Crato vai debater reforma curricular com directores de escolas

O ministro da Educação e equipa começam na próxima quarta-feira a reunir-se com os directores de escolas de todo o país para discutir a proposta governamental de revisão curricular do ensino básico e secundário.

Nuno Crato começa por Beja e Faro na próxima quarta-feira a receber propostas e sugestões dos directores de escolas para a discussão pública da proposta, que o ministério quer ver concluída até fim do mês.

Consultar apenas os directores vai acentuar o divórcio existente entre os professores e as estruturas de mando em presença na Educação.

Nuno Crato sabe, certamente, que sem a colaboração activa dos professores (que globalmente não se sentem representados por muitos directores) nenhuma reforma avança com sucesso. E que eleger os directores como interlocutores privilegiados pode ser um erro enorme, pois acentua a sensação que se quer reforçar a sua função de delegados do MEC nas escolas. E eles,a nível da reforma curricular, querem principalmente saber como agir com a malta que é para lançar borda fora.

O MEC pode responder que é impossível fazer uma consulta alargada aos professores.

Errado. Se lhes tem sabido fazer chegar um boletim de informação e propaganda, também lhes conseguiria fazer chegar um inquérito. Responderia quem quisesse e existiria, pelo menos formalmente, uma consulta às bases. E poderia fazer o mesmo às associações de pais e outros agentes educativos, não se limitando a consultar as cúpulas.

Assim, temos apenas a conversão ao método MLR, tal como preconizado numa recente entrevista do director Adalmiro da Fonseca, saudoso do convívio fraterno com o poder político.

Os directores devem ser consultados. Mas que isso nunca venha a ser apresentado como uma consulta às escolas e aos professores.