Segunda-feira, 12 de Dezembro, 2011


Fool’s Gold, The Dive

Os Vampire Weekend da outra costa…

Apresentação da proposta de reforma curricular

FENPROF e FNE sobre a proposta de revisão curricular (antes da apresentação da proposta)

Professores que fazem 200 km para chegar à escola… e partilham automóvel.

O aumento da escolaridade para 12 anos num contexto de vacas escanzeladas teria de se basear numa qualquer forma de contornar o problema.

O aumento de alunos no Ensino Secundário implicaria a necessidade de mais professores.

A menos que… se reduzisse a carga lectiva, cortando horas às disciplinas ou mesmo disciplinas, por forma a compensar o aumento previsto de encargos.

Vai daí e temos esta proposta que faz uma pequena poda no 10º e 11º ano e desbasta fortemente o 12º ano, algo que espero dê frutos na forma como os alunos venham a chegar aos professores superiores… pelo menos a alguns. Ou aos polis que gostam de dar aulas a centenas de uma vez para pouparem horas…

Numas contas de merceeiro, a estrutura actual do Secundário ronda as 50 blocos de 90 minutos (mínimo de 47,5, máximo de 51,5) para os 3 anos. Na presente proposta esse valor fica nos 45 blocos, o que significa um corte de 10% no total de tempos lectivos.

No caso do Secundário, porque muitos dos docentes leccionam também o 3º CEB (o menos sacrificado nesta etapa de cortes), é mais difícil calcular o número que daqui pode resultar de horários zero, mas penso que ainda será um número significativo… a menos que o número de alunos aumente de forma equivalente no próximo ano.

Agora uma coisa é certa… a escolaridade de 12 anos será pobrezinha, magrinha…

Qual é o grande desafio do nosso tempo?

Quando a incerteza e a crise batem à porta do país, da europa e do mundo, onde está a solução?
A Ciência e a Investigação fazem a diferença.
O que é que o Ensino Superior e a Ciência podem fazer por Portugal?
O ministro Nuno Crato, João Lobo Antunes, António Nóvoa, Fátima Barros, António Cruz Serra, juntos no Prós e Contras

Atentemos na proposta de reorganização, reforma ou revisão curricular:

Vamos lá fazer as contas do ponto de vista dos recursos humanos (a menos que alguém ache demasiado corporativo), porque isto envolve a vida profissional e pessoalde milhares de pessoas e, por tabela, de milhares de famílias.

Até agora tínhamos 33 tempos lectivos (descontando EMR), dos quais era habitual 6 serem em par pedagógico (4 para EVT e 2 para EA). Isto significa que, do ponto de vista dos horários de professores, cada turma tinha o equivalente a 39 tempos lectivos.

Na presente proposta aparecem 30 tempos lectivos, não se percebendo se o Apoio ao Estudo (facultativo) será englobado no horário lectivo ou não ou remetido para a CNL. MAs, no máximo, existirão 35 tempos lectivos.

Isto significa que, assim olhando à pressa, se perdem 23% dos tempos lectivos na hipótese mais complicada (Apoio ao estudo na CNL) ou 10% na hipótese menos desfavorável (AE na CL).

A distribuição das perdas, atendendo ao desaparecimento da Formação Cívica e do Estudo Acompanhado, deverá ser na ordem dos 50% para o grupo de EVT e de outros 50% para os restantes grupos disciplinares.

Actualmente, o grupo de EVT, em termos de horários de professores, ocupa 8 tempos do total dos 39 (acima dos 20%) de cada turma.

Olhemos agora para o número de professores em exercício em 2009/10, para o qual dispomos das estatísticas oficiais online mais recentes:

Sendo a matriz apresentada aplicada a todo o sistema, público ou privado, temos um universo a rondar os 32.000 docentes. Desses, assim por alto, teremos pelas contas anteriores (lamento, não tenho inside data) uns 6500 docentes de EVT. Metade deles está em risco.

Quanto aos restantes, numa estimativa intermédia, de 15% de perda de horas lectivas, teremos perto de 5000 docentes com o lugar em risco.

Na mais caridosa das possibilidades serão mais de 3000 neste ciclo de escolaridade.

Quem fizer melhores contas ou tiver acesso a informações mais rigorosas e actualizadas, corrija-me. Tudo isto foi feito entre o jantar e o apoio ao TPC da petiza. Posso ter-me distraído nos pormenores ou enviesado um qualquer raciocínio.

… no feicebuque, porque a petiza ficou com ordem de restrição de se aproximar aqui do computador e o outro está de quarentema.

Estamos a falar de uma reforma, de uma reorganização, de um reajustamento, de um remendo ou do quê?

Isto é para durar quantos anos? Pelo menos os três anos do 3º ciclo de escolaridade? Porque nem ouso pensar que sirva para os cinco que vão do 5º ao 9º para quem entrar em 2012-13 no 2º CEB.

Vamos fazer uma discussão pública de mais este conjunto de cortes sem sabermos qual a duração das medidas?

Porque o comunicado, a este nível, fala numa etapa… uma etapa num trajecto em que sentido? Ao que parece serão redefinidas as metas de aprendizagem e os programas… Quando?

A etapa de revisão da estrutura curricular que agora se inicia abre caminho a reformas curriculares mais profundas que permitirão melhorar significativamente o ensino das disciplinas fundamentais. Neste sentido, criará as condições para uma definição das metas de aprendizagem disciplinares e reformulação posterior dos programas com vista a um trabalho consistente de alunos e professores na melhoria da aprendizagem.

Vou começar por aquilo com que concordo sem grandes reservas: a concentração da carga lectiva do 3º CEB num núcleo duro curricular sem floreados não me parece algo completamente errado.

A partir daí existem três planos a partir dos quais se pode proceder a uma análise:

  • O da coerência da proposta com os princípios enunciados anteriormente e nesse caso o que vai acontecer no 2º CEB não tem lógica pois não combate a dispersão disciplinar, antes a reforça. Por outro lado a forte quebra no horário lectivo do 12º ano levanta problemas que, a breve prazo, se farão sentir no >Ensino Superior, mesmo na sua versão bolonhesa.
  • O dos aspectos pedagógicos e nesse plano depende muito da perspectiva individual sobre aquilo que deve ser ao gestão do currículo porque se faz uma opção conservadora de concentração nos saberes disciplinares tradicionais.
  • O das implicações laborais e, nesse caso, as consequências são dramáticas no caso do 2º ciclo e prenunciam meses de agitação e conflitualidade quando se perceber que muitos docentes dos quadros ficam sem lugar (talvez 10 a 15%) e que as direcções têm carta branca para fazerem a gestão dos horários zero, enquanto no 3º ciclo e Secundário se adivinham rearrumações que ainda é difícil prever no que acabarão, dependendo da estrutura das novas unidades orgânicas.

 

Fica aqui o documento completo: REVISAO CURRICULAR.

E a surpresa maior veio… de onde menos se esperava… do Secundário, em que a expansão da escolaridade é feita à custa do emagrecimento do currículo, em particular no 12º ano.

Acho que ficam quase ao nível do meu velho 12º no início dos anos 80.

Depois… queixem-se nas Universidades ou nos Polis.

Fonte: Blog DeAr Lindo:

Novamente a partir da transmissão quase em directo do Blog DeAr Lindo:

Acabam o Estudo Acompanhado e a Formação Cívica. Desdobramento de EVT em duas disciplinas que se supõe leccionadas por um único docente. À primeira vista, um corte de 9% na carga lectiva e de perto de 20 % em horas lectivas de docentes.

 

No Blog DeAr Lindo:

Fim da Formação Cívica e do par pedagógico de EVT? E o resto? Vamos lá ser abrangentes nos apontamentos… e os telemóveis avançados servem mesmo para isto…

Ficam aqui as actuais matrizes do , e ciclos do Ensino Básico para comparar com a proposta que deve aparecer daqui por cerca de uma hora (quando andarei longe de um PC).

No caso do 1º CEB, é bom que se note que as AEC (das quais não sou o maior dos adeptos pela forma como funcionam) são de carácter facultativo, pelo que o excesso de carga horária que alguns emissores de opiniões apontam pode ser facilmente removido pelos encarregados de educação que assim o entendam.

No caso do 2º CEB, 3 dos actuais 33 blocos de 90 minutos são leccionados por 2 professores (Estudo Acompanhado e EVT).

No 3º CEB 1 bloco dos 35 de 90 minutos (7º e 8º ano) e 1 de 45 minutos (0,5 dos 36 de 90 minutos no 9º ano) são atribuídos pelas escolas.

Tolerância, sim! Permissividade, não!

Sob este título Edmundo Pedro exprime, no jornal Público de hoje, a sua indignação pelo facto de Adriano Moreira – ex-ministro salazarista que em 1961 mandou reabrir o Campo de Concentração do Tarrafal – ter sido homenageado com o grau de doutor Honoris Causa pela Universidade do Mindelo (Cabo Verde).

Quero, em nome do meu tio Joaquim de Sousa Teixeira, recentemente falecido, que passou alguns anos no referido campo de concentração, associar-me à indignação, legítima e oportuna, de Edmundo Pedro.

Álvaro Teixeira

Portugal não atingiu tecto máximo em taxas moderadoras, diz Passos

Ex.mo Senhor Presidente da ANDE, Dr. Manuel Pereira

Começo por apresentar a V.Exa. os meus melhores cumprimentos e referenciar que não sendo (nem querendo ser) associado da ANDE (nem de nenhuma outra agremiação do mesmo tipo) sou há mais de 4 anos director de um agrupamento de Escolas em Viana do Castelo (e por acaso professor do 2º ciclo).

Tal posição de não adesão não resulta de nenhuma antipatia particular, ou sequer recusa da ideia associativa, mas tão só da ideia de que, no presente e critico estado de coisas, a minha opinião e visão das coisas resultam melhor servidas se as expressar eu próprio livremente e sem condicionantes.   

Imbuído deste espírito tomei conhecimento, com surpresa, através do link que anexo https://educar.wordpress.com/2011/12/11/tomar-arvores-pela-floresta-ou-a-encomenda-para-o-final-do-2o-ciclo/ da posição assumida por V.Exa. na qualidade de presidente da ANDE sobre a alegada (mas com consistência de boato) extinção do 2º ciclo e que foi apresentada como “dos directores” (entenda-se, da sua generalidade).
Durante a tarde, pelo telefone recebi essa noticia (mas desvalorizei-a, por pouco credível, estando em viagem e sem acesso a internet) mas ao chegar a Viana do Castelo dei-me ao trabalho de ir confirmar ao jornal que a publicou e la topei, com chamada a primeira pagina (“directores e pais..”). Na noticia de facto dizia-se que V.Exa terá falado a titulo pessoal, em contradição com a chamada de 1ª pagina e com a sua abertura no texto.
Não pretendo dar a V.Exa lições (para que estaria muito limitado)  de como se lida com a comunicação social mas, crente na sua boa fé, creio que V.Exa caiu no mais básico erro de gestão de comunicação que qualquer manual simples explica: não distinguir, ao falar com jornalistas o que se diz em off do que se diz em on, ou se preferir, o que se diz como pessoa individual ou como porta voz de uma instituição.
Creio que V.Exa em matéria tão grave teria a cautela, ao assumir uma posição institucional, de ouvir os órgãos da sua associação (e falar em nome da Assembleia dela ou da Direcção, legitimando-se) ou ate ter a cautela de esperar que a proposta concreta aparecesse ou fosse debatida pelo Conselho das Escolas (que, se representa mal as escolas, tem legitimidade para falar em nome dos directores). Ou ate eventualmente promover um debate alargado a todos os agentes da questão sobre isto.
Dado que V.Exa não tem a condição de celebridade individual e só representa os directores da sua associação (depois de os ouvir) a sua opinião pessoal, sendo livre, tem pouca relevância e, lamento se soar presunçoso, vale tanto como qualquer outra com o mesmo nível de informação e esclarecimento técnico.
E se ate poderia dizer que vale menos, essa impressão talvez seja injusta por só resultar de, por causa da natureza da forma de escrever noticias, a argumentação explicativa de V. Exa, que deve com certeza ser densa e sustentada, como agora barbaramente se diz, “em evidencias”, estar amputada e baseada apenas num dado errado (as alegadas mas não provadas mal feitorias da dispersão curricular na transição para o 2º ciclo).
Lamentavelmente V.Exa expressa uma opinião pessoal que acaba genericamente imputada pelo jornal a todos os directores do pais que não fundamenta cabalmente (e sempre teria dificuldade em fazê-lo dada a fragilidade dos fundamentos).
Nada tendo naturalmente V.Exa com isso, e calculando que não foi V.Exa que contactou o jornal, mas as tantas não teve a prudência de se calar no comentário a um assunto que não foi “agendado” por V.Exa. (e esta muito mais na agenda da CONFAP e do Governo que das escolas), informo que há pelo menos 1 director que acha mal, por razoes que, curiosamente o link que citei explica brilhantemente e, por isso, me abstenho por agora de desenvolver mais. E não devo ser o único.
Assim, o episódio da noticia de primeira pagina resulta numa situação lamentável em que aparecemos todos os directores (cuja representação V.Exa parece encabeçar, pouco convicto) a defender nas vésperas do anuncio do Governo sobre currículos um “achismo” inconsistente e subordinados a uma posição da CONFAP (em que o seu presidente no seu timbre  habitual confunde alhos com bugalhos e fala de AEC – que, ao contrario do que se diz por vezes, num desdobramento irónico da sigla, são realmente actividades de enriquecimento curricular e, por isso, EXTRA curriculares).
Admito que V.Exa não tivesse consciência do mau resultado  que as suas palavras iriam dar. Os jornalistas são insistentes, ligam-lhe e fica difícil a antipatia de recusar falar mas apelo a que corrija o dano e escreva para o jornal a solicitar direito de resposta. Acho que os professores do 2º ciclo cuja “exterminaçao” apoiou tão ligeiramente lhe merecem isso, se não merecerem os seus colegas (entre eles eu) em cujo nome falou sem previa consulta e sem um debate aberto mínimo que permita saber o que realmente pensam os directores (mesmo os da sua associação que não deve ter consultado, senão não se protegeria no “a titulo pessoal” ).
Com os melhores cumprimentos
Luis Sottomaior Braga

PS: esta carta assume a forma de carta aberta e admito que possa ser publicada. Remeto-a ao representante de Viana do Castelo no Conselho das Escolas, ao jornal que publicou a noticia e a outra associação de directores.

… e limitar a especulação sobre os aspectos mais relevantes da reorganização curricular do Ensino Básico.

No meu caso, apenas assinalo que o que fui afirmando quanto ao processo estava globalmente correcto e não lancei boatos sem fundamento. Apesar dos desmentidos oficiosos e das aves de arribação que aqui apareceram em certas ocasiões a desmentir o que era verdade.

A especulação tem sido muita em torno das medidas, mas a tutela tem conseguido manter algum sigilo. Em resposta a perguntas do CM, o Ministério da Educação e Ciência esclareceu que a proposta de revisão da estrutura curricular que será hoje apresentada foi elaborada por um grupo de trabalho do MEC, formado por cerca de uma dezena de pessoas chefiadas por Fernando Reis, responsável máximo da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular. O documento contou ainda com contributos pontuais de muitos profissionais dos vários organismos que integram o MEC. A tutela escusou-se a revelar quanto tempo demorou a elaboração do documento.

O tempo de preparação não é difícil de saber. Os elementos que participaram não é algo muito relevante, excepto quando se colocaram pessoas de uma área a buscar soluções para outra totalmente diversa. Receio de corporativismo disciplinar?

 

Já na 6ª feira o caderno Confidencial do Sol dava destaque ao assunto, hoje é o Diário Económico.

O que estranho (ou não!) é que se o erro já tina sido detectado, porque o cometeram?

Segurança Social corrige notificações erradas a “recibos verdes” isentos

Instituto notificou trabalhadores independentes isentos e vai agora corrigir a situação.

A Segurança Social vai notificar novamente, com informações corrigidas, todos os trabalhadores independentes que estão isentos de descontos mas que, ainda assim, foram chamados a pagar contribuições de acordo com o novo Código Contributivo. O erro já tinha sido detectado e o Instituto de Segurança Social (ISS) garante que a situação está a ser corrigida.

E agora, reclama-se ou espera-se pelo contacto e, depois, aplicam-nos uma multa porque não reclamámos?

Para além de Marcelo Rebelo de Sousa, uma fonte do MEC comunicou à TSF que o conjunto de História e Geografia vai ganhar uma hora lectiva semanal do 7º ao 9º ano.

O resto será comunicado à população, em geral, e aos agentes educativos, em particular, logo à tarde.

Ainda é um projecto que vai estar mês e meio em discussão.

Em anexo ouviram-se declarações da presidente da APH que disse quase o normal (afirmou ser esse aumento uma reivindicação antiga, embora a verdade seja que se pedia a reposição das horas tiradas para criar as ACND, tendo-se mantido o mesmo programa) e a seguir falou o actual presidente da Associação Nacional de Professores, que sucedeu ao actual DREN no cargo.

Disse que os alunos do 1º ciclo chegam a casa cansados de tanta aula, em especial das AEC. Curioso.

Em tempos a posição da ANP é que as AEC deveriam ser prioritariamente lúdicas (cf. aqui). É essa a presente posição? E como e por quem seriam, então leccionadas?

Os javardos comeram tudo…

Devo ter apanhado um dos responsáveis… Se não foi ele – peço desculpa.

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