GREVE GERAL: E DEPOIS?…

Estamos em tempos de uma dureza excepcional, que está pronto para desenvolver e amadurecer um descontentamento também excepcional. A tarefa prioritária das forças da contestação tem de ser pensar e propor formas de luta à altura deste desafio, o maior desde o 25 de Abril.

A Greve Geral é importante para marcar uma posição forte – mas deve ser apenas um primeiro (ainda que grande) passo para uma luta mais dura que não deve ficar por aí. Não deve ser vista apenas, calculista e mesquinhamente, como um ganho táctico avulso, mas como uma alavanca para uma estratégia de luta de uma magnitude ímpar, ou não estivéssemos num momemto crucial da nossa vida colectiva.

Até porque há muita gente como eu que pensa que só vale a pena fazer Greve se esse acontecimento não servir apenas – como a experiência infelizmente demonstra – para os contestadores oficiais, no fim, virem recolher os louros e fecharem-se no auto-contentamento beato do “dever oficial cumprido”.

A questão que se coloca aos contestatários desta políticade suicida – designadamente aos partidos da esquerda e aos sindicatos – é saber articular, i.e, dar expressão e conteúdo político ao descontentamento crescente que a situação inevitavelmente trará (estamos só no começo, as medidas mais gravosas ainda não se estão a fazer sentir…).

Por isso, cumpre perguntar: então, e depois da Greve?
Que plano global e estratégico de luta(s) há? Quais são as propostas e objectivos que se podem desde já adiantar ou antecipar (para não se correr atrás dos acontecimentos que, no actual contexto, se podem precipitar de um momento para o outro)? Há alguma plataforma política pensada ou em ponderação para ser lançada e desenvolvida? Que articulação se procurou estabelecer com as outras grandes centrais sindicais europeias, já que a luta neste patamar ou é global ou perde grande parte do seu impacto e eficácia?

Farpas