agora temos a necessária correcção.

A moderação salarial é o caminho para ganharmos competitividade?
Neste momento, não lhe podemos escapar e é uma ajuda fundamental para o país. Por exemplo, em Espanha, mesmo com 25% de desemprego, os salários continuam a subir, e portanto o desemprego vai continuar a aumentar.

António Borges, como muitos outros, é profundamente ignorante na disciplina (para eles menor) de História pois consegue ligar nas mesmas declarações que o sistema da administração pública é basicamente o dos tempos de Salazar e que os salários cresceram de forma disparatada. António Borges poderá saber de muita coisa, mas em História e Política é de uma ignorância que confrange.

Mas ele até terá a sua razão… num mundo em que o crescimento disparatado dos saláriose não se lhe aplica ou àqueles que sente como seus:

António Borges é especialista em frases infelizes Em 2004, numa entrevista ao Expresso foram várias de rajada. Uma delas relacionada com a sua mais recente “boutade”  de que “diminuir salários não é uma política é uma urgência”, que mereceu críticas do PCP ao CDS. Vale a pena recordar.   

Perguntava-lhe a jornalista da revista Ùnica do Expresso sobre os salários dos políticos. Borges respondia:  “a política tem de permitir aos políticos ter uma vida razoável. Não consigo perceber como é que alguém com o estatuto de um secretário de Estado consegue viver com os ordenados que eles vivem“.

Vou tentar ser claro: foram e são pessoas como António Borges que não fazem falta ao país e poderiam continuar o seu trajecto profissional, apresentado como de sucesso, lá fora.

Mas como certos diplomas e currículos, desde que tenham um toque amaricano, parecem cegar os a saloiada nacional que chega ao poder…

Basta ver o actual sucesso de alguma petizada liberal, criada em aviários universitários estrangeiros com o dinheiro dos papás e mamãs.

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