Ainda os salários dos professores. O relatório da OCDE tem mais quadros e alguns mais complexos do que aqueles que são mais rápidos a ser assimilados para títulos fortes.

E há ainda os quadros que, na sua letal objectividade, enganam imenso. Ou não. Tudo depende de sabermos o que está na base de certos números.

Vejamos o quadro seguinte:

A primeira conclusão (uma que é repetida há muito) é que os professores no topo salarial da carreira ganham muito mais do que os professores na base.

E os dados do lado esquerdo parecem confirmar: o ratio do topo em relação à base é de 1.76, acima da média da OCDE (1.64) e de um conjunto de 21 países da UE (de 1.57 a 1.61).

O problema é que…

… actualmente no topo salarial da carreira (10º escalão, índice 370) não está qualquer professor.

O que significa que aquele valor (1.76) é puramente fictício. Resulta daquele escalão que foi incluído na revisão da carreira mas a que ninguém ainda chegou ou penso que chegará alguma vez.

Por outro lado, se espreitarmos para as colunas da direita encontramos o valor da remuneração da hora de trabalho dos docentes nos vários países e as médias da OCDE e UE, com as adaptações estatísticas necessárias para comparações.

Já repararam que, espantosamente para quem afirma que são uns privilegiados, os professores portugueses recebem razoavelmente menos do que a média?