Domingo, 11 de Dezembro, 2011


O Correio da Manhã inclui hoje uma peça em que duas pessoas emitem uma opinião que é tomada como sendo a de directores e pais. Pessoalmente, como pai de uma aluna do 1º ciclo (coisa que representante vitalício da Confap não é há muito) , não posso estar mais em desacordo com o que é afirmado pelo pai Albino da Nação Almeida, sendo que Manuel Pereira afirma falar em nome pessoal.

A ideia é simples e vem dos tempos, no mínimo de Maria de Lurdes Rodrigues e Valter Lemos: o 2º ciclo não deve existir e deve existir um ciclo inicial de seis anos para aprender a ler, escrever, contar e fazer umas tretas parecidas com as AEC (parece ser a posição do pai Albino) que, como sabemos, são um excelente modelo a generalizar.

Correio da Manhã, 11 de Dezembro de 2011

Já escrevi muito sobre isto e sei que posso ser acusado de parte interessada por ser professor do 2º CEB. Mas, por isso mesmo, sei o que se passa, porque estou lá e dou aulas. Não estou num gabinete, não sou representante eterno dos pais, nem sequer sou daqueles directores que falam por ouvir falar de um ciclo de ensino que desconhecem, por muita verticalização da gestão que se anuncie.

Escrevo o que escrevo com base no que observo e nos dados disponíveis. É um mito, uma completa falsidade que a transição para o 5º ano seja traumática para a miudagem. É traumática para as mamãs e papás, sei do que falo, porque para mim será. Enquanto pais, há receio da passagem de uma escola pequena para uma escola grande e, dizem alguns especialistas e investigadores de renome mas que nunca deram aulas no 2º CEB, que a passagem da monodocência para a pluridocência baralha as crianças quase jovens.

Nada de mais errado: os miúdos ficam felizes por passarem para a escola dos mais crescidos. Para além disso muitas escolas do 1º CEB com ou sem JI tornaram-se enormes, com mais de 250 ou 350 alunos, pouco se distinguindo de uma mediana EB 23.

Em termos de professores, com a rebaldaria que se instalou em muitas zonas com as AEC e os professores a rodarem a um ritmo enorme, os miúdos do 1º ciclo conhecem quae tantos professores  (ou que tratam como tal) como os do 2º CEB com um Conselho de Turma formado por 8 docentes.

Em termos pedagógicos, a extensão do 1º CEB para 6 anos, com os programas que agora existem corresponderá – não me canso de o repetir – a uma crescente infantilização do ensino, não valendo a pena apontar exemplos sem demonstrar que essa introdução de um ciclo inicial de 6 anos se fez em muitos países numa fase diversa da nossa do desenvolvimento educacional da sociedade.

O que se passa é que, na esteira do pensamento valteriano-rodriguista, há que poupar e a solução de fundir o 1º com º 2º CEB é uma solução que permitirá poupar docentes e, por essa via, dinheiro.

E só isso é que conta.

O resto é conversa cheia de balelas. O ponto crítico em termos de insucesso é o 7º ano de escolaridade, não o 5º (ver quadro abaixo, retirado das estatísticas oficiais) . E não é por trauma ou impreparação dos alunos. É porque, mesmo partilhando muitas vezes a formação de base, os professores de diferentes ciclos de escolaridade se sentem em diferentes patamares de um inexistente prestígio científico-académico, sendo os do 2º CEB os que estão mais entalados porque, em regra, não podem leccionar, se não excepcionalmente, nenhum dos outros.

E o que pretendem é extingui-los.

Que tudo isso apareça sem se saber bem porquê e porquê agora, sem discussão pública, com bitaites escolhidos a dedo, sem qualquer contraditório coerente e informado, apenas significa que a continuidade em relação aos governos do PS se tornou a marca d’água de funcionamento do actual MEC.

Lá por mudarem os conselheiros, não significa que os métodos tenham mudado ou sequer as ideias no MEC.

Sei que alguns me irão criticas as críticas que agora faço, acusando-me de ingenuidade, disto e daquilo, de ter saudado a escolha de Nuno Crato para MEC e agora estar profundamente desiludido com o seu desempenho.

Querem saber uma coisa? Se calhar têm razão.

Mea culpa.

A ser verdade o que se aflora nesta peça, com a benção do pai Albino e do director Manuel Pereira (em nome individual) o ministro Nuno Crato em pouco se distingue, nas medidas concretas para a reorganização currsicular do ex-SE Valter Lemos.

A reforma curricular que se aproxima, pelos sinais enviados assemelha-se a uma enorme mistificação, feita sem base empírica credível e com argumentos fundamentados em achismos de esplanada, eventualmente com recurso a uns estudos curiosos que ignoram os dados concretos.

Um 1º CEB de 4 anos, se preparado com um ano de pré-escolar a sério, com um programa preparatório, chega e sobra para aquilo que são as metas de aprendizagem de um ciclo em que o programa dos dois primeiros anos são uma espécie de fingimento de ensino-aprendizagem. Querem que os alunos tenham um ensino básico sério e a sério, que cheguem ao secundário sem ser analfabetos funcionais? Juntem os 2º e 3º CEB com programas distendidos para 5 anos, sem repetições de conteúdos, de forma integrada e sem snobismos da treta.

Ahhh… e tratem o 1º CEB com a dignidade que lhe é devida, com programas adequados e não com parlapatices.

Professores são educadores, não babás

Autor do 2º artigo mais compartilhado no Facebook em 2011, americano diz que pais desrespeitam regras de escolas, pondo em risco o futuro dos filhos.

Por acaso não partilhei e nem conhecia.

Apontamentos sobre um desastroso modelo de gestão -7

Acho bem, claro.

Quem pode, pode. Quem não pode, amocha e ouve os representantes apelar à luta e coiso.

Vítor Gaspar pacifica militares

Os ministros da Defesa e das Finanças estiveram cara a cara com os quatro chefes militares, numa reunião inédita. O encontro aconteceu esta terça-feira, no Ministério da Defesa. A situação nas Forças Armadas, com menos verbas e congelamento das promoções, é das mais complicadas dos últimos anos e, por isso, requereu esforços excepcionais.

Do encontro, saíram alguns sinais positivos, com o Governo a aceitar que possa haver, em alguns casos, promoções com respectivo aumento salarial.

Aceitou ficar emprateleirado.

Os partidos políticos tornaram-se associações clientelares

João Cravinho está a regressar de cinco anos em Inglaterra. Fala de Sócrates, uma no cravo e outra na ferradura, mais cravo que ferradura, no fim de contas.

“O PS não é um partido de protesto”

Seguro quer o partido a apoiar propostas do Governo, PCP e BE se responderem a problemas do país. Num almoço convívio na Lousã, o líder disse aspirar a ser primeiro-ministro de Portugal, mas por “mérito próprio”.

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