É o que se passa com a bancada parlamentar do PS. É um grupo de deputados incaracterístico e que, como acontece sempre que uma liderança partidária sai após um derrota eleitoral, tem mais fidelidades ao líder que foi do que ao líder que é ou tenta ser.

Aconteceu no PSD com vários líderes, agora é com o PS.

Só que esta liderança é demasiado frágil, encontrando mais apoios fora do próprio partido do que dentro dele. Basta ver como tanto o PR e o PM o não atacam, preferindo o próprio PSD, quanto muito, formulações generalistas sobre o PS.

Para além de que o longo exercício do silêncio calculado, do vago não alinhamento insinuado, da indecisão como modo de vida, se transformaram numa liderança sem identidade ou projecto num partido que precisava de alguém para ocupar o lugar como, outrora, o fizeram Almeida Santos e Vítor Constâncio, mas apenas isso.

O grupo parlamentar, onde se destacam os herdeiros do socratismo pseudo-modernaço, com o próprio Zorrinho à frente, é aquilo que é… um grupo onde os herdeiros do engenheiro são os mais activos e não assumem a herança dos seis anos de governança que não seja a da propaganda que construíram em seu redor.

Os episódios caricatos em torno da votação do OE para 2012 triturariam a credibilidade de qualquer liderança que a tivesse. Assim, são epifenómenos no trajecto de estabilidade em baixa de um António José Seguro muito útil ao governo do PSD/CDS que ninguém leva a sério como líder de uma oposição fragmentada à esquerda, por muito que Mário Soares tente elaborar teorias unificadoras ou Carvalho da Silva tente arregimentar para as ruas.

Dos mails a fazer ultimados ao líder ao episódio da deputada que votou isto, mas depois pediu desculpa, sem se perceber no que acredita, o PS arrasta-se num pântano que deixa o país completamente à mercê de um Governo que faz das fraquezas alheias as suas forças.

Como se antecipou desde sempre, António José habituou-se demasiado a não ter posições definidas e a estar apenas convicto da necessidade de sobreviver no aparelho de poder do PS até chegar o seu tempo (s trocadilhos com o apelido ocorrem em catadupa, sendo esforço hercúleo resistir à tentação).

Só que o seu tempo só poderia chegar quando a maior parte dos que o apoiam também não têm convicções que não sejam observar o voo das aves de arribação e acertarem no momento de apoiarem outro.

Um outro que teve o bom senso de esperar e que esperará até ao momento certo. Sendo que esse momento certo passará pela erosão do governo em virtude do colapso social que se vai desenvolver em 2012. Em 2013 alguém aparecerá e Seguro sairá de cena como saíram, no PSD, Santana Lopes, Marques Mendes, Manuela Ferreira Leite e Luís Filipe Meneses que, honra lhes seja feita, ainda se sabia mais ou menos no que acreditavam.

O PS, como o seu grupo parlamentar, é neste momento um enorme vazio cheio de gente à espera.