Lê-se no DN de hoje que o aeroporto de Beja apresenta a média brilhante de 300 passageiros por mês. Dois mil desde que abriu. As previsões eram de mais de um milhão até 2015. isto significa que entre 2012 e o fim de 2015 terá de movimentar 250.000 por ano, mais de 20.000 por mês, ou seja, aumentar em 7000% a média mensal.

Claro que o aeroporto de Beja foi apresentado como uma obra essencial para o turismo no Alentejo. A seu tempo o Tribunal de Contas negou a sua viabilidade.

Mas a construção, a ritmo que o humor fácil designaria como alentejano (e atenção que eu sou alentejano-descendente), foi avançando e derrapando até mais do dobro do custo inicialmente previsto.

  • Alguém foi responsabilizado pelas projecções mal feitas? Não, a culpa foi da crise internacional que alterou as variáveis (que, por definição, não são invariáveis)! E, claro, as projecções foram encomendadas a gabinetes externos porque a Função Pública não tem quadros para estas coisas, apenas os tem a mais quando convém arranjar a quem atribuir culpas pelos dispêndios excessivos do stado.
  • Alguém foi responsabilizado pela decisão política de mandar construir ou manter a construção? Não, porque entre nós os políticos desculpam-se sempre com os dados técnicos dos estudos e projecções que se revelaram errados, mas por causa da crise internacional!
  • Alguém foi responsabilizado pelos atrasos na concretização da construção? Não porque os empreiteiros entre nós têm sempre direitos adquiridos e quando falham prazos é sempre porque não lhes pagaram a tempo ou deram com factores imprevistos e não previstos nos tais estudos que só prevêem o que é previsível e não deixam margem para as coisas imprevistas, também conhecidas como variáveis que variam (como a crise internacional).