Lembram-se dos tempos em que, por questões estratégicas, foram criadas associações profissionais fantasmas para terem votos nas eleições da Federação Portuguesa de Futebol?

Ou quando certas organizações políticas decidiram criar organismos-satélites para dar a sensação de vaga de fundo de certas posições em algumas matérias mais sensíveis?

Ainda se lembram daquelas associações de amizade Cabeção do Meio/Havana? Ou Baleizão/Pyongyang?

Com o ME e Maria de Lurdes Rodrigues esse tipo de táctica, que deve muito a certas metodologias de alguma esquerda (afinal não fora ela criada nesse tipo de húmus a quem manteve um cordão umbilical via antigo guru?) que se multiplica não apenas em nicks pelos blogues que acham chatos, também teve o seu grande momento com a criação do Conselho de Escolas.

O argumento é que seria o veículo privilegiado para levar ao ME a voz das escolas, considerando-se que essa voz se faria sentir através de umas dezenas de conselheiros escolhidos endogamicamente entre os directores. Os mesmos que se sementaram depois na ANDE e ANDAEP.

E parece que algumas pessoas levaram a sério o que não passava de um organismo instrumental, micro-corporativo, destinado a fragmentar a representação atribuída aos professores nas negociações com o ME de então.

O Conselho de Escolas nunca representou as escolas e muito menos os professores.

Representou, apenas, um grupo restrito de profissionais da gestão escolar que, por muita estima e respeito que nos mereçam (ou não, em certos e determinados casos), não estavam ali para ter uma posição e voz próprias.

O actual presidente do CE, Manuel Esperança, parece estar chateado porque o actual ministro tem levado à prática a opinião que me pareceu sempre ter sobre tal órgão, ou seja, que não serve para nada de especialmente útil, devendo a sua existência a um truque socrático.

Sim, mais vale acabar. Mas acabar não apenas na enunciação, à espera que apareça alguém a lamentá-lo, assim dando razão a que continue, para alimento de alguns egos.

O Conselho de Escolas nunca serviu para nada, nunca representou mais do que alguns dos seus membros, em nenhum momento se assumiu como consciência crítica das escolas junto da 5 de Outubro. Serviu ao poder como ramalhete na lapela e a alguns conselheiros para se sentirem mais do que são. E só o perceberam quando começaram a ser agregados e dispensados.

Se o Conselho de Escolas desaparecer quase ninguém dará por isso e a Educação em Portugal ficará exactamente na mesma. Nem melhor, nem pior. Os seus efeitos são parecidos aos do paracetamol quando tenho dores de dentes: zero. Nem faz bem, nem mole.

Lamento se sou demasiado directo, mas é a verdade. O CE foi um instrumento da táctica de MLR para dividir os professores e os seus membros, em muitos casos, vaidosos companheiros úteis nesse caminho. Neste momento, não serve para nada, é incapaz de uma posição de força, inútil como lobby para além de (tentar) negociar os interesses de alguns directores. É ignorado como órgão consultivo porque qualquer reunião de um DRE com directores da sua área o substitui com ganho (‘).

Sim, deve acabar.

Sem grandes conversas, sem grandes alaridos.

Com o que pode restar-lhe de dignidade.

Acabar. Finar-se.

Auto-dissolver-se e enviar a conta para Paris ou para a FLAD.