E Vítor Gaspar já o transpôs. Em Outubro de 2011 não cometeu qualquer lapso, pois o que disse o foi o seguinte:

“O corte é temporário, [existirá] durante a vigência do programa de ajustamento [negociado com a 'troika'], esse período acaba em 2013″, disse o ministro das Finanças.

“Os subsídios fazem parte da remuneração dos funcionários públicos. Um corte nas remunerações só pode ser transitório”, acrescentou Gaspar.

“Num contexto de crise, fazer promessas incondicionais não é adequado”

O ministro escusou-se contudo a garantir taxativamente que os subsídios serão repostos integralmente a partir de 2014: “Num contexto de crise, fazer promessas incondicionais não é adequado. Não sabemos com precisão o que nos espera.” O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou na semana passada a eliminação dos subsídios de férias e de Natal para funcionários públicos e pensionistas que recebam mais de mil euros por mês.

E na conferência de imprensa de apresentação do OE para 2012 as coisas não foram muito diferentes (A garantia do tempo de vigência da suspensão dos subsídios encontra-se aos 14 minutos do vídeo), tendo mesmo VG falado em tom normal e não naquele estilo pausado, que teve graça nas primeiras semanas, admito-o. O problema é que, perante os protestos e a evocação das posições do PSD sobre as medidas dos governos do PS, se achou por bem aclarar que tudo terminaria em 2013. Há outras declarações, de que não encontro já o link exacto

Mas já na altura não seria assim. Apenas foi útil dizê-lo então. E Passos Coelho disse o seguinte:

Como sabem, a redução das pensões de reforma era uma medida prevista no Memorando de Entendimento. Tal como para os salários da Administração Pública e das Empresas Públicas, teremos de eliminar os subsídios de férias e de Natal para quem tem pensões superiores a 1000 euros por mês. As pensões abaixo deste valor e acima do salário mínimo sofrerão em média a eliminação de um só destes subsídios.

Esta redução é também ela evidentemente temporária e vigorará durante a vigência do Programa de Assistência. Mas não prescindimos do nosso compromisso de descongelar as pensões mínimas e atualizá-las.

Dizer agora que foi “um “lapso” garantir aos portugueses que os subsídios de férias e Natal voltariam a ser pagos após o resgate” é mentir com escasso pudor.

E Vítor Gaspar e Passos Coelho estão, obviamente, a mentir e sabem-no.

Podiam ter era arranjado uma forma de o explicar menos ofensiva para todos aqueles que tenham mais de 70-80 pontos de QI.

About these ads