Terça-feira, 20 de Dezembro, 2011


Hoje em moldes diferentes, cortesia do Luís Guerreiro. A acompanhar com qualquer base de um fado tradicional de Lisboa, daqueles que parecem sempre o mesmo, apesar de património imaterial e tal.

Fado do Paineleiro #2

Para pagar os comprimidos para o meu cão que é cardiaco,
… Ando práqui a pintar a preços baixos.
Devido à crise que assola a minha Pátria,
Sou obrigado a praticar o “Downpricing”

Voltei a praticar os preços de 1998,
E digo isto sem alegria.
Para os clientes é muita louyco
Comprar os meus azulejos, na escudaria.

Mesmo assim ainda regateiam os preços,
E o que querem mesmo é o mais barato.
Voltei aos preços de antigamente,
Porque a malta não tem dinheiro nem pró tabaco…

Neste drama português,
Já pensei em emigrar,
para Angola e ser um Soba!
Mudei de ideias quando me falaram que lá,
Tinha de ter dinheiro prá “Gasosa”

Minha CRUZ

Uma família contrata uma governanta, não vem agora ao caso o porquê.
[…]
A governanta, tendo dificuldade em dar conta do recado, encontra a solução: diminuir a família.

Despacho 17019_2011. Profissionalização em serviço.

Escrito ainda nos anos 90, esperou muito tempo para ver uma versão, mesmo assim abreviada, em letra de imprensa. Há que esperar e não desesperar.

Um destes dias tenho de ter paciência para rever o raio da tese e ir em busca de quem acolha uma versão resumida.

Enviada o mês passado e que agora me chegou, por mail da própria autora:

Ex.mo Senhor
Ministro da Educação e Ciência

Assunto: Reconduções de contratados

Eduarda Gonçalves, professora contratada de Língua Portuguesa, natural de Ponte da Barca, em atividade , até 31 de Agosto de 2012, na Escola Básica Dr. Rui Grácio – Sintra, 12 anos de tempo de serviço, e possivelmente desempregada no próximo ano letivo, venho por este meio tentar sensibilizar o Senhor Ministro para a injustiça das reconduções de professores contratados.

Talvez seja importante referir que 8 desses 12 anos foram passados a servir a minha pátria , a Língua Portuguesa, em Cabo Verde, ao abrigo da cooperação. Eu sei que, para o português comum, Cabo Verde talvez seja sinónimo de férias paradisíacas, mas esses anos nada tiveram de paradisíaco, pois estava bem longe dos catálogos promocionais das agências de viagens. Falta acrescentar a esta estadia, uma criança de seis meses, que aprendeu como primeira língua o crioulo, que frequentou os primeiros anos de escola, numa turma de 42 alunos, num espaço exíguo, com livros e cadernos sem cor, com intervalos preenchidos de lanches rodeados de moscas e brincadeiras ausentes de baloiços e escorregas. Perguntar-lhe-ão se foi feliz. Garanto que sim.

Após oito anos de num país muito diferente da sua pátria, este menino regressou à dita pátria e recomeçou uma vida diferente, certamente melhor, pensarão alguns, pois recebeu um computador, tinha aulas de Educação Física numa piscina, livros cheios de cor……..Desses dias, fica-me para a vida a pergunta inocente que me lançou : Mãe, a minha escola é um colégio privado?” .
Com este menino regressou também a sua mãe, que, oito anos antes, partira com ele no regaço e com a esperança de voltar um dia, proporcionando-lhe um futuro melhor. Ainda não nos tínhamos instalado e tivemos de partir novamente, pois ficara colocada no Algarve e era lá que recomeçaríamos a nossa vida, continuando longe de casa, mas pelo menos com trabalho. No três anos seguintes , repetiu-se a situação, novo recomeço, mas com trabalho. E sempre que era confrontada com a questão “Mãe, este ano vou para outra escola?” eu respondia categoricamente “Sim, a mãe precisa trabalhar”.
Em Setembro de 2011, repetiu-se a pergunta”Mãe, este ano vou para outra escola?”, à qual respondi :” sim, mas desta vez regressamos a casa, porque a mãe não tem trabalho”(só fiquei colocada no dia 12 de Setembro).
Hesitei durante algum tempo em escrever a Vossa Excelência, decidi fazê-lo hoje ,porque cada dia que passa sinto-me invadida por sentimentos de indignação, revolta, insegurança…. Sinto-me desrespeitada, e sobretudo injustiçada, pois há gente com metade do meu tempo de serviço, metade dos meus sacrifícios, metade da minha luta, a trabalhar perto de casa e na mesma escola há três anos, porque tiveram a felicidade de ser reconduzidos, porque tiveram a felicidade de trabalhar numa escola com horário para eles……Como posso eu conformar-me com o facto de trabalhar ou não, sustentar o meu filho, depender do fator sorte? Recuso-me a aceitar o fado, tão português, como culpado da falta de justiça de que se reveste a colocação de professores. Ainda não desesperei por completo, porque não me abato facilmente e porque tenho um filho para criar com justiça ou sem ela.
Senhor Ministro, porque ainda não desisti de acreditar, porque ainda sonho com um mundo melhor e sobretudo mais justo espero que os decisores políticos ajam com justiça e terminem com as reconduções dos professores contratados.

Grata pela atenção dispensada

A professora
Eduarda Gonçalves

Porque será?

O Grupo de Protesto dos Professores Contratados e Desempregados, que pernoitaram no Palácio das Laranjeiras no final de Setembro e que têm continuado activos na denúncia do maior ataque à escola pública e aos professores em Portugal, apela para a subscrição da Declaração de Repúdio pelas afirmações inaceitáveis de Pedro Passos Coelho.

Os professores protestam esta quarta-feira, dia 21 de Dezembro, às 17h, em frente à Residência Oficial do Primeiro Ministro, sob o lema “Emigra tu!”

Afinal no fim de semana passado, no programa Bloco Central da TSF, foi o o próprio Pedro Marques Lopes (um dos esteios de Passos Coelho até mesmo antes de ganhar as eleições ou formar governo, não me lembro bem) que disse que 2012 era capaz de não acabar com o mesmo primeiro-ministro.

Com (ex-)amigos destes e relvas sem almofadas mas com um transbordante universalismo tropicalista –  e apesar da ausência de oposição por parte do PS que não seja a marimbeira – nem precisamos continuar a bater muito mais no homem.

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