Terça-feira, 13 de Dezembro, 2011


Doismileoito, Bife de Natal

Se eu fizesse de conta que estudava mesmo filosofia na só-ronha, interrogava-me sobre o sofrimento do cancro do chavez, tal como solicitado por um adepto d’armani.

… e fingiu-se que era progresso e desenvolvimento.

Plataforma Logística de 370 milhões de euros ainda não tem clientes

Mas a culpa é dos subsídios dos funcionários públicos e do artigo 79º do ECD.

Hoje não há fotos que eu queira divulgar, apenas a saudade próxima; dois dias de actividades lectivas que restam, muito suprir de algumas carências, uma reunião – a que falta – mais o vigésimo agendamento da instalação de um simples telefone pela PT, estão a estudar a tecnicidade do assunto, uns postes talvez exóticos, deleitar-me com o spam e aí vou eu. Não, não irei pela A25. Ademais, logo hoje, que não morreu ninguém que importe e sirva aos idiotas de sentina.

Líbia? Presidente Obama?

Uóte? U? Uére?

… desde que os tempos em que cavalgava mísseis na primeira guerra do Iraque (excluo os episódios em que descobriu a minha colega F. nos corredores e pátio da FCSH).

Neste caso, era no telejornal da RTP1 a anunciar a queda do défice orçamental de 1978% para o,00000001% em apenas 23,4”, na sequência de um anúncio feito em tom mais calmo pelo PM algo que, contudo, foi considerado uma aldrabice por um colega de partido (acho que ainda é, mas nunca se sabe…).

Populismo selectivo

Revisão da Estrutura Curricular: gato escondido com rabo de fora

Abaixo-assinado EM DEFESA DO PÚBLICO, EM NOME DO JORNALISMO

Para: Administração do “Público”

Os jornalistas e cidadãos abaixo-assinados vêm expressar publicamente a sua preocupação pela situação que atravessa o jornal “Público”, manifestando-se solidários com os trabalhadores deste diário. A intenção da administração do “Público” de colocar em situação de lay off 21 trabalhadores e de reduzir a remuneração a todos os que aufiram um salário bruto superior a 1.600 euros reforça uma tendência preocupante no sector dos media que tem vindo a afectar também profissionais de outros órgãos de comunicação social nos últimos anos e mais recentemente no “i”.

Desde a sua fundação, o “Público” afirmou-se como um dos mais reputados títulos da imprensa nacional, uma importante referência para os profissionais da comunicação e para milhares de leitores. As dificuldades que esta e cada vez mais redacções atravessam não são apenas um problema dos jornalistas, mas de todos os cidadãos que desejam uma sociedade livre e informada. A crescente instabilidade e a contínua degradação das condições de trabalho nas redacções constituem uma séria ameaça ao jornalismo de qualidade, um dos mais importantes pilares da democracia.

A crise financeira global, com as suas particularidades europeia e portuguesa, veio conferir uma dimensão ainda mais preocupante ao desafio que a Internet trouxe ao jornalismo tradicional. Às empresas, na busca de um novo modelo de negócio. Aos jornalistas profissionais, na criação de novas narrativas e novos formatos de recolha, produção e tratamento da informação em diferentes plataformas. A ambos, empresas e jornalistas, na capacidade de tirarem partido dos novos media e de uma até agora inédita centralidade dos cidadãos no processo noticioso.

Convictos de que a viabilização económica sustentável das empresas que apostam num jornalismo profissional de qualidade, credível e independente não pode ser alcançada sem sustentabilidade editorial, os abaixo-assinados apelam à administração do jornal “Público” que, no escrupuloso cumprimento da lei, procure superar as dificuldades em colaboração com os seus jornalistas e demais trabalhadores e não contra eles.

Os signatários

Ensino do Português como língua materna ameaçado!

(…)

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

(…)

Com Fúria e Raiva, Sophia de Mello Breyner Andresen

Porque é preciso recordar e relacionar: as coisas não acontecem de súbito nem por acaso!

Estas opções políticas relativas ao ensino do Português no estrangeiro, que se traduzem nos cortes de cursos e despedimentos sumários de professores, ultimamente noticiados, não decorrem da crise política que agora atravessamos. São antes o resultado de escolhas e decisões que vêm sendo ponderadamente implementadas há vários anos, e cujo objectivo dá pelo nome de “internacionalização” da língua portuguesa. Este grandioso projecto tem como instrumento incontornável o Acordo Ortográfico de 1990, reactivado graças às astúcias, muito pouco democráticas, do “Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa” (CPLP, São Tomé, Julho de 2004), aprovado pela Resolução da Assembleia da República n.º 35/2008, de 16 de Maio de 2008.

Contrariamente ao que dizem os seus defensores, este Acordo não contribui para uma – visivelmente impossível – “ortografia unificada”, antes subalterniza a ortografia do português de Portugal, impondo-lhe, sobretudo no que toca às consoantes ditas “mudas”, as opções, já antigas, feitas pelo Brasil (1943), de acordo com a pronúncia brasileira, bem diferente da nossa. Ora esta diferença, que todos “ouvimos”, resulta de dois sistemas vocálicos inconfundíveis. Daí que só por má-fé se possa invocar, nesta matéria, o critério da pronúncia! É a ditadura uniformizadora do maior número, a pior inimiga da diversidade cultural e linguística da humanidade! E o objectivo final deste Acordo é, de facto, facilitar a “internacionalização” da língua portuguesa, mas na sua versão brasileira, à custa da vandalização e, a termo, da liquidação da nossa língua materna. Basta ver o percurso e o papel da CPLP em todo este processo!

Neste contexto, compreende-se que o ensino da sua língua aos portugueses, em Portugal e no estrangeiro, aos nossos emigrantes e luso-descendentes, não tenha grande significado. No país, a prioridade é a aplicação do Acordo Ortográfico, assim desmantelando irresponsavelmente os esforços de alfabetização levados a cabo nas últimas décadas! No estrangeiro, é a redução drástica do número de professores e de cursos destinados a ensinar a nossa língua materna àqueles que a ela têm direito! Deixo a Carlos Reis, grande defensor deste Acordo, a tarefa de confirmar o que tenho vindo a dizer:

“ (…) em espaços em que as comunidades portuguesas registam uma presença importante, será de encarar com cautela e em termos devidamente ponderados a possibilidade de articular acções com os seus representantes, já que a actuação daquelas comunidades se fixa sobretudo na questão do ensino do Português como língua materna, o que escassamente corresponde às preocupações de uma política de internacionalização do idioma. (in Entrevista ao JL de 16-29 de Julho de 2008; o sublinhado é meu)

Em suma, é urgente reagir, pois, contrariamente ao que se diz por aí, ainda estamos muito a tempo de o fazer! É preciso saber e divulgar: há seis anos para a entrada em vigor generalizada do Acordo (Resolução da Assembleia da República n.º 35/2008), a contar de 13 de Maio de 2009, data do depósito do “instrumento de ratificação” do Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (MNE, Aviso n.º255/2010).

Defendamos o nosso direito, enquanto portugueses, ao respeito pela nossa língua materna, em Portugal e no estrangeiro! Recusemos o Acordo Ortográfico, concebido para servir interesses políticos e económicos, que não são os do povo português, e que nos inferioriza e desrespeita, assim como aos nossos descendentes, herdeiros da nossa língua!

Aproveito para comunicar que está na Internet uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico, que recolhe assinaturas de cidadãos eleitores (em papel; 35000 necessárias), para apresentar na Assembleia da República um “Projecto de Lei de revogação da Resolução da Assembleia da República n.º35/2008”, já referida acima: www.ilcao.cedilha.net

Resta-me dizer que falo com conhecimento de causa: por ter lido e analisado não só o próprio Acordo e a legislação que lhe diz respeito, mas também muito do que sobre estas questões se tem publicado; e pela minha própria experiência profissional e humana – professora de Português (e Francês), no ensino secundário, reformada desde 2006, vivi 15 anos em Paris (1965-1980), tendo aí ensinado a nossa língua, durante oito anos, na Universidade de Paris III.

Termino como comecei, com Sophia de Mello Breyner Andresen, A Palavra:

(…)

«Um homem pode enganar-se em sua parte de alimento
Mas não pode
Enganar-se na sua parte de palavra»

 

Lagos, 05 Dezembro 2011

Maria José Abranches Gonçalves dos Santos

O professor e a varinha de condão

Ser professor acarreta uma profunda carga de utopia e de imaginário. Com o lento passar do tempo e da memória colectiva, gerações após gerações ajudaram a elaborar a imagem social de uma profissão de dádiva absoluta e incontestável entrega.

O poder simbólico da actividade docente leva a que os professores sintam sobre os seus ombros a tarefa herculeana de mudar, para melhor, o mundo; de traçar os novos caminhos do futuro e de preparar todos e cada um para que aí, nesse desconhecido vindouro, venham a ser cidadãos de corpo inteiro e, simultaneamente, mulheres e homens felizes. É obra!

Ao mesmo tempo que a humanidade construiu uma sociedade altamente dependente de tecnologias dominadoras, transferiu da religião para a escola a ingénua crença de que o professor, por si só, pode miraculosamente desenvolver os eleitos, incluir os excluídos, saciar os insatisfeitos, motivar os desalentados e devolvê-los à sociedade, sãos e salvos, com certificação de qualidade e garantia perpétua de actualização permanente.

O emergir da sociedade do conhecimento acentuou muitas assimetrias sociais. Cada vez é maior o fosso entre os que tudo têm e os que lutam para ter algum; entre os que participam e os que são marginalizados e impedidos de cooperar; entre os que protagonizam e os que se limitam a aplaudir; entre os literatos dos múltiplos códigos e os que nem têm acesso à informação.

E é este mundo de desigualdades que exige à escola e ao professor a tarefa alquimista de homogeneizar as diferenças.
Os professores podem e estão habituados a fazer muito e bem. Têm sido os líderes das forças de sinergia que mantêm os sistemas sociais e económicos em equilíbrio dinâmico. São eles que, no silêncio de cada dia, e sem invocar méritos desnecessários, evitam que muitas famílias se disfuncionalizem, que as sociedades se desagreguem, que os estados se desestruturem, que as religiões se corroam.

Mas não podem fazer tudo. Melhor diríamos: é injusto que se lhes peça que façam mais.

Particularmente quando quem o solicita sabe, melhor que ninguém, que se falseia quando se tenta culpabilizar a escola e os professores pelos mais variados incumprimentos imputáveis ao sistemático demissionismo e laxismo das famílias, da sociedade e do próprio Estado tutelar.

É bom que se repita: os professores, por mais que se deseje, infelizmente não têm esse poder e essa magia. Dizemos infelizmente porque, se por milagre o tivessem, nunca tamanho domínio estaria em tão boas e competentes mãos.
E é precisamente porque nunca foram tocados por qualquer força divina que os professores, como qualquer outro profissional, também estão sujeitos à erosão das suas competências; que, como qualquer técnico altamente qualificado, eles também necessitam de actualização permanente. E é por isso mesmo que os docentes reclamam uma avaliação justa do seu desempenho. Uma avaliação em que se revejam, que os estimule a empreender e que os ajude no seu crescimento profissional.

Todas as escolas preparam impreparados. Até as que formam professores. Sempre foi assim e, daí, nunca veio mal ao mundo. É a sequência e a consequência da evolução dialéctica das sociedades e das mentalidades.

Por isso, centrar a discussão na impreparação profissional dos docentes, como se tal fosse estigma exclusivo desta classe e justificasse as perversas iniciativas que lançam a suspeita pública sobre a responsabilidade ética dos educadores no insucesso do sistema educativo e no desaire das políticas educativas que não têm vindo a sancionar, isso dizíamos, traduz uma inqualificável atitude de desprezo pela verdade e pela busca de soluções credíveis e partilhadas.

Admitir que a educação pode resolver todos os problemas e contradições da sociedade, resulta em transformá-la em vítima evidente do seu próprio progresso.

Repetimos: os professores não têm esse poder e essa magia. Os docentes não podem solucionar a totalidade dos problemas com que se confrontam as sociedades contemporâneas, sobretudo se não tiverem os contributos substanciais dos outros agentes educativos e das forças significativas da sociedade que envolvem a comunidade escolar.

Evidentemente que a escola e os professores podem e devem contribuir para o progresso da humanidade e para o seu desenvolvimento político, económico, social e cultural. Porém, tal não é atingível apenas com meros instrumentos educacionais porque eles, por si só, não são capazes de estilhaçar o mundo de crescentes desigualdades e uma cúpula política sob a qual coexistem a injustiça, o desemprego e a exclusão social.

Os professores não têm essa varinha de condão e, por favor, não os obriguem a ser mais do que são, ou nunca serão o que o futuro lhes exige que venham a ser.

João Ruivo
ruivo@ipcb.pt

esta reorganização/revisão curricular acaba por aproximar os currículos do 2º e 3 º CEB o que, num mundo atento, poderia levar a uma opção futura, em termos de reestruturação dos ciclos de escolaridade, no sentido certo, afastando a peregrina e infantilizante ideia de que se há seis anos no primeiro ciclo num par de países nórdicos também deverá haver entre nós.

Sendo assim, porque não importamos também a neve, os fiordes e passamos a comer ao almoço arenque fumado e almôndegas com molho de mirtilos ou arando?

Quem diz que não é o clima que os faz mais inteligentes pelos padrões do PISA? Há toda uma vestusta corrente intelectual que, outrora, defendia que a latitude e o clima eram decisivos na inteligência e desempenho dos povos.

… apenas tendo padecido, por serem feitas mesmo a quente, ainda sem ter consultado todos os números, de uma estimativa mais fofinha sobre o potencial impacto das medidas no grupo de EVT.

Jornal de Notícias, 13 de Dezembro de 2011

A tutela pode dizer que não serão tocados os quadros de escola ou agrupamento. Podem arranjar umas sinuosidades e, no enquadramento dos mapas de pessoal dos agrupamentos, colocar muita gente a assegurar as AEC (não se assustem, não estou  dar ideias, elas já existem…) e minorar os efeitos.

Mas há grupos que serão – em especial no 2º CEB – atingidos de forma bastante sensível.

E então veremos como serão tomadas certas decisões. De forma conservadora, usando a velha graduação profissional. De forma oportunista, usando os resultados da ADD. Ou – eventualmente de for«a articulada com a anterior –  de forma clientelar benigna (protegendo os chamados coitadinhos) ou maligna (protegendo os vassalos bem comportados).

E então conheceremos ainda melhor os novos ou antigos estilos de liderança.

Com um melhor conhecimento específico do tema, as conclusões, em particular as quantitativas, não diferem das minhas:

Redução de EVT entre 50% a 62,5%

Fundos de pensões: «troika» proíbe Governo de mexer no dinheiro

Dinheiro dos fundos de pensões fica congelado até nova visita da «troika», ou seja, tranche não pode ser usada antes de Fevereiro.

Clube dos Pensadores:

Reforma curricular

Terrear:

Mais uma reforma curricular para tudo ficar na mesma?

Albino Almeida ao DN:

O que foi apresentado é o início da marca deste Governo na Educação. E vai ao encontro do que tinha sido anunciado e do que Nuno Crato defendia até antes de ser ministro, nomeadamente o fim da dispersão curricular e a posta no conhecimento. É uma mudança de paradigma.

Já pode desbloquear-se a tranche?

Uma reforma ou uma etapa?

O que se esperava ser uma reforma curricular foi apresentada pelo MEC como uma “revisão” e apenas uma etapa que “abre caminho a reformas curriculares mais profundas” a desenvolver no futuro.

O que significa, desde logo que se fica sem saber para que serve ao certo o debate público que agora é aberto, pois o que nos é proposto é algo a caminho de um objectivo que permanece desconhecido, para além da formulação vaga repetida por todos os governos e todos os ministros que será a caminho de amanhãs que nos sorrirão de tanto sucesso que imaginar é difícil.

Mas, apesar da indefinição quanto ao horizonte temporal das medidas a aplicar, a proposta que temos para discussão levanta diversas questões que se poderão sistematizar, de forma simplista, da seguinte forma:

No plano da estruturação curricular, o anunciado combate à dispersão curricular não acontece no 2º ciclo e é feito no 12º ano sob a forma do corte de uma disciplina sem compensação no reforço das restantes. Apenas no 3º ciclo se procede a uma concentração do currículo, com a recuperação (e não reforço) de horas lectivas para as disciplinas sacrificadas na reforma curricular de há uma década.

No plano pedagógico, as alterações são num sentido conservador, em especial no 3º ciclo, de reforço de um núcleo duro do currículo em detrimento das áreas curriculares não disciplinares, cuja utilidade foi bastante contestada.

No plano da gestão dos recursos humanos, a presente proposta terá consequências dramáticas nas escolas, em especial no caso do 2º ciclo do Ensino Básico em que estarão em risco cerca de 15% dos professores em exercício, a esmagadora maioria deles dos quadros. O que poderá significar uma situação de mobilidade para perto de 5000, metade ou mais do grupo de EVT. No caso do 3º ciclo e Secundário, o impacto é menor, com o alargamento da escolaridade para 12 anos a ser feito com base em rearrumações de que ainda não é possível prever a extensão. E neste particular irão fazer-se sentir de forma decisiva os poderes quase discricionários que as actuais direcções têm na distribuição dos horários disponíveis.

Isto significa que se aproxima um período de recrudescimento da instabilidade nas escolas que dificilmente se poderá traduzir numa melhoria do trabalho desenvolvido com os alunos.

Europe’s great divorce

Eurozone crisis live: Barroso attacks Cameron as UK inflation dips

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