A semana passada o ministro Nuno Crato afirmou de modo peremptório:

«Acabar com História e Geografia só por cima do nosso cadáver»

O que eu acredito, porque o considero homem de palavra.

Mas há promessas que ele não fez, nomeadamente que ofereceria o seu cadáver caso:

  • A História e a Geografia passem a dispor de menos tempos lectivos do que já dispõem.
  • A História e a Geografia passem a ser leccionadas apenas em parte dos anos do 3º ciclo de escolaridade.
  • A História e a Geografia se mantenham em todos os anos, mas em regime semestral.

Porque a verdade é múltipla e, lá por isso, nem sempre corresponde ao que podemos pensar ser a Verdade, pois não há absolutos nestes tempos de incerteza (sobre estas subtilezas entre absoluto e relativo, as semânticas e pragmáticas da verdade e tal, recorrer com igual proveito a Umberto Eco e Pimenta Machado).

Eu gostaria que as coisas ficassem bem esclarecidas, pois se há coisa que se tornou comum neste Governo foi, à imagem de Sócrates de quem eram tão diferentes, dar o claramente dito por dito de outra maneira, desde os ministros Álvaro e Miguel aos secretários de Estado que calha (seja o da juventude emigrante seja o da função pública excessiva mas não despedida), recorrendo à tal semântica do intervalo da chuva entre as linhas.

Tenho as minhas razões, não interessa agora explicar, antes prevenir.