Na Visão de hoje pode ler-se que aquele senhor que chefiava o serviço de coscuvilhice nacional mantinha no seu telefone pessoal dossiers completos sobre numerosas figuras públicas e que os manteve (claro!) mesmo depois de ter saído do cargo.

Isto é inadmissível, porque isto significa que um qualquer sicrano trata como seus os dados recolhidos por uma organização destinada (teoricamente!) a preservar a segurança nacional.

E abre a porta a um poder pessoal imenso para pressionar muita gente.

Isto foi possível e nem sequer espanta.

Nem espanta que este tipo de poder se assemelhe ao de um qualquer chefe de uma secreta de uma ditadura. Ou de um obcecado com J. Edgar Hoover.

Que segurança existe que este homem não tenha espalhado informações privadas acerca de qualquer pessoa investigada pelo SIED? Para que precisava de trazer tais dados consigo?

O problema é que nada mudará, talvez o sucessor seja mais discreto, mas quase tudo continuará a assim ser enquanto o serviço público for encarado como uma plataforma para outras coisas. Mesmo em sectores altamente sensíveis.

Não sei qual o regime jurídico aplicável, mas certamente será compreensivo para com este tipo de condutas. Pessoalmente, acho que o castigo deveria ser exemplar e que todos aqueles associados à teia de poder deste homem deveriam ser banidos de qualquer contacto e/ou contrato com o Estado. Porque é mais do que legítima a ideia de que quem pactua com isto algo tem a esconder.