… que é, de longe, um dos mais lúcidos analistas da realidade nacional.

Eu acrescentaria, com cinismo, que muito deste activismo se desmobiliza com uma distribuição criteriosa de convites e apoios à investigação, cá ou lá fora.

Nada que um grupo de trabalho do Relvas não resolva com os recursos do Estado Magro ou com uns telefonemas.

O problema de certas contestações cosmopolitas é que se esgotam rapidamente no happening, na formação de um grupo orgânico para ser recebido pelas instâncias, para prestar declarações às câmaras de televisão e esfumar-se quando não são olhadas.

Há quem vá ao engano, engrossando as fileiras, mas a vanguarda é igual à de outrora. Basta olhar para os grandes contestatários dos anos 60. É tudo de deputado, catedrático ou sócio maioritário de escritório de advogados com muitos ajustes directos para cima.

Não precisavam ser contestatários permanentes, bastava não terem criado uma oligarquia dominante similar à anterior, com abertura apenas para os arrivistas e ambiciosos úteis que, por seu turno, recriam um novo establishment.

Se isto é um desânimo de rendição, uma declaração de desconfiança em relação a qualquer luta ou contestação de massas?

Talvez sim, talvez não. Apenas a expectativa de não ser, sucessivamente, surpreendido pela negativa pelos actores.

“Geração à rasca acabou na Betesga”

O professor de Ciência Política considera que o movimento “Geração à Rasca” “encheu a Avenida da Liberdade, desaguou no Rossio”, mas perdeu força e “acabou na Betesga”. Foi, ainda assim, um dos factos do ano, considera.