… dificilmente passa pela concentração dos projectos educativo, pela subordinação de várias escolas com culturas (melhores ou piores) a um único órgão de gestão, com plenos poderes para impor a sua visão única em nome de uma accountability hierárquica e promotora de subserviência para baixo e para cima.

Mesmo não sendo eu um dos grandes arautos destes conceitos, por achar complicada a sua generalização entre nós, acho que a liberdade se define pela diversidade e que ela é tão mais necessária quanto se esteja em zonas afastadas dos grandes centros.

E a liberdade de escolha exerce-se escolhendo e não sendo encaminhado para trajectos únicos.

A opção deste Governo por continuar as políticas dos dois anteriores em matéria de concentração escolar e modelo único de gestão, agravando alguns dos seus erros mais evidentes e – em simultâneo – contradizendo os seus próprios princípios ditos liberais quando convém, significa que quase tudo o que antes diziam alguns dos seus membros eram fruto da ignorância ou apenas meros chavões incapazes de uma concretização prática.

A herança destas medidas será um sistema educativo público com menor diversidade, mais monolítico, com os centros de decisão mais afastados dos interessados, ou seja, menos liberal, igualitário no mau sentido e centralista a um grau nunca visto.

Que os defensores da liberdade de escolha o percebam apenas agora é pena, pois acabaram por aceitar, ou tomar como boas, algumas medidas danosas, na esperança de uma miragem que, por definição, é ilusória.

A menos que o verdadeiro plano seja o de saturar de tal modo as unidades de gestão e tornar indistintos os seus projectos, que a liberdade passe exclusivamente pela saída para o sector privado.

E nada se resolve com a nomeação, formal e informal, de grupos de trabalhos de professores universitários de Matemática e Ciências para acharem a fórmula mágica, a regra ou número de ouro, que tudo permita resolver através de uma enunciação simplista.

E muito menos se resolve com um encapsulamento mental em torno de ideias (mal) feitas, com origem em experiências pessoais de sucesso em outra década, outro século, algures, em outro contexto.