Não vou pronunciar-me – já pareço um papagaio gago – sobre aquela tendência trotskista de alguma direita portuguesa pela aceleração da História sempre que querem implementar medidas de fim de trajecto, quando estamos a meio do caminho.

Vou apenas concentrar-me num daqueles detalhes aparentemente factuais que polvilham os artigos de opinião sobre Educação e que parecem provar, de forma definitiva, uma tese que – se analisarmos de perto – apenas se baseia em dados que…

Desta vez é Henrique Raposo que escreve:

Porque a social-democracia de países como Holanda ou Dinamarca é  rotulada de “neoliberalismo” em Portugal. Olhe-se, por exemplo, para o  sector da educação. Em muitos países da Europa, boa parte do ensino público é  prestado por colégios privados com contrato de associação com o Estado: Bélgica,  50%; França, 20%; Espanha, 25%; Malta, 24%; Reino Unido, 16%. E, na Holanda, 70%  das escolas são privadas, o que significa que a maioria dos alunos do sistema de  ensino público frequenta colégios privados. Por outras palavras, o Estado  holandês financia directamente o aluno, e não uma rede estatal de escolas. O  Estado social holandês garante o acesso à educação a todas as crianças, mas não  é o educador universal. Em Portugal, este princípio é visto como um ataque à  “escola pública” e demais blá-blá da espécie. 

É óbvio que, perante tamanhas certezas, o que aqui escrevo entra no blá-blá da espécie (seja isso o que for…). Só que eu gostaria que Henrique Raposo percebesse melhor o sistema holandês.

Não é verdade que financie directamente os alunos e não é verdade aquela percentagem de 70% não blá-blá, número cuja origem adivinho, mas espero ter sido encontrado em fonte credível.

O que existe na Holanda até pode ser numa percentagem maior, só que é um sector privado completamente financiado pelo Estado. Realmente isso não é neoliberalismo, é subsidiodependência do empreendedorismo privado. O que muda são apenas alguns aspectos da gestão, mas tudo o resto depende do dinheiro do Estado. Privado puro praticamente não existe.

Se em Portugal isso acontecesse acusariam os da espécie de comunismo: Já a mim este modelo de social-democracia parece-me demasiado dependente do dinheiro da teta do Estado.

O quadro seguinte é de uma publicação recente do projecto Eurydice.

O problema é o habitual… Análise pela rama, preguiça em ler as letrinhas pequenas…  e escrever com tanto preconceito quanto aquele que se critica.