Nos últimos dias surgiu um renovado interesse em falar do Ensino Profissional como sendo (pela enésima vez) a solução ideal para parte dos problemas do nosso sistema educativo, para o encaminhamento de muitos jovens e para uma relação mais proveitosa entre a escola e o mundo do trabalho.

Não é novo este afã em recuperar o imaginário de um Ensino Profissional de sucesso, herdado dos tempos de algures, quando aprender um ofício garantia emprego.

Já não garante nada, mas isso é outra conversa.

O que a mim me irrita um pouco nisto tudo é que a expressão Ensino Profissional se tornou, como outras fórmulas mágicas de algum discurso em torno da Educação, um significante com escasso significado.

Chamar Ensino Profissional a certas coisas que aconteceram no sistema educativo nas últimas décadas é ofender o que já foi um conceito e uma prática interessantes.

É certo que há experiências positivas, na oferta pública e privada, mas é difícil falar de um verdadeiro Ensino Profissional entre nós e assim continuará a ser, a menos que se faça aquela coisa gira que é mudar de paradigma.

E isso só acontecerá quando se convencerem que o Ensino Profissional implica, para além de alunos inscritos para fugirem a outras opções ou porque os convencem que é o melhor para eles, a existência de uma oferta formativa com sentido e com meios humanos e técnicos que ultrapassem o atamancanço de muitas soluções disponíveis no mercado, com professores disto a fazer de formadores daquilo e a fingirem-se aulas práticas na base dos vídeos e coisas projectadas.

E há que existir uma ligação à (destruída) economia real de muitas zonas, a qual não se pode restringir a cafés, centros comerciais e pouco mais, agora que nem a tradicional IBM* já funciona.

Há cursos ditos profissionais ou a passarem por parecido que mais não são do que um engano completo para encher estatísticas e facilitar a avaliação de alguns órgãos de gestão, pois esse tem sido um dos parâmetros usados para valorizar as lideranças. Vender frigoríficos no pólo norte e areia no deserto é possível num mundo de oliveirasdefigueira, mas funciona mal na vida real. O mesmo se poderá dizer da aposta em sectores tradicionais, quando eles, mais do que tradicionais, se tornaram vagas memórias.

É certo que há que começar por algum lado, por isso mesmo vou esperar para ver… mas já estou de olho num sofá confortável e nuns snacks