Há sempre um detalhe que os apologistas dos rácios tipo-OCDE (é verdade, para quando a retomada pelo actual Governo dessa prática gira dos Governos anteriores?) se esquecem sempre.

Se os alunos diminuíram à farta e os professores aumentaram a rodos, então é de esperar que existam turmas mais pequenas, certo? Porque os alunos estão, dessa forma, mais divididos por turmas mais pequenas, certo?

Seria essa a lógica.

Mas… infelizmente não é assim.

De acordo com a própria OCDE a evolução da dimensão das turmas foi a seguinte entre 2000 e 2009:

Se atentarem nos quadros, mesmo quem tenha poucas sinapses funcionais, percebe que Portugal está na média da amostra e que não houve especial evolução na dimensão das turmas.

Isto deveria fazer os defensores dos rácios pensar na razão porque isso acontece.

As principais são simples e já me cansei de as repetir:

  • Muitos professores asseguram nas escolas muitas horas de funções que não a docência, devido à falta de outro pessoal qualificado.
  • Aumentou o número de disciplinas e de horas no currículo e, logicamente, isso acarreta que sejam necessários mais professores mesmo que o número de alunos não aumente. E os Conselhos de Turma, no 3º CEB e Secundário, aumentaram por isso mesmo E, já agora, seria útil perceber-se que a criação de algumas dessas disciplinas não foi decretada pelos próprios professores.

Quem quiser analisar a coisa com mais atenção, pode espreitar o ficheiro em Excel que o Maurício me enviou: Average class size in primary education (2000, 2009).

Quando se apresentam quadros com linhas dramaticamente divergentes entre o número de alunos e professores seria interessante que se fizesse a seguinte interrogação: e porque não se reflecte nada disso nas salas de aula?

Mas para isso é preciso andar cá e não em consultas pelo Dubai… ou a olhar apenas para números, estudar variáveis e desconhecer completamente o que elas representam na vida real.

 

 

Advertisements