Sábado, 9 de Junho, 2012


Clã, GTI

O final é particularmente bom…

… porque Portugal decidiu jogar só aos 70 minutos, depois de estar a perder. Não me interessa se depois falharam 5 golos feitos. Aliás, isso só faz com que a derrota seja mais merecida.

amanhã.

España pide un rescate de hasta 100.000 millones para la banca

Mas é para a banca, que para os desempregados é também um mar de oportunidades…

Não sei se haverá comentário em directo. A Canette, não sendo coisa de lampiões, costuma boicotar…

Que os portugueses sejam um povo de meros improvisadores, de génios escondidos que, perante uma crise, sacam de uma milagrosa solução para a catástrofe iminente.

Nem são um povo de formiguinhas trabalhadoras e laboriosas, ordeiras e sem imaginação, que se acomodam a tudo o que lhes cai em cima.

Os aparatos político-ideológicos, em cada momento da História, inventaram tradições e narrativas para explicar o destino nacional e a singularidade dos seus protagonistas.

Mas tudo é pouco mais do que uma produção a posteriori, destinada a prever retrospectivamente.

Os Descobrimentos não saíram do nada, foram resultado de explorações anuais, fracassos diversos, antes do sucesso mítico. A chegada à Índia, dobrado o Cabo das Tormentas, levou anos de preparação, não foi acto isolado, temerário, inesperado.

Na nossa História podem colher-se imensos exemplos de tudo um pouco, raramente de soluções milagrosas, láparos saídos de cartola felpuda.

Ainda hoje acho estranho que se evoque Sebastião como exemplo de salvação para situações-limite, quando o próprio não passou de um empreendedor fracassado, exemplo maior de um visionário prisioneiro de mitologias então já passadas, lançando-se em empresa mal planeada, recorrendo a outsorcing de meios humanos de baixa qualidade, qual pioneiro de parcerias público-privadas desastrosas para o destino nacional. Sebastião enterrou-nos ainda mais, não nos salvou de nada.

E é, no mínimo, caricato que tenha sido erguido à categoria de mito, quando deveria ser símbolo de asneira, desejoso de um sucesso sem alicerces, ambicionando conquistas para as quais não tinha meios.

Dando o natural salto quântico para o futebol, a evocação do sucesso improvável graças a acto isolado de génio (Eusébio em 66, Carlos Manuel em 1985, Figo em 2000, etc) apaga tanto insucesso conquistado com imensa incompetência (o deserto de apuramentos durante 20 anos mostrou que uma excepção não faz a regra, Saltillo em 86 demonstrou os limites do milagre do irmão do Cebola, as derrotas frente aos EUA e Coreia do Sul em 2002 o quanto a geração d’ouro também podia falhar perante equipas de 2ª linha) e brilhante falta de profissionalismo (o total descontrole naquele mesmo Euro 2000 na meia-final com a França).

Mourinho e Ronaldo (como Figo ou Eusébio) não se destacam por conseguirem sucessos episódicos, nascidos de inspirações poéticas ocasionais, mas por longo trabalho, treino e preparação. O seu génio nasce, também, de muita tentativa.

Neste particular, volto a evocar aqui o baixinho Roberto Carlos, defesa esquerdo do Brasil, que marcava aqueles livres completamente indefensáveis devido a trajectórias improváveis, mas apenas devido a horas de trabalho pós-treinos. Não foi acaso ou inspiração. Foi o resultado de trabalho, disciplina de treino, experimentação prévia.

O sucesso episódico e o momento singular de inspiração podem alimentar mitologias, mas não sustentam trajectos consistentes no topo. São excepções e não a regra. O verdadeiro sucesso é de quem consegue tornar o acerto uma regra, prosa constante e articulada e não apenas poema de passagem, mesmo que repetido de quando em vez.

Incluo os dados de hoje, mas podia ter incluído os da semana passada em que o Blog DeAr Lindo tomou a dianteira ou o de outros dias em que foi a vez do Professores Lusos. Cada um deles com uma capacidade de reacção, divulgação de informação e análise que responde ao interesse das pessoas e não de cliques instaladas ou a instalar no poder. Com uma energia que eu já não consigo manter em permanência.

A blogosfera docente não-mainstream, não povoada de equipas e colectivos com acesso a meios superiores, sem ministros, ex-ministros ou futuros secretários de estado e assessores, sem colunistas residentes e pagos pela imprensa respeitável, resultante de esforços praticamente individuais continua presente, activa e lida.

Isto incomoda muita, muita gente. Como outrora. Dos dois lados da mesa há quem se interesse em domesticar os chatos e fdp, calar o ruído, eliminar as vozes alternativas.

Aqueles que, como eu, são criatura sem fé é que precisam preocupar-se com o purgatório em vida.

O Bispo das Forças Armadas diz–se vítima de um “linchamento público” devido a ter criticado, na última quarta-feira, o primeiro-ministro.

Em declarações ao i, D. Januário Torgal garante serem “falsas” as notícias de ontem, que deram conta de que ganha quase 4500 euros por mês – ordenado superior ao de um deputado e o equivalente a nove salários mínimos nacionais. “É totalmente falso. Ganho pouco mais de 2500 euros”, garante o bispo, acrescentando que “metade” da sua reforma vai para o Estado. “Depois de uma vida inteira a trabalhar, praticamente metade do que ganho vai para o Estado, que depois não sabe gerir esse dinheiro: vai para espiões e para empresas privadas”, critica.

É vê-los a salivar pelo vislumbre de uma aliança com os herdeiros do engenheiro.

o BPN, o Banco Fidúciário Internacional, os homens do Dos Santos e, outra vez Cabo Verde

CGTP entregou a Cavaco texto com “inconstitucionalidades” da proposta do novo código laboral

A CGTP entregou hoje, na Presidência da República, um documento apontado “várias inconstitucionalidades” na proposta de alteração ao Código de Trabalho, actualmente em discussão pública, anunciou o secretário-geral, Arménio Carlos.

Não é que sirva de muito… mas ao menos finjam…

Peça de Patrícia Jesus no DN de hoje, na qual é preciso ser o Arlindo a dizer os números concretos de renovações de contratos este ano lectivo, que MEC e sindicatos parecem não querer contabilizar, por entre o falso não saber e o instrumental gritar muito.

Desemprego de diplomados na área da Educação duplicou em seis meses

Relatório do Ministério da Educação e Ciência mostra que em Dezembro de 2011 existiam mais de 63 mil diplomados desempregados. Os cursos na área de Ciências Empresariais são os que têm menos saída.

Mais um assunto que, escrevendo sobre ele, irrito o vespeiro.

Vamos lá a ver uma coisa… para o bem e o mal, depois de muitos tiros ao lado, este MEC tem contornado, com alguma habilidade, o problema negocial com aqueles que só chegam a acordo com quem tem a cor que lhes convém, arregimentando os que assinam quase sempre.

A organização do ano lectivo, assim como questões de rearranjo curricular, não me parece ser matéria de negociação com os sindicatos. A menos que tenham impacto evidente nas condições laborais dos docentes, no seu vínculo e consequências para a sua precarização.

O que até pode acontecer mas, infelizmente, se encontra enquadrado por legislação já antes aprovada por anteriores governos, que entreabriram a porta que este corre o risco de escancarar.

A legislação sobre mobilidade e a alteração do vínculo contratual dos “trabalhadores em funções públicas” não foi aprovado com o DOAL (despacho sobre a organização do ano lectivo). A porta já estava aberta. Agora… é um problema dos grandes.

Daqui deste cantinho onde escrevo, as regras para a organização do próximo ano lectivo irão conduzir a uma redução enorme dos contratados em exercício nas escolas portuguesas. Os números exactos dos professores a ficar sem lugar? Não é possível calcular com toda a certeza, até porque existe muito subemprego na docência… e menos 5000 horários podem significar menos 7000 horários, por exemplo. Ou menos 7000 podem implicar menos 10000 contratos… devido aos horários incompletos existentes…

Quanto aos professores dos quadros (qzp e quadros de escola ou agrupamento ou o que agora se chamam) haverá, dentro dos agrupamentos (outros dos objectivos dos mega) uma forte reorganização dos “recursos humanos”, em especial entre os vários ciclos de escolaridade, com especial importância entre os 1º e 2º CEB, mas também nos professores dos 3º CEB e Secundário.

A chave para a inexistência de muitos horários-zero está na coadjuvação no 1º ciclo e num novo modelo de AEC.

Mas isto desperta muitas resistências, produz muita perturbação e os reflexos nas condições de trabalho são evidentes. Resta saber até que ponto, caso não existam implicações nos horários e trabalho e vínculo contratual, isto é matéria de negociação obrigatória com os sindicatos.

É bom que, pelo menos alguns, testem se assim é.

Mas a verdade, pura e dura, é que tudo se vai resolver num plano macro, em que as decisões sobre a mobilidade dos professores serão decisivas (e quero acreditar que se irá optar por promover a mobilidade inter-ciclos, com o 1º CEB a funcionar como escape), e num plano micro, em que as decisões dos órgãos de gestão serão fulcrais para manter um mínimo de equidade e transparência nisto tudo (e aqui tenho muitos receios sobre a capacidade de muita gente com responsabilidades sobre a vida profissional e pessoal de terceiros).

Que a implementação de muitas destas medidas teria muito mais lógica num período de alguma prosperidade é mais do que óbvio.

Porque o desaparecimento de milhares de postos de trabalho na docência vai lançar muita gente numa situação de desemprego qualificado, sem alternativas viáveis, agravando o problema do desemprego e, por certo, agravando uma situação de crise social.

Achar que isto é uma oportunidade é ridículo e desrespeitador. Em especial por quem se agarra ao poder como lapas.

Achar que isto é matéria para fazer jogadas políticas é obsceno.

Estamos a falar da vida concreta das pessoas e isso não pode ser tratado como um joguinho entre quem tem sempre o seu lugar garantido. De um e outro lado da mesa das eventuais negociações.

Eles andarem por aí, sempre. É preciso ter paciência, meditação zen e tudo o mais. O ódio é imenso, a forma de intervenção a mesma de sempre. As tácticas usadas nos últimos tempos de puro terrorismo em on e off. Uma pessoa lê e admira-se com esta capacidade imensa de odiar o próximo, preferindo a tentativa de anulação de quem se considera um inimigo próximo, do que o inimigo do outro lado. Poderia dizer mais sobre coisas que se têm passado e que entram por territórios de grande podridão, mas chega a exposição da falta de carácter.

A derrota fez-lhes mal. Como assumi uma posição contra, a vingança vai sendo servida assim. Em tempos, tentaram aliciar. Mentiram, usaram de todo o tipo de agentes, inflitrados e a infiltrar. Como ainda ando por aqui, partem para a calúnia pública, anónima, tentando apenas destruir. Mas, cara a cara, são o que sabemos. Têm três anos para preparar nova derrota. Clamam por democracia e liberdade quando a não praticam e quando os seus se perpetuam nos cargos, da forma que criticam a outros.

São cobardes, claro. E ainda há os mentirosos que afirmam desconhecer isto. Um pouco como salazares que se esconderiam atrás de homens de mão para afirmar serem inocentes pelos crimes e assassinatos de delgados. São farinha de sacos semelhantes. Aprenderam com as tácticas uns dos outros.

Se isto fosse feito por alguém legítimo, sem ser a mando, eu comia e calava. Mas sabendo que é encomenda, apenas posso dizer que não conseguirão. Por muita lama que atirem.

Aprender chinês antes de saber ler e escrever