Na prática cresci já nos pós-25 de Abril. Não sou daqueles que se gabam de, ainda de cueiros, terem ajudado a derrubar o Estado Novo que já era velho.

Quando cheguei oficialmente à idade adulta (1983) levei com o Bloco Central em cima e daí para cá a coisa melhorou pouco ou nada em matéria de cólidade, mesmo se das combinações de gravatas às bolinhas com camisas às riscas do Mota Pinto aos fatos armandos de José Sócrates a imagem teve a sua evolução.

As gerações anteriores à minha, de uma forma ou outra, souberam apresentar-se como heróicas resistentes à ditadura e ao fascismo, apenas mudando os tons da retórica para se afirmarem como detentoras de uma especial autoridade politica e de um crédito especial para exercerem o poder desde então. Lutaram contra Salazar e a PIDE! Na ausência dele contra a Ditadura e o Marcelo que também era Fascista, ou mais ou menos.

Por isso mesmo, acho uma tristeza que a minha geração, mas em especial as que se vão seguindo, quando quiserem exibir currículo de resistência a qualquer coisa, ter(em) de apresentar do outro lado figuras tão empolgantes e carismáticas como um Relvas e antes deles um Silva Pereira ou um Morais Sarmento ou mesmo um Vitalino Canas, um Dias Loureiro, um Duarte Lima. Mesmo subindo ao escalão dos PM, ficamos com os Pedros, os Engenheiros, o Cherne, o Aníbal que acabou com uma aposentação de indigência. Uma tristeza pegada.

Como fazer, na meia idade avançada, para a malta seduzir as garinas ou balzaquianas impressionáveis?