Sábado, 17 de Março, 2012


Fleetwood Mac, Gypsy

Dinastia Sung

Esta noite há estrelas.
O ar é puro e frio.
A lua procura nas coisas
a sua herança perdida.

Uma janela, um ramo
florido – e basta:
Não há flor sem terra.
Não há terra sem espaço.
Nem espaço sem flor.

[Gunnar Ekelöf]

Tem circulado por mails e pela net nos últimos dias. Não a tendo recebido directamente ou através de quem conhecesse o caso pessoalmente, optei por não divulgar. Hoje, ao passar pelo Aventar, notei que o João Paulo conhecia a colega em causa e assim sendo, aqui fica, conforme me chegou em diversos mails…

Carta a professores, alunos, pais, governantes, cidadãos e quaisquer outros que possam sentir-se tocados e identificados.

As reformas na educação estão na boca do mundo há mais anos do que os que conseguimos recordar, chegando ao ponto de nem sabermos como começaram nem de onde vieram. Confessando, sou apenas uma das que passou das aulas de uma hora para as aulas de noventa minutos e achei aquilo um disparate total. Tirava-nos intervalos, tirava-nos momentos de caçadinhas e de saltar à corda e obrigava-nos a estar mais tempo sentados a ouvir sobre reis, rios, palavras estrangeiras e números primos.

Depois veio o secundário e deixámos de ter “folgas” porque passou a haver professores que tinham que substituir os que faltavam e nós ficávamos tristes. Não era porque não queríamos aprender, era porque as “aulas de substituição” nos cansavam mais do que as outras. Os professores não nos conheciam, abusávamos deles e era como voltar ao zero.
Eu era pequenina. E nunca me passou pela cabeça pensar no lado dos professores.Até ao dia 1 de Março.

Foi o culminar de tudo. Durante semanas e semanas ouvi a minha mãe, uma das melhores professoras de Inglês que conheci,  o meu pilar, a minha luz, a minha companhia, a encher a boca séria com a palavra depressão. A seguir vinham os tremores, as preocupações, as queixas de pais, as crianças a quem não conseguimos chamar crianças porque são tão indisciplinadas que parece que lhes falta a meninice. Acreditem ou não, há pais que não sabem o que estão a criar. Como dizia um amigo meu: “Antigamente, fazíamos asneiras na escola e quando chegávamos a casa levávamos uma chapada do pai ou da mãe. Hoje, os miúdos fazem asneiras e os pais vão à escola para dar a dita chapada nos professores”. Sim, nos professores. Aqueles que tomam conta de tantos filhos cujos pais não têm tempo nem paciência para os educar. Sim, os professores que fazem de nós adultos competentes, formados, civilizados. Ou faziam, porque agora não conseguem.

A minha mãe levou a maior chapada de todas e não resistiu. Desculpem o dramatismo mas a escola, o sistema educativo, a educação especial, a educação sexual, as provas de aferição e toda aquela enormidade de coisas que não consigo sequer enumerar, levaram deste mundo uma das melhores pessoas que por cá andou. E revolta-me não conseguir fazer-lhe justiça.

Professores e responsáveis pela educação, espero que leiam isto e acordem, revoltem-se, manifestem-se (ainda mais) mas, sobretudo e acima de qualquer outra coisa, conversem e ajudem-se uns aos outros. Levem a história da minha mãe para as bocas do mundo, para as conversas na sala dos professores e nos intervalos, a história de uma mulher maravilhosa que se suicidou não por causa de uma vida instável, não por causa de uma família desestruturada, não por dificuldades económicas, não por desgostos amorosos mas por causa de um trabalho que amava, ao qual se dedicou de alma e coração durante 36 anos.

De todos os problemas que a minha mãe teve no trabalho desde que me conheço (todos os temos, todos os conhecemos), nunca ouvi a palavra “incapaz” sair da boca dela. Nunca a vi tão indefesa, nunca a conheci como desistente, nunca pensei ouvir “ando a enganar-me a mim mesma e não sei ser professora”. Mas era verdade. Ela soube. Ela foi. Ela ensinou centenas de crianças, ela riu, ela fez o pino no meio da sala de aulas, ela escreveu em quadros a giz e depois em quadros electrónicos. Ela aprendeu as novas tecnologias. O que ela não aprendeu foi a suportar a carga imensa e descabida que lhe puseram sobre os ombros sem sentido rigorosamente nenhum. Eu, pelo menos, não o consigo ver.

E, assim, me manifesto contra toda esta gentinha que desvaloriza os professores mais velhos, que os destrói e os obriga a adaptarem-se a uma realidade que nunca conheceram. E tudo isto de um momento para o outro, sem qualquer tipo de preparação ou ajuda.

Esta, sim, é a minha maneira de me revoltar contra aquilo que a minha mãe não teve forças para combater. Quem me dera ter conseguido aliviá-la, tirar-lhe aquela carga estupidamente pesada e que ninguém, a não ser quem a vive, compreende. Eu vivi através dela e nunca cheguei a compreender. Professores, ajudem-se. Conversem. E, acima de tudo, não deixem que a educação seja um fardo em vez de ser a profissão que vocês escolheram com tanto amor.
Pensem no amor. E, com ele, honrem a vida maravilhosa que a minha mãe teve, até não poder mais.

Sara Fidalgo

P.S. – Não posso deixar de agradecer a todos os que nos ajudaram neste momento de dor *

Passos Coelho afirmou hoje que não há “nenhuma incompatibilidade”, quer legal, quer política, entre as funções que António Borges vai desempenhar na Jerónimo Martins e na Parpública.

Nem Passos Coelho é jurista, nem o seu governo se vai mostrando especial autoridade em matéria de nomeações.

António Borges (ex-Goldmann Sachs, ex-FMI, ex-esperança para a liderança do PSD, ex-candidato a qualquer coisa no Governo) precisa ser arrumado e bem arrumado, para ficar satisfeito, calado e bem remunerado. Assim… nada como acumular o que bem entende, com o beneplácito dos defensores do Estado Magro que cortam nas pensões dos funcionários, mas aceitam que quem vai avaliar as privatizações possa acumular a remuneração generosa por essa função (consta que na ordem dos 25000 euros mensais) com cargos em grupos económicos potencialmente interessados nessas mesmas privatizações.

Com João Carrega, do Ensino-Magazine, e João Ruivo, mais o Garrido a abrilhantar.

Sim, cada vez mais estou em formato XXL.

Nunca pára, está sempre em movimento (pelo menos a língua), tem sempre uma ideias esotéricas para espalhar, aquilo é sempre fumo a sair pela chaminé!

Eleição direta de presidentes das Juntas Metropolitanas é “começar pela chaminé” diz Miguel Relvas

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, considera que avançar já com a eleição direta dos presidentes das Juntas Metropolitanas seria “começar a casa pela chaminé”, defendendo a definição prévia das competências.

“Se eu começar pela eleição, estou a começar pelo lado esotérico da coisa, que é o lado da disputa política”, afirmou o ministro em entrevista a difundir às 23:00 de hoje no Porto Canal, acrescentando: “nunca começo uma casa pela chaminé”.

A disputa política é esotérica?

E começar por uma eleição é começar pela chaminé?

A mim não incomoda nada. Ao Relvas não consegue chegar. Ao Gaspar resta saber se chegou. Ao Pedro só incomoda porque ele não quer dar parte de fraco e começar a remodelar logo um supé-ministro.

Seja como for, o ministro Álvaro é um manancial para piadas girérrimas…

Álvaro Santos Pereira: “Se eu fosse um ministro fraco, incomodava tanto?”

Que de forma alguma a transparência democrática prejudique os negócios amigos.

Passos Coelho: Inquérito no Parlamento não pode dificultar venda do BPN ao BIC

Aliás, os angolanos são claros e simples em relação a qualquer contrariedade.

Mota-Engil é campeã das obras nas escolas

Empresa de Jorge Coelho ganhou 162 milhões com adjudicações da Parque Escolar.

A construtora gerida pelo antigo ministro das Obras Públicas arrecadou mais que a 2.ª e 3.ª classificadas em conjunto.

Pessoalmente, gostaria que a Mota-Engil estabelecesse umas parcerias com escolas carenciadas em que pudesse usar parte dos seus lucros de uma forma socialmente responsável.

Charneca de Caparica

Esta freguesia, uma zona à partida com todas as condições para ser privilegiada, tornou-se um espaço sujo, degradado e pouco recomendável para quem procura ter saúde e qualidade de vida, devido à falta de limpeza, de manutenção e de civismo de algumas pessoas.

Por isso, convidamos os Moradores a estarem presentes, no domingo, dia 18 de Março, pelas 11 horas, no passeio em frente ao salão de festas O Pavão (junto à rotunda da Quinta do Texugo e da Quinta de Santa Teresa).

Vamos comunicar ao deputado municipal Luís Filipe Pereira, os problemas que sentimos na nossa Zona e pedir-lhe que tome as diligências necessárias para a sua resolução.

Um grupo de moradores

Março de 2012

Fotos da última situação de abate de pinheiros na zona da Arriba Fóssil (enviadas pela Helena F.):

Mas a minha Telefunken de herança materna está no lugar. O resto é irrelevante

Expresso, 17 de Março de 2012

Já que tão bem soube defender o relativismo dos crimes de J. Kony?

Responsável da campanha “Kony 2012” preso por se masturbar

Jason Russell tornou-se famoso com o vídeo “Kony 2012“, onde denuncia as atividades da milícia africana liderada por Joseph Kony, que escraviza e explora crianças.

Como Assange, eis aqui outro alvo fácil para a grande coligação em torno da opacidade.
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Lema e moral da História: mata, mas não te masturbes.  Ou: Ddroga-te, mas não vandalizes propriedade alheia sem ser num motim com a cara tapada. Nesse caso terá certificação de qualidade  rebeldiadanieloliveira, patrocinada pelo vulto mais inteligente do situacionismo social-democrata, com laivos avermelhados, nacional.

1989