Daniel Oliveira escreve uma prosa coerente com a sua posição ideológica sobre a Educação. É uma espécie de anti-Crato, cheio de ideias fofinhas acerca da Educação, com que discordo em grande parte. Mas não tenho grande interesse em polemizar com quem julga tudo saber e comete erros básicos sobre o currículo; afinal, existe Educação Musical no 3º CEB ao contrário do que ele afirma, em regime de opção e existem disciplinas “artísticas” sempre que há docentes para as assegurar, incluindo Expressão Dramática – sei que existe por contacto directo, pois tem feito parte da oferta da minha própria escola, pelo que será difícil desmentir.

Mas Daniel Oliveira escreve, repito-o, de forma coerente com uma concepção social-democrata da esquerda em que o materialismo, afinal, não encara a Educação como mero aparato para a produção de futuros trabalhadores.

O meu problema, antigo, corporativo nas suas palavras sempre justas e imparciais, com Daniel Oliveira (pelo menos desde o episódio do telemóvel na Escola Carolina Michaelis em que ele rapidamente condenou a incompetência da professora envolvida, sem provas adicionais para além das que recusa que sejam, usadas contra políticos) é que ele não consegue deixar de revelar o seu preconceito sistémioco contra os professores no seu geral.

Mesmo num texto sobre o ministro Nuno Crato consegue inserir uma passagem bem reveladora da condescendência generalizadora com que encara o desempenho dos professores. Como se ele fosse uma divindade que pairasse por sobre todas as aulas do país:

a capacidade de argumentação– incluindo a retórica e a qualidade da expressão oral, que, ao contrário do que acontece na cultura anglo-saxónica, é desprezada na nossa escola em detrimento da escrita como tão bem se nota na qualidade média das aulas ministradas. Sem elas, seremos meros executores e burocratas incapazes de continuar a aprender.

Como é que Daniel Oliveira sabe qual é a qualidade média das aulas ministradas? E refere-se a todas as disciplinas? É uma média de que tipo? Assim a olhómetro, a partir do centro de Lisboa, em conversa com os colegas das tertúlias blogosférias e comunicacionais? Com base no seu contacto com professores bloquistas ou refere-se à massa de professores que ele considera herdeiros do ensino do Estado Novo, mesmo se são mais jovens do que ele?

Andámos nós a discutir anos um modelo de ADD e afinal bastava aplicar um sistema de danieisoliveiras nas escolas (quiçá apenas ele mesmo como big brother a analisar vídeos no YTube recolhidos nas aulas com indicações, sei lá, de uma câncio) para a qualidade das aulas poder ser aferida com rigor médio e uma celeridade pasmosa.

A única vantagem é que, assim, a porta fica aberta para qualquer um avaliar a qualidade média dos opinadores politicos do Expresso/SICN e considerar que ela se baseia apenas no poder de argumentação, na criatividade, mas escassamente nos conhecimentos. Mas fazendo isto de forma vaga, generalizadora e em forma de chuveirinho, para não se ser acusado de ataque ad hominem, que é feio e vai contra as regras de etiqueta da boa opinião.

O que, em boa verdade, até é a realidade observada semanalmente… muito estilo, pouca substância.