Quarta-feira, 14 de Março, 2012


O spin é uma coisa matemática; o que preocupa é, de repente, aplicar-se a tudo. Assim como a velocidade da luz, que ninguém explica, explicar a caganeira.

Yuck, Shook Down

Vá lá. Vamos lá ser corporativos de novo. Já que ninguém puxa por nós e não encontra os quadros adequados a valorizar os docentes zecos cá do torrão, vamos lá até perto do final do relatório e vejamos como é que os instalados e acomodados docentes nacionais reagem à questão da formação.

O mais certo é serem uns mandriões, sempre na zona de conforto.

Ou não?

A sério?

Espantoso… os professores portugueses são dos que fazem mais formação nesta comparação e dos que gostariam de ter feito ainda mais.

Quem diria!!!

E ninguém deu por isso?

Insisto. O relatório Preparing Teachers and Developing School Leaders for the 21st Century – LESSONS FROM AROUND THE WORLD tem mais de 100 páginas e muitos quadros.

Alguns de leitura menos rápida do que um histograma simples. E quadros estatísticos que até permitem algumas comparações interessantes, assim como verificar a evolução de certos indicadores.

Reparemos, por exemplo, perto do final, na evolução do horário dos professores, das horas que têm de leccionar e/ou estar na escola. A verdade é que a evolução na última década foi brutal, O acréscimo de horas de trabalho foi de cerca de 20% e se antes de 2005 estava abaixo das médias da OCDE e da UE, agora está uns bons 10% acima.

Pelo caminho, houve congelamento de progressões, redução salarial e corte de subsídios. Algo que não está contido sequer nos dados de 2009.

Mas as horas de trabalho não foram reduzidas.

Assim sendo porque será que, em 2012, se publicitam tanto dados completamente desactualizados e se destacam esses, não os contextualizando devidamente?

Ainda os salários dos professores. O relatório da OCDE tem mais quadros e alguns mais complexos do que aqueles que são mais rápidos a ser assimilados para títulos fortes.

E há ainda os quadros que, na sua letal objectividade, enganam imenso. Ou não. Tudo depende de sabermos o que está na base de certos números.

Vejamos o quadro seguinte:

A primeira conclusão (uma que é repetida há muito) é que os professores no topo salarial da carreira ganham muito mais do que os professores na base.

E os dados do lado esquerdo parecem confirmar: o ratio do topo em relação à base é de 1.76, acima da média da OCDE (1.64) e de um conjunto de 21 países da UE (de 1.57 a 1.61).

O problema é que…

… actualmente no topo salarial da carreira (10º escalão, índice 370) não está qualquer professor.

O que significa que aquele valor (1.76) é puramente fictício. Resulta daquele escalão que foi incluído na revisão da carreira mas a que ninguém ainda chegou ou penso que chegará alguma vez.

Por outro lado, se espreitarmos para as colunas da direita encontramos o valor da remuneração da hora de trabalho dos docentes nos vários países e as médias da OCDE e UE, com as adaptações estatísticas necessárias para comparações.

Já repararam que, espantosamente para quem afirma que são uns privilegiados, os professores portugueses recebem razoavelmente menos do que a média?

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