A discussão em torno do financiamento das escolas públicas e dos subsídios às escolas privadas com contratos de associação, com base num mítico custo médio por aluno deixa-me sempre espantado com o carácter socializante e igualitarista de alguns liberais.

Se fizermos um inquérito às necessidades alimentares médias da população portuguesa e, por hipótese meramente ilustrativa mas adequadamente ridícula, der o tal meio frango por habitante, vamos dar o mesmo meio frango aos bebés de seis meses e aos atletas de alta competição?

Calcular o custo médio por aluno não serve só para fazer comparações disparatadas, mas enquanto não se desagregar esse cisto médio por ciclo de escolaridade, por região ou concelho, por tipo de turma (regular, PCA, CEF)  por ramo de ensino (no secundário), etc, etc, tem uma utilidade limitada e perversa.

Como todas as médias, este é um valor que não existe em lado nenhum concreto e só serve para prejudicar quem mais precisa (escolas em zonas carenciadas, com necessidade de turmas caras e alunos que implicam maior investimento individual, como se passa com os alunos com NEE) e beneficiar os que menos precisam (escolas com turminhas regulares, chapa cinco).